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Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Muitos pacientes tem uma tendência a querer exagerar no exercício físico com o objetivo de acelerar a perda de peso. Como um raciocínio matemático, acreditamos que quanto mais nos exercitamos, mais peso perdemos.

Existe uma série de fatores a serem considerados quando se trata deste assunto, quase que uma lista de checagem para se avaliar se os objetivos traçados estão sendo alcançados e de fato estão corretos.

 

Alimentação Saudável

É preciso entender que uma alimentação saudável não passa por restrição exagerada de alimentos. O fato de limitar em demasia a a ingestão alimentar ocasiona sim uma perda de peso, no entanto, perde-se gordura e massa muscular. E perder massa muscular nunca é uma boa opção quando o assunto é adequação de peso.

 

Peso e Composição Corporal

Frases meio que desapontadas tipo “a balança é minha inimiga, não perco peso, mas tenho notado que minhas medidas estão reduzindo” são comuns. Na verdade, o peso é somatória de todos os tecidos corporais, ou seja, água, massas gordurosa e muscular e minerais. 

O que ocorre é que o tecido muscular pode aumentar quando a alimentação está adequada e a atividade física executada de forma correta, e isso é um ponto positivo. Por isso a avaliação da composição corporal através de métodos como antropometria ou bioimpedância são indicados.

 

Atividade Física

É sempre interessante combinar exercícios aeróbicos com algum exercício de resistência. Este último tem grande influência no aumento da massa muscular, que funciona como um “freio” no aumento da massa gordurosa.

O músculo aumenta a TMB (Taxa Metabólica Basal) que é basicamente a energia utilizada para manter a vida (respiração, batimentos cardíacos). A alimentação é forma de prover esta energia, assim como o tecido gorduroso, que é um depósito de energia.

 

Repouso

A ausência do repouso, após períodos de atividade física, dificulta a recuperação muscular. É como se o nosso corpo entrasse num estado de estresse contínuo. E nesta situação, substâncias inflamatórias são produzidas. E mais uma vez músculos são perdidos e, de certa forma, “substituídos” por tecido gorduroso.

 

Alertas

Excesso de exercício físico além de induzir a lesões articulares e ósseas, pode levar ao overtraining. Esta é uma condição resultante de se fazer mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar.

Distúrbios de autoimagem, vigorexia (insatisfação constante com o corpo, que afeta principalmente os homens, levando-os à prática exaustiva de exercícios físicos), depressão ou mesmo uso de anabolizantes podem resultar desta prática excessiva de exercícios físicos.

 

Resumindo

Perda de peso implica em perda de massa gordurosa e muscular. A todo custo o músculo deve ser preservado e estimulado. Repouso ou mesmo atividades de relaxamento devem ser estimulados nestes intervalos. Alimentação saudável é um fato, sempre deve ser feita. A suplementação deve ser orientada por profissional capacitado. 

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: Mito ou Fato?

Há tempos divulga-se, como um gerador de boa saúde, o ato de se comer de 3 em 3 horas. Grupos de profissionais de saúde ou de não profissionais, com certa frequência, defendem o fato de que ingestões alimentares regulares aceleram o metabolismo. Isso poderia auxiliar na perda de gordura e aumentar a massa muscular.

 

O que é mito?

É sempre bom, quando se discute este assunto, rever o hábito alimentar do homem primitivo. Este, por sua vez, permanecia dias sem se alimentar, indo sempre em busca de seus alimentos. Hoje, a um toque no aplicativo do celular, o alimento é entregue em nosso domicílio. A grande consequência disso é o vertiginoso aumento da população de indivíduos com sobrepeso ou obesidade.

Alimentar-se de 3 em 3 horas, de alimentos ricos em carboidratos processados (refinados ou industrializados) associado ao sedentarismo, ocasiona inegavelmente o aumento de peso. Além disso, este ato não aumenta metabolismo de uma forma geral. O que aumenta a Taxa Metabólica Basal (energia que gastamos simplesmente para nos manter vivos) é algo que tem relação com a nossa massa muscular. Massa muscular, por sua vez tem relação com ingestão adequada de proteínas e atividade física.

Em condições de saúde e atividade, períodos prolongados de jejum não alteram o nosso metabolismo e não acentuam a perda muscular, desde que associado a equilibrada ingestão proteico calórica.

Isso já não se aplica a condições de doença em que há um consumo acelerado de nutrientes, o chamado hipercatabolismo. Já discutimos em textos anteriores que jejuns prolongados pioram a resposta ao tratamento de qualquer doença por deteriorarem o estado nutricional do indivíduo.

 

De fato, o que é fato?

O fato é que generalizações nunca funcionam. A individualização terapêutica deve ser instituída a todo e qualquer indivíduo. A alimentação pode até ser de 3 em 3 horas, desde que o este indivíduo consuma esta energia adquirida e que este alimento consumido seja de qualidade.

Não é factível “obrigar” uma pessoa a comer sem ter vontade e sem ter um fator de gasto energético associados (relaciono isso a atividade física). Adequar a oferta alimentar a necessidade e a disponibilidade do paciente, promovem um engajamento do mesmo com a sua saúde.

Três ou quatro refeições diárias, associadas a períodos mais prolongados de jejum não é algo que seja execrável.

Situações específicas podem impor alguma regularidade de horário nas refeições. Um exemplo disto é o paciente diabético usuário de insulina. Ou pacientes que estão em processo de perda ponderal expressiva geralmente após cirurgias de redução do estômago.

 

Conclusão

Alimentar-se deve ser fruto de uma necessidade aplicada a funcionalidade de cada ser humano. Não é uma obrigação baseada em suposições ou mitos.  O que serve para um, pode não servir a outro. E por este motivo a generalização não é aplicável. A orientação de um profissional capacitado em terapia nutricional ou gastroenterologista é sempre indicada em situações de dúvida ou doença. Válido sempre dizer, este artigo não substitui uma consulta presencial.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Atividade Física em Processos de Adoecimento

Atividade Física em Processos de Adoecimento

Doença e Massa Muscular

Não é incomum, em qualquer processo de adoecimento, ouvirmos de conhecidos ou mesmo do médico assistente a seguinte frase: “faça repouso absoluto e não se exercite”. A contraindicação ao exercício físico, mesmo em procedimentos pequenos ou doenças com gravidade baixa ainda é uma recomendação bastante disseminada.

O grande problema da imobilidade prolongada desencadeada por alguma doença é a perda progressiva da massa muscular corporal. O adoecimento gera uma série de substâncias inflamatórias em nosso corpo que causam o catabolismo (quebra) muscular. Além disso, estas mesmas substâncias ocasionam a perda do apetite o que agrava ainda mais este problema.

 

A importância da atividade física na doença

Há ainda que restrinja a atividade física na doença pelo temor da perda de peso. No entanto, e isso já foi comprovado por vários estudos científicos, a prática de atividade física, e isso inclui exercícios resistidos e a própria fisioterapia, melhora a resposta aos tratamentos instituídos e acelera o processo de recuperação.

Pacientes internados em UTI tem sua melhora acelerada desde que mobilizados precocemente. Obviamente, este exercício tem que ser associado a uma oferta adequada de proteínas.

Este fato pode ser extrapolado para pacientes fora da UTI.  A atividade física é benéfica em pacientes idosos, pacientes que estão em tratamentos oncológicos e naqueles que estão em pós-operatórios. Tudo isso sempre associado a uma alimentação equilibrada e com oferta adequada de proteínas.

 

Indicações

Todo paciente deve ser mobilizado.

A adequação do exercício deve ser individualizada.

O repouso absoluto é uma prática que deve ser limitada a curtos períodos. Deve ser prescrito somente se a condição clínica do paciente não permita sob nenhuma hipótese. O acompanhamento interdisciplinar incluindo especialista em terapia nutricional, fisioterapeuta e educador físico é recomendado nestes casos.

Em resumo, atividade física e ingestão adequada de proteínas acelera a recuperação de qualquer paciente. Sendo estas práticas bem recomendadas e seguras.

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Encurtamento do Jejum Pré-Operatório

Por muito tempo praticou-se o jejum prolongado como preparo para cirurgias. Muitos serviços ainda praticam o este jejum prolongado, mas felizmente aos poucos esta prática tem mudado.

Jejum pra quê?

Historicamente o jejum pré operatório era indicado com a finalidade de se evitar a aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões após a indução anestésica. A alegação principal era a de que os medicamentos utilizados na anestesia lentificavam o esvaziamento do estômago.

Mudança de paradigmas

Novos estudos controlados e de grande confiabilidade demonstraram que não há prejuízos clínicos para os pacientes que se submetem ao jejum pré operatório mais curto. Na verdade, verificou-se melhores respostas cirúrgicas em pós operatórios naqueles pacientes que fizeram jejum encurtado.

Tal encurtamento é para um período de duas horas. Ou seja, é possível e indicado reduzir de 12 para 2 horas o jejum pré operatório e se obter mais sucesso nos desfechos de pós operatório.

Quais são os benefícios?

Os principais benefícios constatados com o encurtamento do jejum pré operatório são:

Há alguma exceção a este jejum encurtado?

De fato, alguns pacientes ainda devem manter jejuns mais prolongados antes de se submeterem a cirurgias. Pacientes que tem um funcionamento gástrico mais reduzido, o que chamamos de gastroparesia, são os que tem tal indicação.

Pacientes diabéticos e aqueles que têm a doença do refluxo gastroesofágico devem ser avaliados com mais critérios antes de terem seu jejum encurtado.

E como deve ser feito este jejum encurtado?

O médico assistente, de preferência o de uma EMTN ( Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional) deve avaliar cada paciente e individualizar seu preparo nutricional.

Em média, permite-se a ingestão de refeições leves até cerca de 6 horas antes da cirurgia. Até 2 horas antes do procedimento, recomenda-se a ingestão de líquidos claros, ou seja, maltodextrina diluída em água. Caso o procedimento atrase, a ingestão desta solução pode ser repetida. Hoje em dia já existem suplementos destinados a esta finalidade.

Resumindo…

Todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia deve ser avaliado quanto a possibilidade do encurtamento do jejum pré operatório. Trabalhos sérios e grandes estudos já evidenciaram a segurança desta prática. O benefício é inquestionável e factível. Deve ser algo recomendado pelo médico que assiste ao paciente, obviamente atentando-se para as indicações, e deve ser exigido pelo paciente.

Converse com seu médico sobre a indicação e a segurança do jejum encurtado. Lembrando que este artigo não substitui nenhuma consulta ou conversa presencial com o profissional capacitado.

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Suplementos Alimentares, pra quê?

Suplementos Alimentares, pra quê?

O que são os suplementos alimentares?

Os suplementos alimentares são substâncias elaboradas industrialmente. Eles têm o objetivo, como o próprio nome diz, de complementar algum nutriente que porventura falte na alimentação de um determinado indivíduo.

Via de regra, os suplementos jamais podem substituir uma alimentação saudável e equilibrada. Mas sim complementá-la e enriquecê-la com algum nutriente fundamental e faltoso nesta dieta.

 

Como os suplementos alimentares podem ser classificados?

Os suplementos alimentares são classificados conforme a sua composição e a sua finalidade.

De acordo com a composição, os suplementos pode ser proteicos, de fibras, de carboidratos, de lipídios, polivitamínicos e probióticos. 

Neste grupo, há os suplementos alimentares ditos completos. Geralmente tem alto valor calórico e são compostos por todos os micro e macronutrientes, por isso são classificados como completos.

Dentre os suplementos alimentares, o mais popularmente conhecido é o whey protein. Este é a proteína do soro do leite, comercializado isolado, ou associado a outros nutrientes.

Seguem abaixo alguns outros exemplos de suplementos distribuídos conforme sua composição..

Suplementos de proteínas:

  • Proteína do soro do leite (whey protein)
  • Caseína
  • Albumina
  • Aminoácidos
  • Proteínas vegetais
  • Proteínas da carne

Suplementos de carboidratos:

  • Maltodextrina

Suplementos de lipídeos:

  • Óleo de coco e de peixe

De acordo com a finalidade , há os suplementos auxiliadores ergogênicos. O objetivo destes suplementos é melhorar a performance de atletas ou praticantes de atividade física durante o exercício.

 

Como usar?

Cada suplemento deve ser utilizado com algum propósito, como por exemplo, auxílio no aumento de massa muscular, fornecimento de energia durante os treinos, complementação dietética em pacientes que tem uma ingestão alimentar reduzida, dentre outros.

Fato é que nenhum deles alimentar emagrece. Aliás, nenhum alimento emagrece. É importantíssimo ter ciência disso. É muito comum, pessoas se utilizarem de algum suplemento com tal finalidade, mas sem se adequar ao propósito dele.

A utilização de algum suplemento baseando-se na máxima “é alimento, logo não faz mal” é um desmazelo com a própria saúde. Se isso fosse verdade, não haveria intoxicação alimentar.

Em resumo, existe um gama vastíssima de suplementos alimentares. Algumas vezes, um mesmo suplemento pode ser utilizado com finalidades diferentes e por tal motivo a individualização nutricional deve ser adotada. Consultar-se com profissionais capacitados, informar-se em boas fontes de pesquisa, e ter bom senso, são sempre as melhores respostas. A saúde é a prioridade!

Reforço que este artigo não substitui uma consulta médica presencial.

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As proteínas podem prejudicar a função renal?

As proteínas podem prejudicar a função renal?

O uso de proteínas, tanto na forma de suplementos, quanto na dieta, sempre foi alvo de dúvidas. A questão principal é a proteína como um nutriente causador ou potencializador de dano à função renal.

A proteína é um macronutriente essencial a sobrevivência humana. Através dela conseguimos manter a massa muscular e também auxiliar na síntese de inúmeros compostos em nosso corpo, como por exemplo os anticorpos, as enzimas, a hemoglobina, dentre outros vários.

 

Mas o que as proteínas tem a ver com a função renal?

De uma maneira bem simples, as proteínas são constituídas por várias pequenas unidades chamadas de aminoácidos. Quando a proteína é digerida pelo sistema digestivo, o que é absorvido são estes aminoácidos.

Estes aminoácidos são utilizados para síntese de novas proteínas em nosso organismo e também para o fornecimento de energia. O que estes aminoácidos fornecem de essencial é o nitrogênio. O que resta deste processo todo são as escórias nitrogenadas, que são a ureia, a creatinina, a amônia e o ácido úrico. Estas escórias são excretadas pelos rins.

 

Quando se é arriscado consumir proteínas deliberadamente?

Bem, o equilíbrio é fundamental. Um exemplo fisiológico que demonstra que o pouco consumo proteína é prejudicial ocorre no envelhecimento. Com o passar dos anos, temos uma tendência a redução de massa muscular. Primeiro o músculo se torna pouco funcionante e depois ele vai reduzindo de tamanho, é a chamada sarcopenia.

Ocorre também que, com o avançar da idade, optamos naturalmente por consumir dietas mais ricas em carboidratos em detrimento das proteínas. Quando ocorrem os distúrbios de deglutição, o nutriente mais consumido é o carboidrato.

Pacientes com alguma disfunção renal, sobretudo os diabéticos devem ter o consumo de proteína controlado. Indivíduos cirróticos também tem o consumo de proteína restrito devido ao risco de piora do sensório, o que chamamos de encefalopatia hepática. A grande questão é que uma restrição excessiva e deliberada, leva a uma piora do estado nutricional e consequentemente a uma descompnesação da doença de base.

Um exemplo típico de que excesso do consumo de proteínas é danoso, é a formação de pedras nos rins (cálculos renais). E este excesso pode ser tanto por proteína da dieta, quanto por proteína suplementada.

 

Como consumir as proteínas?

Quando se fala em nutrição, a regra é o equilíbrio e a individualização. Uma dieta equilibrada deve conter em torno de 20 a 30% de proteínas, o que resultaria em torno de 1,8g de proteína/kg de peso. Tudo isso associado a uma boa hidratação e a prática regular de exercícios físicos.

O histórico pessoal e familiar deve ser investigado, e o uso de outras medicações associadas deve ser analisado. Não somente a função renal deve ser monitorada, lipidograma e dosagem de íons devem ser solicitados também. O objetivo desta cautela não é inibir a suplementação ou as dietas hiperprotéicas. É estimular um cuidado com a saúde e a prevenção de mazelas provenientes do mau uso dos macro e micronutrientes.

Um paciente com disfunção renal pode sim ser suplementado com proteínas, desde que ele não consiga ingerir o que lhe é recomendado. Pacientes que tem alterações nos rins, mas não fazem hemodiálise, tem um consumo recomendado de 0,8g/kg de peso. Os que fazem diálise, podem ter um consumo de cerca de 1,5g/kg de peso, isso porque o a hemodiálise retira o excesso de escórias nitrogenadas da circulação.

Jamais uma alimentação com excesso de algum macronutriente, seja ele qual for, e a suplementação devem ser recomendados sem antes um profissional da nutrição e um médico terem avaliado.

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Intestino Curto: por que falar disso?

Intestino Curto: por que falar disso?

O que é a Síndrome do Intestino Curto?

A síndrome do intestino curto (SIC), ou falência ou mesmo insuficiência intestinal, engloba todos as condições clínicas em que o funcionamento do trato digestivo é inadequado para se manter o bom estado nutricional sem algum suporte por via endovenosa (pelas veias).

Felizmente são situações raras que decorrem de doenças comuns, traumas abdominais e situações de má irrigação sanguínea dos intestinas (isquemias).

Classificação

A sídrome do intestino curto, ou falência intestinal é classificada de acordo com a sua duração.

  • Falência Intestinal Tipo 1: é uma forma aguda e transitória, ocorrida em pós-operatórios de cirurgias abdominais;
  • Falência Intestinal Tipo 2: forma que ocorre em situações de fistulas intestinais com grande drenagem de secreção (alto débito) e nas complexas. Estas fistulas podem ser decorrentes de cirurgias ou da doença de Crohn;
  • Falência Intestinal Tipo 3: este termo é usado para situaçnoes crônicas e definitivas. Geralmente ocorrem após ressecções intestinais extensas. E estas situaçnoes comprometem sobremaneira a absorção de nutrientes.

Pacientes que se submetem a grandes retiradas de alças intestinais tem risco alto de desenvolver a síndrome do intestine curto. Os mais graves são aqueles que remanescem com menos de um metro do intestino delgado com ileostomia (comunicação do intestino com a pele) ou os que ficam com menos de 50cm do intestine grosso em continuidade.

Fatores de Risco

Sim, é uma condição rara, e por que falar disso?

Há algumas situações que predispõem indiretamente ao surgimento desta condição. O tabagismo é uma delas. O cigarro é um grande causador de obstruções vasculares. Dentro os vasos de sangue que podem ser obstruídos estão os dos intestinos. Em suma, órgãos com irrigação de sangue comprometida morrem. Simples assim.

O diabetes também é uma outra situação que pode ocasionar obstruções vasculares e morte de tecidos.

Outros fatores que pioram o prognóstico de pacientes com intestine curto é a ausência do íleo, que é a porção mais final do intestino delgado. A presença deste região permite a secreção de alguns hormônios que estimulam a adaptacão intestinal e a tolerância alimentar. Este fatores tem o nome de Glucagon-like peptides 1 e 2 (GLP-1 e GLP2).

Tratamento

Como a desnutrição é a condição preponderante nestes casos, a terapia nutricional deve ser a primeira medida a ser instituída. A nutrição parenteral é mandatória em todos estes pacientes, pelo menos inicialmente.

Dietas específicas, sobretudo aquelas de rápida absorção, chamadas de oligoméricas, podem ser administradas por meio de sondas posicionadas no intestino. As fibras solúveis podem ser utilizadas por aumentarem o peso do bolo fecal.

Cirurgias de “alongamento” intestinal podem ser feitas somente nos casos em que os pacientes estiverem em situações nutricionais mais estáveis.

Alguns medicamentos podem ser utilizados para se reduzir a secreção intestinal, mas não estimulam a adaptação deste órgão. São eles: antidarreicos, inibidores de bomba protônica ou o octreotídeo.

Até recenteme, uma única substância que foi desenvolvida como capaz de melhorar a adaptacão intestinal é o teduglutide. Este medicamento simula as ações do GLP 1 e 2, como explicado anteriormente neste texto.

gastroenterologia, nutrologia e a cirurgia geral são as especialidades requeridas no acompanhamento de pacientes com esta patologia.

 

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HMB: o que é e quais são as suas aplicações

HMB: o que é e quais são as suas aplicações

O HMB, ou hidroximetil butirato, é um suplemento alimentar que tem adquirido notoriedade não apenas pelo uso por atletas ou indivíduos desejosos por ganho de massa muscular.

A aplicabilidade do HMB na prática clínica tem se consolidado sobretudo com pacientes que têm na preservação da massa muscular a motivação principal de sua recuperação.

Os exemplos mais comuns são:

 

O que é o HMB?

O HMB é um metabólito da degradação da leucina. Este é um aminoácido encontrado em pequenas quantidades na dieta, principalmente no peixe e no leite. O nosso corpo também produz o HMB, numa quantidade de 0,25 a 1g/dia.

E esta produção torna-se insuficiente em situações de estresse metabólico. Exemplos mais comuns são o câncer, em infecções graves, perda de peso importante após cirurgias de redução de estômago.

Em atividades de hipertrofia, o HMB é utilizado para provisão do ganho muscular.

 

Como age o HMB?

Os resultados dos estudos sobre a eficácia do HMB ainda são controversos. O que tem sido verificado de forma mais consistente é que o dano muscular se reduz em indíviduos que consomem regularmente o HMB. Este dano é dosado através da avaliação dos níveis da enzima CK (creatinoquinase). E por tal motivo, em atletas, o HMB seria indicado em treinamentos mais prolongados.

Outros estudos clínicos demonstram que o HMB atua como um inibidor da perda muscular em situações de estresse, sendo por isso indicado em pacientes em situações de catabolismo.

A dose que se recomenda é a de 1,5 a 3g/dia, podendo-se chegar a até 6g ao dia. O HMB já pode ser encontrado adicionado a suplementos hipercalóricos completos (com carboidratos, proteínas, fibras e lipídios, além de polivitamínicos). Pode ser tamb´m encontrado isolado em forma de comprimidos, cápsulas ou pó.

É um suplemento que deve ser utilizado com cautela em pacientes com insuficiência renal ou naqueles que têm hipercalcemia (elevação do cálcio).

Mesmo sendo um suplemento bem tolerado e com baixo índice de efeitos colaterais, ele deve ser orientado por um profissional capacitado em terapia nutricional, seja ele médico ou nutricionista. A avaliação clínica e laboratorial antes do uso de qualquer suplemento é mandatória.

E é sempre importante frisar, este artigo NÃO substitui uma consulta médica presencial.

Jamais utilize de forma indiscriminada qualquer medicamento ou mesmo suplemento, saúde não tem preço!

 

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Alimentação e Inflamação, qual a relação?

Alimentação e Inflamação, qual a relação?

Sim, de fato uma alimentação saudável tem uma ação sobre a inflamação em nosso corpo. E como sabemos que estamos inflamados? Na verdade, há dois tipos de inflamação: a aguda e a crônica. A aguda é aquela decorrente de algum trauma ou infecção e é manifestada como uma vermelhidão na pele ou mesmo dor.

A inflamação crônica é silenciosa, assintomática e por tal motivo é a mais perigosa. De uma forma mais geral, ela pode ser resultante de sobrepeso e obesidade. O estresse também é uma condição que perpetua essa inflamação.

Existem algumas doenças, sobretudo as do colágeno, ou doenças reumáticas, que também ocasionam uma inflamação crônica. São condições que normalmente demonstram necessidade de uso de medicamentos, mas a alimentação pode influenciar enormemente na intensidade de sintomas.

Como suspeitar dessa inflamação?

A inflamação crônica normalmente é assintomática. O jeito mais simples de se suspeitar é constatando-se um percentil de gordura corporal (PGC) aumentada. Este PGC aumentado pode ocasionar sintomas como insônia, depressão e irritabilidade.

A fadiga exagerada para se realizar simples atividades é uma condição que pode estar relacionada a este estado inflamatório crônico.

Não há necessidade crucial em se definir se há uma inflamação ou mesmo em se determinar o seu nível de gravidade, utilizando algum exame de sangue ou de imagem específicos.

A dosagem de colesterol, glicose, ácido úrico e proteínas inflamatórias no sangue tem a função de se avaliar as complicações deste estado inflamatório crônico, que são o diabetes, a hipertensão ou as doenças vasculares.

Exames como a antropometria ou a bioimpedância seriadas são importantes no acompanhamento da perda de peso corporal.

E que hábitos alimentares são os vilões neste estado inflamatório?

Os alimentos processados são grandes causadores desta inflamação. Carboidratos refinados são os mais envolvidos neste processo. O consumo excessivo de carnes e gorduras podem também ser responsáveis.

O tecido adiposo, ou a gordura corporal,  quando em excesso, leva a um aumento na produção de substâncias inflamatórias, chamadas de citocinas. De uma forma simplificada, este é o principal mecanismo da inflamação.

 

Existe alguma dieta antiinflamatória?

O princípio básico de qualquer dieta antiinflamatória, é a redução no consumo deste agentes pró inflamatórios. Não faz nenhum sentido consumir alimentos com características antiiflamatórias, sem modificar o consumo dos agentes causadores da inflamação.

O consumo adequado de água e a prática regular de exercícios físicos são medidas incluídas na dieta antiinflamatória.

Quais alimentos devem ser evitados?

  • Sucos industrializados ou bebidas com adição de açúcar;
  • Carboidratos refinados: pão braco, bolos, massas de farinha refinada;
  • Gorduras hidrogenadas ou trans e certos óleos: margarinas e óleos de milho e soja;
  • Lanches: “snacks”, batatas fritas ou petiscos;
  • Carnes processadas ou embutidos;
  • Excesso de bebidas alcoólicas.

 

Após a adequação alimentar, quais alimentos podem ser adicionados devido ao seu perfil antiinflamatório?

  • Vegetais: aspargos, brócolis, couve, agrião;
  • Oleaginosas: castanhas de caju e do Pará;
  • Azeite de oliva;
  • Frutas vermelhas: morango, mirtilo, framboesa, acerola;
  • Peixes: sardinha e anchovas;
  • Grãos: lentilhas
  • Especiarias: açafrão ou cúrcuma, pimentas, gengibre e canela.

 

O que pode ser melhorado com a dieta antiinflamatória?

O controle de peso é o principal objetivo. Em consequência, os níveis de pressão e de glicose são melhor controlados.

O perfil lipídico e a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) são melhorados.

Doenças como o lúpus e artrites, tem sua atividade controlada em pacientes com uma dieta saudável e com características antiinflamatórias.

Em suma, a dieta antiinflamatória não é mais um modismo. É uma denominação para a alimentação saudável. A inflamação é uma condição que gera sofrimento ao nosso corpo e, por tal motivo, devemos preveni-la e combate-la de imediato.

Um profissional capacitado em terapia nutricional deve ser sempre consultado. Qualquer medida terapêutica deverá ser individualmente orientada para que o alívio dessa inflamação e o tratamento de suas complicações (obesidade, diabetes, hipertensão) sejam efetivamente alcançados

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Retenção Hídrica: quando se torna uma preocupação?

Retenção Hídrica: quando se torna uma preocupação?

 

Tenho retenção hídrica, “estou inchado”,  “acumulo muito líquido no meu corpo”, diz o paciente. A bem da verdade, esta é uma queixa frequente em consultório. É importante saber caracterizar esta condição, a fim de que se destine o devido tratamento.

O termo “retenção hídrica” refere-se ao acúmulo temporário de líquidos no corpo. Este acúmulo ocorre no “terceiro espaço”, ou seja, o compartimento fora dos vasos de sangue. Termos como edema ou inchaço são designados para denominar tal condição.

 

O que fazer com a retenção hídrica?

A partir do momento em que se constata tal condição, o mais importante a ser feito é buscar ajuda médica. O que importa nestes casos é diferenciar se há alguma patologia orgânica grave ou alguma condição reversível.

No que se relaciona a gravidades, patologias renais, sobretudo as insuficiências, devem ser prontamente diagnosticadas. Nada do que uma boa consulta médica e exames de sangue destinados a avaliar a função renal não sejam capazes de solucionar.

Um grande problema, e que é vastamente ignorado, é o uso de alguns medicamentos. O maior vilão nestes casos é o antiinflamatório. Estes medicamentos podem causar uma série de lesões hepáticas ou renais, sobretudo quando utilizados de forma crônica e indiscriminada.

Doenças como diabetes, hipertensão arterial, obesidade devem ser correlacionadas como causadoras de retenção hídrica.

Situações até mais comuns podem desencadear uma retenção hídrica. O consumo excessivo de alimentos ricos em sódio e também em carboidratos simples, podem causar tal sensação.

Acúmulo de líquidos nas pernas, sobretudo ao final do dia e quando se fica muito tempo em pé, pode refletir alguma insuficiência na circulação de sangue. Varizes são causas frequentes disso.

 

 O que pode ser feito?

Como já dito, o diagnóstico é o passo mais importante. A partir do momento em  que a causa é descoberta, o devido tratamento é instituído.

Diabetes, hipertensão ou insuficiência renal, cada qual possui um tratamento específico. Em casos em que os sintomas estão relacionados a ingestão excessiva de sódio e carboidratos simples, o que deve ser feito é a restrição destes alimentos do consumo alimentar diário.

O sódio deve ser minimizado nos alimentos, ou seja, evitar-se adicionar sal em alimentos que já tem um sabor mais marcante e abolir o uso de temperos prontos ou mesmo molhos para salada, são medidas indicadas. A ausência total de sódio na alimentação é uma medida impossível e também deletéria, podendo inclusive piorar o edema.

O carboidrato simples gera a sensação de retenção hídrica pelo simples fato de se levar a um ganho de peso.  O tecido gorduroso é um ecido metabolicamente ativo e tem uma alta capacidade de gerar inflamação. A grosso modo, estta inflamação leva a retenção hídrica.

Este carboidrato também pode causar uma sensação de má digestão e acúmulo de gases, principalmente o do grupo dos FODMAPs (veja artigo que escrevi anteriormente). Estes carboidratos tem uma fermentação excessiva no intestino o que desencadeia os sintomas de gases, distensão abdominal e má digestão.

Aquela sensação que a mulher pode apresentar no período pré menstrual é meio que inevitável, no entanto, pode ser minimizada pela normalização do consumo de sal e melhorando-se a hidratação e o consumo de carboidratos.

Resumindo…

Em resumo, retenção hídrica pode ou não representar alguma condição clínica grave. De toda forma, um médico deve ser consultado para se estabelecer o diagnóstico e tratamento pertinente. Medidas empíricas, tipo uso de diuréticos ou chás são abominadas, pois podem causar problemas muito mais sérios, tais como insuficiência renal aguda e arritmias cardíacas.

Emagrecimento saudável e monitorado, factível acima de tudo auxilia sobremaneira nestes casos. A prudência e a coerência, mais uma vez, nunca serão excessivas em situações como essa.

 

 

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