anorexia

Atividade Física em Processos de Adoecimento

Atividade Física em Processos de Adoecimento

Doença e Massa Muscular

Não é incomum, em qualquer processo de adoecimento, ouvirmos de conhecidos ou mesmo do médico assistente a seguinte frase: “faça repouso absoluto e não se exercite”. A contraindicação ao exercício físico, mesmo em procedimentos pequenos ou doenças com gravidade baixa ainda é uma recomendação bastante disseminada.

O grande problema da imobilidade prolongada desencadeada por alguma doença é a perda progressiva da massa muscular corporal. O adoecimento gera uma série de substâncias inflamatórias em nosso corpo que causam o catabolismo (quebra) muscular. Além disso, estas mesmas substâncias ocasionam a perda do apetite o que agrava ainda mais este problema.

 

A importância da atividade física na doença

Há ainda que restrinja a atividade física na doença pelo temor da perda de peso. No entanto, e isso já foi comprovado por vários estudos científicos, a prática de atividade física, e isso inclui exercícios resistidos e a própria fisioterapia, melhora a resposta aos tratamentos instituídos e acelera o processo de recuperação.

Pacientes internados em UTI tem sua melhora acelerada desde que mobilizados precocemente. Obviamente, este exercício tem que ser associado a uma oferta adequada de proteínas.

Este fato pode ser extrapolado para pacientes fora da UTI.  A atividade física é benéfica em pacientes idosos, pacientes que estão em tratamentos oncológicos e naqueles que estão em pós-operatórios. Tudo isso sempre associado a uma alimentação equilibrada e com oferta adequada de proteínas.

 

Indicações

Todo paciente deve ser mobilizado.

A adequação do exercício deve ser individualizada.

O repouso absoluto é uma prática que deve ser limitada a curtos períodos. Deve ser prescrito somente se a condição clínica do paciente não permita sob nenhuma hipótese. O acompanhamento interdisciplinar incluindo especialista em terapia nutricional, fisioterapeuta e educador físico é recomendado nestes casos.

Em resumo, atividade física e ingestão adequada de proteínas acelera a recuperação de qualquer paciente. Sendo estas práticas bem recomendadas e seguras.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Disfagia

Disfagia

Disfagia é a dificuldade da deglutição. Ela decorre de qualquer distúrbio no transporte de líquidos ou sólidos, ou ambos, da faringe até o esôfago. É uma patologia que deve ser diferenciada da sensação de “bollus” ou “globus” orofaríngeo, condição benigna, que não se correlaciona com qualquer alteração no transporte alimentar.

 

Tipos de Disfagia:

A disfagia, dependendo de onde ocorre, pode ser classificada como orofaríngea ou esofágica.

Disfagia Orofaríngea:

É a dificuldade de condução do alimento da orofaringe até o esôfago. O paciente pode se queixar de dificuldade para iniciar a engolir o alimento, regurgitação nasal, aspiração traqueal e tosse.

Causas:

  • Acidente Vascular Encefálico (AVE ou AVC);
  • Doença de Parkinson;
  • Esclerose Múltipla;
  • Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA);
  • Miastenia gravis;
  • Senilidade e Desnutrição (enfraquecimento da musculatura deglutitória).

Disfagia Esofágica:

Esta consiste na dificuldade da passagem do alimento pelo esôfago. É causada geralmente por algum distúrbio na musculatura do esôfago ou mesmo obstrução mecânica.

Causas:

  • Acalásia (distúrbio muscular no esfíncter inferior do esôfago);
  • Esofagite Eosinofílica (inflamação específica causada por eosinófilos);
  • Estenoses (estreitamentos causados muitas por vezes por refluxo gastroesofágico);
  • Compressões extrínsecas ( causada por tumores ou vasos sanguíneos);
  • Ingestão de substâncias cáusticas.

 

Avaliação

A história clínica de engasgos, tosse durante a alimentação,  mudança da consistência alimentar para facilitar a ingestão, dor no tórax ao deglutir o alimento, são alguns dos sintomas que levam a caracterizar a disfagia.

A disfagia não é uma doença por si só. Geralmente é uma manifestação secundária de alguma doença local ou sistêmica. Por isso é sempre importante investigar a presença de doenças neuromusculares e digestivas.

Endoscopia, raios X contrastado do esôfago,  exames de sangue, avaliação das vias respiratórias altas, são medidas que fazem parte do arsenal diagnóstico, mas que devem ser individualizadas e utilizadas com critério.

 

Estado Nutricional

Avaliação do estado nutricional, acompanhamento e abordagem preventiva e precoce de qualquer deficiência que possa levar a desnutrição são mandatórias em todo paciente com disfagia.

Devido a tal dificuldade de deglutição, o aproveitamento alimentar fica prejudicado. A própria desnutrição leva a uma perda muscular global, inclusive da musculatura da deglutição, fato que agrava a disfagia.

 

Tratamento

O tratamento se inicia a partir do momento em que a dificuldade de deglutição é diagnosticada e varia de acordo com a origem. Em casos de obstrução completa, indica-se internação imediata e intervenção endoscópica de urgência.

A disfagia orofaríngea requer uma abordagem multiprofissional. A fonoaudiologia é indispensável nestes casos, além de auxiliar no diagnóstico, é fundamental no processo de reabilitação.

Em casos de disfagia esofágica, a condução do caso deve ser feita pelo gastroenterologista auxiliado por uma equipe de endoscopia. Jamais deve ser esquecida a biopsia de esôfago nestes casos para se avaliar a possibilidade de esofagite eosinofílica, mesmo com a mucosa esofágica normal.

Nos casos em que a disfagia é progressiva e irreversível, além de uma abordagem multidisciplinar precoce, a participação de uma equipe de terapia nutricional é importante não somente para os cuidados alimentares, mas também para o julgamento da necessidade de sonda para alimentação ou mesmo gastrostomia.

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Transtorno Alimentar

Transtorno Alimentar

Psicologia/Psiquiatria e a Terapia Nutricional

Os portadores de algum transtorno alimentar podem apresentar quadros comumente graves e desafiadores. A anorexia e a bulimia são os mais conhecidos. É primordial a abordagem multiprofissional nestes casos.

A anorexia é caracterizada por um medo intenso de ganho de peso devido a uma distorção da autoimagem. O indivíduo é impulsionado a restrições alimentares voluntárias. Este fato coloca o paciente  numa situação de risco nutricional.

A bulimia define-se por uma grande compulsão em ingerir muita comida. Logo após, tomado por um sentimento de arrependimento ou de medo de engordar, o paciente recorre a meios de eliminar o que foi ingerido. Dentre esses meios, os mais comuns são a indução de vômitos, o consumo de medicamentos laxativos e diuréticos ou a excessiva prática de exercícios físicos.

A ortorexia também é um transtorno alimentar que foi recentemente descrito. Ele se caracteriza por uma obsessão por comer de forma saudável. Indivíduos com este transtorno têm uma preocupação excessiva com a qualidade da alimentação e acabam excluindo certos grupos como: carnes, laticínios, gorduras e carboidratos, sem a substituição nutricional adequada.

Mulheres adolescentes são o grupo mais atingido por estes transtornos. Não há clara comprovação se há alguma influência genética. Padrões de beleza impostos pela mídia e por redes sociais, constantes divulgações de dietas restritivas e promissoras de corpos esculturais, mas sem nenhum asseguramento científico, são fortes fatores causais destes distúrbios.

A Interdisciplinaridade no Transtorno Alimentar

A abordagem multiprofissional e interdisciplinar é imprescindível. A terapia nutricional com o objetivo de se minimizar os danos causados pela desnutrição destes pacientes é um dos pilares do tratamento. A presença de um nutrólogo e um nutricionista, apesar de ser fundamental nestes casos, deve ser natural e serena. Condutas impositivas relativas às orientações nutricionais devem ser repudiadas.

A psicologia e a psiquiatria são especialidades indispensáveis no cuidado com o paciente com transtorno alimentar. Grupos de apoio e a terapia cognitivo comportamental, além da inclusão dos familiares, são ações efetivas para que o paciente se sinta amparado em todos os aspectos. O empoderamento do indivíduo e o foco em saúde são pontos a serem trabalhados.

Finalmente, quando um paciente se recupera de um transtorno alimentar, ele se refere ao “comer” como algo normal e feliz. De fato, ele consegue estabelecer o real valor nutritivo, social e emocional do ato de se alimentar.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos