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Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Muitos pacientes tem uma tendência a querer exagerar no exercício físico com o objetivo de acelerar a perda de peso. Como um raciocínio matemático, acreditamos que quanto mais nos exercitamos, mais peso perdemos.

Existe uma série de fatores a serem considerados quando se trata deste assunto, quase que uma lista de checagem para se avaliar se os objetivos traçados estão sendo alcançados e de fato estão corretos.

 

Alimentação Saudável

É preciso entender que uma alimentação saudável não passa por restrição exagerada de alimentos. O fato de limitar em demasia a a ingestão alimentar ocasiona sim uma perda de peso, no entanto, perde-se gordura e massa muscular. E perder massa muscular nunca é uma boa opção quando o assunto é adequação de peso.

 

Peso e Composição Corporal

Frases meio que desapontadas tipo “a balança é minha inimiga, não perco peso, mas tenho notado que minhas medidas estão reduzindo” são comuns. Na verdade, o peso é somatória de todos os tecidos corporais, ou seja, água, massas gordurosa e muscular e minerais. 

O que ocorre é que o tecido muscular pode aumentar quando a alimentação está adequada e a atividade física executada de forma correta, e isso é um ponto positivo. Por isso a avaliação da composição corporal através de métodos como antropometria ou bioimpedância são indicados.

 

Atividade Física

É sempre interessante combinar exercícios aeróbicos com algum exercício de resistência. Este último tem grande influência no aumento da massa muscular, que funciona como um “freio” no aumento da massa gordurosa.

O músculo aumenta a TMB (Taxa Metabólica Basal) que é basicamente a energia utilizada para manter a vida (respiração, batimentos cardíacos). A alimentação é forma de prover esta energia, assim como o tecido gorduroso, que é um depósito de energia.

 

Repouso

A ausência do repouso, após períodos de atividade física, dificulta a recuperação muscular. É como se o nosso corpo entrasse num estado de estresse contínuo. E nesta situação, substâncias inflamatórias são produzidas. E mais uma vez músculos são perdidos e, de certa forma, “substituídos” por tecido gorduroso.

 

Alertas

Excesso de exercício físico além de induzir a lesões articulares e ósseas, pode levar ao overtraining. Esta é uma condição resultante de se fazer mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar.

Distúrbios de autoimagem, vigorexia (insatisfação constante com o corpo, que afeta principalmente os homens, levando-os à prática exaustiva de exercícios físicos), depressão ou mesmo uso de anabolizantes podem resultar desta prática excessiva de exercícios físicos.

 

Resumindo

Perda de peso implica em perda de massa gordurosa e muscular. A todo custo o músculo deve ser preservado e estimulado. Repouso ou mesmo atividades de relaxamento devem ser estimulados nestes intervalos. Alimentação saudável é um fato, sempre deve ser feita. A suplementação deve ser orientada por profissional capacitado. 

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Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: Mito ou Fato?

Há tempos divulga-se, como um gerador de boa saúde, o ato de se comer de 3 em 3 horas. Grupos de profissionais de saúde ou de não profissionais, com certa frequência, defendem o fato de que ingestões alimentares regulares aceleram o metabolismo. Isso poderia auxiliar na perda de gordura e aumentar a massa muscular.

 

O que é mito?

É sempre bom, quando se discute este assunto, rever o hábito alimentar do homem primitivo. Este, por sua vez, permanecia dias sem se alimentar, indo sempre em busca de seus alimentos. Hoje, a um toque no aplicativo do celular, o alimento é entregue em nosso domicílio. A grande consequência disso é o vertiginoso aumento da população de indivíduos com sobrepeso ou obesidade.

Alimentar-se de 3 em 3 horas, de alimentos ricos em carboidratos processados (refinados ou industrializados) associado ao sedentarismo, ocasiona inegavelmente o aumento de peso. Além disso, este ato não aumenta metabolismo de uma forma geral. O que aumenta a Taxa Metabólica Basal (energia que gastamos simplesmente para nos manter vivos) é algo que tem relação com a nossa massa muscular. Massa muscular, por sua vez tem relação com ingestão adequada de proteínas e atividade física.

Em condições de saúde e atividade, períodos prolongados de jejum não alteram o nosso metabolismo e não acentuam a perda muscular, desde que associado a equilibrada ingestão proteico calórica.

Isso já não se aplica a condições de doença em que há um consumo acelerado de nutrientes, o chamado hipercatabolismo. Já discutimos em textos anteriores que jejuns prolongados pioram a resposta ao tratamento de qualquer doença por deteriorarem o estado nutricional do indivíduo.

 

De fato, o que é fato?

O fato é que generalizações nunca funcionam. A individualização terapêutica deve ser instituída a todo e qualquer indivíduo. A alimentação pode até ser de 3 em 3 horas, desde que o este indivíduo consuma esta energia adquirida e que este alimento consumido seja de qualidade.

Não é factível “obrigar” uma pessoa a comer sem ter vontade e sem ter um fator de gasto energético associados (relaciono isso a atividade física). Adequar a oferta alimentar a necessidade e a disponibilidade do paciente, promovem um engajamento do mesmo com a sua saúde.

Três ou quatro refeições diárias, associadas a períodos mais prolongados de jejum não é algo que seja execrável.

Situações específicas podem impor alguma regularidade de horário nas refeições. Um exemplo disto é o paciente diabético usuário de insulina. Ou pacientes que estão em processo de perda ponderal expressiva geralmente após cirurgias de redução do estômago.

 

Conclusão

Alimentar-se deve ser fruto de uma necessidade aplicada a funcionalidade de cada ser humano. Não é uma obrigação baseada em suposições ou mitos.  O que serve para um, pode não servir a outro. E por este motivo a generalização não é aplicável. A orientação de um profissional capacitado em terapia nutricional ou gastroenterologista é sempre indicada em situações de dúvida ou doença. Válido sempre dizer, este artigo não substitui uma consulta presencial.

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Encurtamento do Jejum Pré-Operatório

Por muito tempo praticou-se o jejum prolongado como preparo para cirurgias. Muitos serviços ainda praticam o este jejum prolongado, mas felizmente aos poucos esta prática tem mudado.

Jejum pra quê?

Historicamente o jejum pré operatório era indicado com a finalidade de se evitar a aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões após a indução anestésica. A alegação principal era a de que os medicamentos utilizados na anestesia lentificavam o esvaziamento do estômago.

Mudança de paradigmas

Novos estudos controlados e de grande confiabilidade demonstraram que não há prejuízos clínicos para os pacientes que se submetem ao jejum pré operatório mais curto. Na verdade, verificou-se melhores respostas cirúrgicas em pós operatórios naqueles pacientes que fizeram jejum encurtado.

Tal encurtamento é para um período de duas horas. Ou seja, é possível e indicado reduzir de 12 para 2 horas o jejum pré operatório e se obter mais sucesso nos desfechos de pós operatório.

Quais são os benefícios?

Os principais benefícios constatados com o encurtamento do jejum pré operatório são:

Há alguma exceção a este jejum encurtado?

De fato, alguns pacientes ainda devem manter jejuns mais prolongados antes de se submeterem a cirurgias. Pacientes que tem um funcionamento gástrico mais reduzido, o que chamamos de gastroparesia, são os que tem tal indicação.

Pacientes diabéticos e aqueles que têm a doença do refluxo gastroesofágico devem ser avaliados com mais critérios antes de terem seu jejum encurtado.

E como deve ser feito este jejum encurtado?

O médico assistente, de preferência o de uma EMTN ( Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional) deve avaliar cada paciente e individualizar seu preparo nutricional.

Em média, permite-se a ingestão de refeições leves até cerca de 6 horas antes da cirurgia. Até 2 horas antes do procedimento, recomenda-se a ingestão de líquidos claros, ou seja, maltodextrina diluída em água. Caso o procedimento atrase, a ingestão desta solução pode ser repetida. Hoje em dia já existem suplementos destinados a esta finalidade.

Resumindo…

Todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia deve ser avaliado quanto a possibilidade do encurtamento do jejum pré operatório. Trabalhos sérios e grandes estudos já evidenciaram a segurança desta prática. O benefício é inquestionável e factível. Deve ser algo recomendado pelo médico que assiste ao paciente, obviamente atentando-se para as indicações, e deve ser exigido pelo paciente.

Converse com seu médico sobre a indicação e a segurança do jejum encurtado. Lembrando que este artigo não substitui nenhuma consulta ou conversa presencial com o profissional capacitado.

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Retenção Hídrica: quando se torna uma preocupação?

Retenção Hídrica: quando se torna uma preocupação?

 

Tenho retenção hídrica, “estou inchado”,  “acumulo muito líquido no meu corpo”, diz o paciente. A bem da verdade, esta é uma queixa frequente em consultório. É importante saber caracterizar esta condição, a fim de que se destine o devido tratamento.

O termo “retenção hídrica” refere-se ao acúmulo temporário de líquidos no corpo. Este acúmulo ocorre no “terceiro espaço”, ou seja, o compartimento fora dos vasos de sangue. Termos como edema ou inchaço são designados para denominar tal condição.

 

O que fazer com a retenção hídrica?

A partir do momento em que se constata tal condição, o mais importante a ser feito é buscar ajuda médica. O que importa nestes casos é diferenciar se há alguma patologia orgânica grave ou alguma condição reversível.

No que se relaciona a gravidades, patologias renais, sobretudo as insuficiências, devem ser prontamente diagnosticadas. Nada do que uma boa consulta médica e exames de sangue destinados a avaliar a função renal não sejam capazes de solucionar.

Um grande problema, e que é vastamente ignorado, é o uso de alguns medicamentos. O maior vilão nestes casos é o antiinflamatório. Estes medicamentos podem causar uma série de lesões hepáticas ou renais, sobretudo quando utilizados de forma crônica e indiscriminada.

Doenças como diabetes, hipertensão arterial, obesidade devem ser correlacionadas como causadoras de retenção hídrica.

Situações até mais comuns podem desencadear uma retenção hídrica. O consumo excessivo de alimentos ricos em sódio e também em carboidratos simples, podem causar tal sensação.

Acúmulo de líquidos nas pernas, sobretudo ao final do dia e quando se fica muito tempo em pé, pode refletir alguma insuficiência na circulação de sangue. Varizes são causas frequentes disso.

 

 O que pode ser feito?

Como já dito, o diagnóstico é o passo mais importante. A partir do momento em  que a causa é descoberta, o devido tratamento é instituído.

Diabetes, hipertensão ou insuficiência renal, cada qual possui um tratamento específico. Em casos em que os sintomas estão relacionados a ingestão excessiva de sódio e carboidratos simples, o que deve ser feito é a restrição destes alimentos do consumo alimentar diário.

O sódio deve ser minimizado nos alimentos, ou seja, evitar-se adicionar sal em alimentos que já tem um sabor mais marcante e abolir o uso de temperos prontos ou mesmo molhos para salada, são medidas indicadas. A ausência total de sódio na alimentação é uma medida impossível e também deletéria, podendo inclusive piorar o edema.

O carboidrato simples gera a sensação de retenção hídrica pelo simples fato de se levar a um ganho de peso.  O tecido gorduroso é um ecido metabolicamente ativo e tem uma alta capacidade de gerar inflamação. A grosso modo, estta inflamação leva a retenção hídrica.

Este carboidrato também pode causar uma sensação de má digestão e acúmulo de gases, principalmente o do grupo dos FODMAPs (veja artigo que escrevi anteriormente). Estes carboidratos tem uma fermentação excessiva no intestino o que desencadeia os sintomas de gases, distensão abdominal e má digestão.

Aquela sensação que a mulher pode apresentar no período pré menstrual é meio que inevitável, no entanto, pode ser minimizada pela normalização do consumo de sal e melhorando-se a hidratação e o consumo de carboidratos.

Resumindo…

Em resumo, retenção hídrica pode ou não representar alguma condição clínica grave. De toda forma, um médico deve ser consultado para se estabelecer o diagnóstico e tratamento pertinente. Medidas empíricas, tipo uso de diuréticos ou chás são abominadas, pois podem causar problemas muito mais sérios, tais como insuficiência renal aguda e arritmias cardíacas.

Emagrecimento saudável e monitorado, factível acima de tudo auxilia sobremaneira nestes casos. A prudência e a coerência, mais uma vez, nunca serão excessivas em situações como essa.

 

 

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Dieta e Fim de Ano

Dieta e Fim de Ano

E a dieta, como fica?

Despedimo-nos de um ano e recebemos um novo e a dieta, como fica? É praticamente uma rotina anual o exagero alimentar. É excessivo o consumo de alimentos gordurosos, ricos em carboidratos simples e sódio. É uma época em que a dieta saudável fica de lado e os exercícios também. Sentimo-nos inchados (literalmente mais pesados), com sintomas de má digestão e um mal funcionamento intestinal (tanto constipação quanto diarreia).

Não é o objetivo aqui pregar que devemos evitar estes excessos na época das festas de fim de ano. É época de reunir pessoas e confraternizar, e comida une pessoas. Vamos celebrar.

 

O que ocorre com nossos órgãos?

O fígado fica inflamado devido ao consumo excessivo de alimentos processados e gordurosos, além dos exageros com o álcool.

Pelo mesmo motivo, o intestino fica mais lento.  Acumulamos mais gases devido a ingestão excessiva de carboidratos simples.

Nesta época temos também uma maior tendência a perda de massa muscular, tanto pelo sedentarismo, quanto pelo consumo excessivo de álcool.

 

Foco em soluções. Como podemos melhorar?

Cessar o consumo excessivo destes alimentos é o primeiro passo. Deixemos o excesso restrito às festas.

Hidratação é mandatória. A água literalmente purifica. Somente evite consumi-la junto às refeições, deixe para 40 minutos antes ou após. Ingerir água junto com o almoço ou o jantar pode lentificar o processo digestivo.

Recupere a rotina regular de exercícios físicos o quanto antes.

Alguns alimentos tem propriedades que aceleram a recuperação do trato digestivo e a do nosso corpo como um todo, são eles:

  • Água: hidratação, com já dito, é fundamental para um bom funcionamento global do nosso corpo;
  • Abacate: alimento com boas gorduras e fibras. Além disso possui potentes antioxidantes que auxiliam no alívio da inflamação instalada sobre o fígado;
  • Azeite de Oliva: fonte de ômega nove, uma das boas gorduras, que tem ação importante ação antiinflamatória;
  • Folhas verdes: fontes de fibras e de potentes antioxidantes, que melhoram o funcionamento intestinal;
  • Frutas vermelhas: possuem potentes antiinflamatórios que atuam sobre o fígado;
  • Beterraba e cenoura: alimentos ricos em betacaroteno, substância que é convertida em vitamina A (retinol), ou então agir como um antioxidante;
  • Brócolis: possui substâncias que facilitam a eliminação de toxinas pelo fígado, além de ser uma boa fonte de fibras;
  • Limão: rica fonte de antioxidantes, além de facilitar o processo digestivo como um todo;
  • Gengibre: preparado sob a forma de chás ou ingerido puro, esta raiz melhora a digestão dos alimentos.

É importante associar ao consumo destes alimentos, uma dieta saudável e equilibrada. Boas fontes de proteínas, gorduras e carboidratos complexos continua sendo as melhores escolhas.

Uma avaliação gastroenterológica e nutricional no caso de sintomas persistentes devem ser sempre considerados.  Vamos celebrar e manter o cuidado com a saúde sempre.

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Gastrite Atrófica

Gastrite Atrófica

O que é a Gastrite Atrófica?

A gastrite atrófica é uma alteração num grupo de células do estômago, chamadas de células parietais. As funções primordiais destas células são a produção do ácido gástrico e a secreção do Fator Intrínseco, substância responsável pela absorção da vitamina B12.

 

Causas

A gastrite atrófica pode  ser causada por uma doença autoimune que ataca as células parietais, causando uma baixa produção do ácido gástrico e do fator intrínseco. Nestes casos, ela é uma doença hereditária autossômica dominante e um marcador desta condição é o anticorpo contra as células parietais, que se encontra em níveis elevados.

A gastrite atrófica também pode ocorrer em pessoas com infecção crônica causada pela bactéria H. pylori., embora ainda esta associação não esteja muito clara.

 

Condições Associadas

A gastrite atrófica se associa com a tireoidite de Hashimoto e 50% têm anticorpos contra a tireoide.

A falta de fator intrínseco causa deficiência de vitamina B12, resultando em anemia megaloblástica ou perniciosa.

A baixa produção de ácido causa também um aumento da gastrina (substância que estimula o crescimento das células parietais). Níveis aumentados de gastrina podem estimular o crescimento do tumor carcinoide.

Estes pacientes podem cursar com metaplasia, que é uma alteração reversível nas células parietais que passam, por sua vez, a ter características de outras células. Estes pacientes podem ter 3 vezes mais chances de desenvolverem o adenocarcinoma gástrico.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por biópsias endoscópicas. Os níveis de vitaminas B12 devem ser sempre dosados.

Exames endoscópicos repetidos com uma periodicidade pré determinada não são necessários. Os sintomas podem gerar demanda de novos exames ou então anormalidades suspeitas chamadas de displasias, lesões estas mais propícias a evolução para o câncer.

 

Tratamento

A reposição de vitamina B12 é sempre indicada. O uso de inibidores de bomba protônica (IBP) não deve ser indicado de rotina devido a baixa produção de ácido gástrico que é induzida por estes medicamentos e por conseguinte uma deficiência de vitamina B12.

O tratamento do H.pylori, quando presente, deve ser sempre considerado. A infecção crônica poder causar a gastrite atrófica e o risco de câncer gástrico está aumentado nestes pacientes, sobretudo naqueles com metaplasia.

Orientações alimentares são importantes, sobretudo no sentido de se evitar alimentos ricos em sal. Reduzir o consumo de alimentos industrializados e excessivamente processados pode auxiliar o processo digestivo e assim amenizar sintomas.

O acompanhamento gastroenterológico é indicado sempre. Reavaliações e exames laboratoriais e endoscópicos são indicados conforme a necessidade de cada paciente.

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Constipação Intestinal

Constipação Intestinal

O que é constipação intestinal?

A constipação intestinal é a ausência de evacuações por mais de 3 dias. As principais causas são a baixa ingestão de fibras vegetais e de água, sedentarismo e o excesso de carboidratos simples (açúcares) na dieta.

 

Constipação Intestinal e Obesidade

A obesidade pode causar constipação pelo alto teor de carboidratos simples presentes na alimentação destes pacientes. Dietas ricas em carboidratos simples geram um desequilíbrio na microbiota intestinal. Outras causas de constipação são o diabetes, hipotiroidismo, distúrbios neurológicos específicos ou lesões de medula espinhal.

 

Causas

Indivíduos que tem um controle evacuatório muito rígido são fortes candidatos a desenvolverem uma constipação intestinal crônica. Idosos são mais constipados devido a maior imobilidade, e a presence de doenças associadas, como o diabetes.

Vários medicamentos podem ocasionar constipação intestinal pelo bloqueio dos mecanismos que promovem as contrações intestinais regulares, o peristaltismo. São exemplos comuns:

  • beta-bloqueadores (propranolol);
  • anticonvulsivantes;
  • antidepressivos;
  • analgésicos (opióides e escopolamina);
  • diuréticos;
  • antialérgicos (antihistamínicos);
  • corticóide;
  • antidiarreicos (loperamida).

 

Tratamento

Um dos tratamentos para a constipação é uso de laxativos. Os laxativos podem ser classificados de acordo com a sua forma de ação.

Cada composto acima tem uma indicação específica e seu uso deve ser individualizado e temporário. Alguns agentes, como os hiperosmóticos, promovem uma perda excessiva de água pelo intestino e consequentemente podem causar uma desidratação e disfunção renal. Por tal motivo, devem ter um uso monitorado e limitado. O uso abusivo é contraindicado.

Os agentes de volume, ou fibras alimentares, podem melhorar de uma forma mais efetiva e duradoura o funcionamento intestinal. Estes agentes podem ser utilizados de uma forma prolongada e até mesmo rotineira. A grande vantagem destes agentes é que, além de promoverem bons hábitos intestinais, eles previnem o surgimento do câncer colorretal e podem melhorar o controle glicêmico e lipídico.

 

Orientações Alimentares e Atividade Física

Em resumo, para um bom funcionamento intestinal, é fundamental a correção dos hábitos alimentares, melhora na hidratação, atividade física regular e uso regular de fibras alimentares.

Medicamentos laxativos e outras substâncias devem ser utilizados caso haja falha das medidas dietético-comportamentais. Este uso deve ser limitado e monitorado pelo médico responsável pela prescrição desta substância. A atenção a complicações deve se adequar a característica dos agentes prescritos, devendo ser maior nos agentes hiporosmóticos. A avaliacão médica é indispensável, não só para o tratamento da constipação, mas também para prevenção de complicações. 

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Gastrite: alguns esclarecimentos

Gastrite: alguns esclarecimentos

A gastrite é a inflamação da parede do estômago. Referir-se aos sintomas de má digestão, dor no estômago, azia ou queimação como gastrite não é de todo correto. O termo mais adequado a se utilizar é dispepsia. No entanto, como já é de hábito utilizar tal terminologia, podemos seguir dessa forma.

 

Classificação da Gastrite

As gastrites se subdividem em dois grandes grupos:

gastrite erosiva é mais grave e consiste na inflamação e corrosão do revestimento gástrico.

gastrite não erosiva é caracterizada por alterações no revestimento gástrico que variam de desgaste (atrofia) até a transformação do tecido gástrico em outro tipo de tecido intestinal (metaplasia).

Causas

Há inúmeras causas para a gastrite, a mais comum é a má alimentação crônica. Dietas ricas em sódio e carboidratos simples são grandes causadores.

A primeira víscera que está quase que diretamente ligada ao ambiente externo é o nosso estômago. Ou seja, situações de estresse, ingestão de alimentos de má qualidade nutricional geram sintomas desconfortáveis gástricos.

Ela não ocorre por aumento da acidez gástrica. Na verdade o ácido gástrico tem funções importantes em nosso organismo. Ele digere o alimento presente no estômago, inativa germes nocivos ao intestino e atua sobre o equilíbrio da microbiota intestinal. As gastrites ocorrem principalmente devido a uma lesão na barreira de muco que protege a mucosa gástrica.

Outras causas correlacionadas a gastrite são:

  • Medicamentos: AAS ou antiinflamatórios
  • Infecções:H.pylori
  • Doenças Inflamatórias: D. de Crohn e radiações

 

Complicações

A gastrite é um doença benigna que tende a se resolver após o tratamento das patologias de base, correção da alimentação e o uso temporário de medicamentos antiácidos ou redutores de acidez.

Quando não tratada de forma adequada, pode evoluir para úlceras. Com o advento dos inibidores de bomba de prótons (IBP) é rara a perfuração destas úlceras.

Certos tipos de gastrite, sobretudo as denominadas atróficas, cursam com anemia. O estômago, além do ácido, secreta uma substância chamada “Fator Intrínseco” que auxilia na absorção de vitamina B12 no intestino delgado.

Uma pequena porcentagem das pessoas com gastrite atrófica desenvolve metaplasia. Em uma porcentagem ainda menor de pessoas, a metaplasia pode conduzir ao desenvolvimento de câncer de estômago. Nestes casos, acompanhamento gastroenterológico e endoscópico periódico é fundamental.

 

Tratamento

O paciente com gastrite é tratado com uma dieta saudável. Evitar alimentos ricos em sódio é o principal. Reduzir consumo de carboidratos simples, gorduras saturadas e aumentar o consumo de fibras também são medidas a serem adotadas.

O uso de medicação antiácida ou redutores da secreção de ácido gástrico pode ser instituído como medida terapêutica. Lembrando que este paciente deve ser muito bem orientado sobre o tempo limitado de uso destes medicamentos. Caso haja a necessidade de prolongamento deste uso, reavaliações clínicas periódicas devem ser feitas.

A regra de ouro na tratamento é deixar claro que gastrite se trata com uma alimentação saudável, associada ou não ao uso de medicamentos. O uso prolongado destes medicamentos não é recomendado. Consulte sempre um gastroenterologista para uma clara orientação de tratamento e acompanhamento.

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Adoçantes: o que é mito e o que é verdade?

Adoçantes: o que é mito e o que é verdade?

Os substitutos do açúcar, mais conhecidos como adoçantes, tornaram-se muito populares e são opções dietéticas auxiliares no controle de doenças como diabetes e obesidade. Há muitos mitos acerca destes produtos, grande parte das vezes disseminados com objetivo difamatório.

Os adoçantes subdividem-se em dois grandes grupos. O primeiro, os não nutritivos, são os edulcorantes, caracterizados por dulçor intenso, utilizados em pequenas quantidades. Em segundo, os nutritivos, que podem substituir o açúcar em dulçor e conferir algum valor calórico ao alimento.

 

Tabela de Adoçantes aprovados no Brasil

Adoçantes Não Nutritivos Kcal/g Adoçantes de Corpo Nutritivos Kcal/g
Acessulfame-K 0 Sorbitol 2,6
Aspartame 4* Manitol 1,6
Taumatina 4* Xilitol 2,4
Neotame 0 Eritritol 0,2
Ciclamato 0 Isomaltitol 2,0
Sacarina 0 Lactitol 2,0
Esteviosídeo 0 Maltitol 2,1
Sucralose 0

* Contribuição calórica desprezível pela pequena quantidade usada em alimentos e bebidas

 

Adoçantes Intensos (Não nutritivos)

Sacarina

É o mais antigo dos edulcorantes, sendo um produto sintético cujo dulçor é 200 a 700 vezes maior ao do açúcar.  Por algum tempo, a sacarina foi considerada como agente causador de câncer de bexiga em estudos experimentais com ratos. No entanto, avaliações mais recentes mostraram que isto se deve a uma interação do produto com fatores inerentes ao próprio animal. Após estas análises, seu uso foi liberado para consumo humano.

Ciclamato

Outro adoçante sintético que tem dulçor de 30 a 50 vezes maior que o da sacarose. Estudos demonstram que o ciclamato não é cancerígeno por si só. O ciclamato não é metabolizado pela maioria das pessoas, no entanto, quem o metaboliza gera produtos extremamente tóxicos. Alguns países liberaram o consumo do ciclamato. Já outros não permitem o seu consumo isolado, e nem como aditivo de alimentos ou formulações com adoçantes. Geralmente ele é associado a sacarina, para se mascarar o seu sabor residual metálico.

Aspartame

É um adoçante sintético metabolizado em ácido aspártico e fenilalanina.  Por isso seu consumo é contraindicado em indivíduos com fenilcetonúria, doença genética caracterizada pela incapacidade de metabolização da fenilalanina. Nenhum estudo comprovou sua associação com câncer. No entanto, recomenda-se que não seja aquecido longamente, devido a geração de composto instáveis.

Acessulfame-K

Adoçante sintético que não é metabolizado pelo organismo humano. Seu dulçor supera em 200 vezes o do açúcar. Pode ser aquecido a temperaturas de até 200 graus. Nenhum estudo até hoje verificou a associação de seu uso com o surgimento de câncer.

Sucralose

É uma molécula que tem cloro na sua composição e por tal motivo veiculou-se que teria efeitos nocivos, assemelhando-se ao de pesticidas. No entanto, outras moléculas tem cloro em sua composição e nunca tiveram nenhuma correlação com efeitos tóxicos de pesticidas. Um exemplo comum é o próprio sal de cozinha. A sucralose, portanto, tem consumo liberado, variando seu dulçor entre 400 a 800 vezes em comparação com o da sacarose.

Taumatina

A taumatina é um edulcorante retirado de plantas do oeste africano. Ela não é tóxica, podendo ser consumida com segurança. O grande problema deste adoçante é a limitação em obtê-lo de suas fontes naturais.

Neotame

O neotame é um edulcorante formado por aminoácidos presentes no aspartame. Chegou-se a veicular que o neotame teria algum efeito tóxico sobre o sistema nervoso central, no entanto, tal afirmação em momento algum foi confirmada em algum estudo. Concluiu-se tratar de uma inverdade difamatória sobre o produto.

Glicosídeos do esteviol

Folhas de um planta chamada Stevia rebaudiana bortoni deu origem a este adoçante. Inúmeros estudos comprovam a segurança deste produto. Seu dulçor chega a 300 vezes o do açúcar.

 

 

Adoçantes Nutritivos (Poliois ou Agentes de Corpo)

Essa classe especial de substitutos do açúcar, são carboidratos curtos e que possuem baixo índice glicêmico. Por tal motivo são recomedados para controle de peso e de glicemias.

Muitos destes produtos são extraídos de frutas, como por exemplo o eritritol e xilitol. O lactitol é produzido através de reações enzimáticas sobre a lactose.  O manitol e o sorbitol podem ser encontrados na cebola, aipo, beterraba, azeitonas, figo, cogumelos e algas.

 

Afinal, adoçantes são seguros?

Um grande estudo que foi recentemente publicado conclui que não há evidências para se afirmar que os adoçantes estão relacionados ao risco de se ter algum tipo de câncer.

A vantagem dos adoçantes é que eles tornam, no mínimo, factível a realização de uma dieta para indivíduos que precisam perder peso. O melhor, na verdade, é se utilizar do sabor do próprio alimento, não se adicionando açúcar ou adoçantes, já que estes mascaram o seu real sabor.

É sempre bom ressaltar a importância da avaliação de um profissional em terapia nutricional. O embasamento em ciência e a promoção de uma nutrição coerente, individualizada e prazerosa são os objetivos primordiais.

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Esofagite Eosinofílica: o que é e como diagnosticar

Esofagite Eosinofílica: o que é e como diagnosticar

A esofagite eosinofílica é uma doença que, apesar de ainda pouco discutida, tem sido cada vez mais reconhecida. Pode surgir em qualquer idade, sobretudo em crianças e adultos jovens, sendo mais comum em homens.

É caracterizada por uma inflamação na mucosa do esôfago causada por uma célula chamada eosinófilo, por isso a denominação “esofagite eosinofílica”. Ainda tem uma causa incerta, mas a hipótese de alergia alimentar continua sendo a mais aceita.

Quando suspeitar da esofagite eosinofílica?

É uma patologia de difícil diagnóstico pois os seus sintomas se confundem com os da doença do refluxo gastroesofágico. A principal forma se suspeitar é quando o paciente passa a se queixar de forma recorrente de uma sensação de impactação alimentar no esôfago. Como se ele estivesse obstruído ou mais popularmente “entalado”.

É muito comum sua a associação com asma, dermatites, rinites e eczema, pois todas estas são doenças alérgicas.

 

Diagnóstico

Um fato comumente observado na esofagite eosinofílica, e que também leva a suspeição desta doença, é a falta de resposta quando se adota medidas antirrefluxo. Pacientes que seguem as orientações dietéticas e fazem uso da medicação supressora da acidez gástrica e não obtém resposta clínica, são fortes candidatos a portar a esofagite eosinofílica.

Na esofagite eosinofílica é obrigatória a realização de uma endoscopia digestiva alta com biopsia de esôfago. Nesta biopsia são encontrados os eosinófilos, além de alterações inflamatórias ocasionadas pelos mesmos.

Testes de alergias alimentares são recomendados quando para se definirem possíveis gatilhos alimentares. Alternativas incluem os testes epidérmicos, o exame radioalergoadsorvente (RAST) ou a eliminação dietética.

 

Eliminação Dietética na Esofagite Eosinofílica

Alguns alimentos suspeitos ou chamados de “gatilhos” devem ser eliminados em grupos ou isoladamente como parte do tratamento da esofagite eosinofílica. Os mais comumente envolvidos na esofagite eosinofílica são as castanhas, o amendoim, leite, ovos, soja, trigo ou crustáceos.

Via de regra, há quatro tipos de dietas restritivas em casos de alergias alimentares.

  • Dieta 1: sem carne vermelha, suína, aves, leite, centeio ou milho
  • Dieta 2: sem carne vermelha, cordeiro, leite ou arroz
  • Dieta 3: Sem carne de cordeira, aves, centeio, arroz, cereais, milho ou leite
  • Dieta 4: Uso de fórmulas elementares a base de aminoácidos, indicadas para casos mais graves.

 

Tratamento

Mudanças dietéticas são fundamentais e devem ser indicadas em todos os casos de pacientes com esofagite eosinofílica.  Sabe-se que o refluxo gastroesofágico pode desencadear os sintomas, por tal motivo deve-se orientar uma dieta antirrefluxo e medicação supressora de acidez gástrica.

O uso de corticoide tópico é indicado em casos de pacientes sintomáticos, principalmente com impactação alimentar. O tempo de administração da medicação é longo e deve ser determinado conforme a resposta clínica.

Pacientes que têm estenose (estreitamento) esofágica podem precisar de dilatação utilizando balão esofágico. Nestes pacientes a manifestação mais comum é a disfagia baixa, ou seja, sensação de que o alimento pára no esôfago.

A questão principal na esofagite eosinofílica é o seu diagnóstico precoce. O tratamento o quanto antes instituído previne complicações e diminui a morbidade desta patologia. Este artigo não tem a função de substituir a presença de um profissional. Nunca é demais lembrar que, em caso de suspeita de esofagite eosinofílica,  deve-se procurar de imediato o acompanhamento de um gastroenterologista.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos