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Intestino Curto: por que falar disso?

Intestino Curto: por que falar disso?

O que é a Síndrome do Intestino Curto?

A síndrome do intestino curto (SIC), ou falência ou mesmo insuficiência intestinal, engloba todos as condições clínicas em que o funcionamento do trato digestivo é inadequado para se manter o bom estado nutricional sem algum suporte por via endovenosa (pelas veias).

Felizmente são situações raras que decorrem de doenças comuns, traumas abdominais e situações de má irrigação sanguínea dos intestinas (isquemias).

Classificação

A sídrome do intestino curto, ou falência intestinal é classificada de acordo com a sua duração.

  • Falência Intestinal Tipo 1: é uma forma aguda e transitória, ocorrida em pós-operatórios de cirurgias abdominais;
  • Falência Intestinal Tipo 2: forma que ocorre em situações de fistulas intestinais com grande drenagem de secreção (alto débito) e nas complexas. Estas fistulas podem ser decorrentes de cirurgias ou da doença de Crohn;
  • Falência Intestinal Tipo 3: este termo é usado para situaçnoes crônicas e definitivas. Geralmente ocorrem após ressecções intestinais extensas. E estas situaçnoes comprometem sobremaneira a absorção de nutrientes.

Pacientes que se submetem a grandes retiradas de alças intestinais tem risco alto de desenvolver a síndrome do intestine curto. Os mais graves são aqueles que remanescem com menos de um metro do intestino delgado com ileostomia (comunicação do intestino com a pele) ou os que ficam com menos de 50cm do intestine grosso em continuidade.

Fatores de Risco

Sim, é uma condição rara, e por que falar disso?

Há algumas situações que predispõem indiretamente ao surgimento desta condição. O tabagismo é uma delas. O cigarro é um grande causador de obstruções vasculares. Dentro os vasos de sangue que podem ser obstruídos estão os dos intestinos. Em suma, órgãos com irrigação de sangue comprometida morrem. Simples assim.

O diabetes também é uma outra situação que pode ocasionar obstruções vasculares e morte de tecidos.

Outros fatores que pioram o prognóstico de pacientes com intestine curto é a ausência do íleo, que é a porção mais final do intestino delgado. A presença deste região permite a secreção de alguns hormônios que estimulam a adaptacão intestinal e a tolerância alimentar. Este fatores tem o nome de Glucagon-like peptides 1 e 2 (GLP-1 e GLP2).

Tratamento

Como a desnutrição é a condição preponderante nestes casos, a terapia nutricional deve ser a primeira medida a ser instituída. A nutrição parenteral é mandatória em todos estes pacientes, pelo menos inicialmente.

Dietas específicas, sobretudo aquelas de rápida absorção, chamadas de oligoméricas, podem ser administradas por meio de sondas posicionadas no intestino. As fibras solúveis podem ser utilizadas por aumentarem o peso do bolo fecal.

Cirurgias de “alongamento” intestinal podem ser feitas somente nos casos em que os pacientes estiverem em situações nutricionais mais estáveis.

Alguns medicamentos podem ser utilizados para se reduzir a secreção intestinal, mas não estimulam a adaptação deste órgão. São eles: antidarreicos, inibidores de bomba protônica ou o octreotídeo.

Até recenteme, uma única substância que foi desenvolvida como capaz de melhorar a adaptacão intestinal é o teduglutide. Este medicamento simula as ações do GLP 1 e 2, como explicado anteriormente neste texto.

gastroenterologia, nutrologia e a cirurgia geral são as especialidades requeridas no acompanhamento de pacientes com esta patologia.

 

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Simbióticos, o que são?

Simbióticos, o que são?

Definições e Indicações de Uso dos Simbióticos

Simbióticos são suplementos alimentares cuja ingestão tem o objetivo de melhorar a flora intestinal. São bastante utilizados em pacientes com diarreia ou constipação intestinal.

Algumas formulações são indicadas para tratamento de sobrepeso e obesidade. Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) tem também indicações de uso.

Os simbióticos podem ser usados em doenças inflamatórias intestinais, como na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa. No entanto, há necessidade de maior aclaramento científico sobre a eficácia de seu uso.

 

Do que são feitos os simbióticos?

Simbióticos são um produtos nos quais se combinam prebióticos e probióticos. Geralmente são encontrados em formulações de cápsulas ou em pó. Existe simbiótico natural também e um excelente exemplo é o leite materno, indispensável a alimentação humana nos primeiros meses de vida.

Os probióticos são microrganismos vivos que conferem benefícios à saúde de quem os ingere. Exemplos disso são a redução do risco de infecções intestinais, sobretudo em pacientes usuários crônicos de antibióticos. São utilizados em pacientes com diarreia com duração mais prolongada também. Alguns alimentos contém probióticos, como leites fermentados, iogurtes e queijos.

Já os prebióticos são as fibras alimentares, ou seja, elementos não digeríveis pelo trato gastrointestinal. Eles estimulam seletivamente a proliferação ou atividade de bactérias desejáveis ao cólon. Exercem importantes efeitos no controle do colesterol, na prevenção do câncer colorretal, controle de síndromes diarreicas ou mesmo constipação.

Há também os postbióticos, que são metabólicos bacterianos. Eles tem uma importante função no sistema imunitário, sobretudo em indivíduos gravemente imunossuprimidos. O principal exemplo deste é o butirato.

 

Orientações de Uso

Ressalta-se que a ingestão desses suplementos alimentares, deve ser feita de uma forma mais prolongada em alguns casos, sobretudo nas diarreias crônicas. Na verdade, tal ingestão é profilática, ou seja, previne o prolongamento dos sintomas, já que a duração da colonização após a ingestão, não dura mais que uma semana.

Na obesidade, sobrepeso e esteatose, a determinação do uso de simbióticos necessita de mais estudos definidores acerca de doses e tempo de uso. Apesar disso já são suplementos utilizados com certa tranquilidade nestas patologias.

Nunca é demais dizer que o acompanhamento deve ser individualizado e orientado por profissional capacitado. E também que para tratamento de qualquer patologia do trato digestivo ou mesmo síndrome metabólica e patologias relacionadas ao peso, a revisão e correção dos hábitos alimentares é mandatória e determinante.

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Ômega 3, importância e recomendações

Ômega 3, importância e recomendações

O ômega 3 é um tipo de gordura da família dos ácidos graxos poliisaturados. Dita uma gordura saudável, ele traz grandes benefícios ao coração e ao cérebro.

Hoje em dia, o ômega 3 tem sido usado largamente, muitas vezes sem uma indicação precisa, sempre com a velha prerrogativa “uso pois falam que é bom”.

 

O QUE É?

As gorduras são classificadas como:

  • Ácidos graxos saturados ou “gorduras ruins”.
  • Ácidos graxos monoinsaturados e polinsaturados ou “gorduras boas”.

O ômega 3 é uma gordura boa. Ela tem como função primordial a proteção cardiovascular. É encontrado sobretudo em peixes como o salmão, a sardinha, atum, trutas e anchovas. Outros alimentos que são ricos em gorduras boas são as nozes, o azeite, abacate, castanhas, gergelim, linhaça e sementes de girassol.

 

FUNÇÕES DO ÔMEGA 3

Nas doenças circulatórias, o ômega 3 pode gerar uma ligeira elevação no HDL que é o bom colesterol. O consumo de duas porções semanais de algum peixe rico em ômega 3 é o suficiente para cumprir esta função,  podendo também ter efeitos sobre a redução da pressão arterial.

Para o cérebro, o consumo regular de ômega 3 pode prevenir a incidência de AVC. Além disso, ainda de forma incerta, o consumo regular pode prevenir ou mesmo retardar a progressão de demências como o Alzheimer.

A ação antiinflamatória do ômega 3 ainda é alvo de muitos estudos. O seu uso na doença inflamatória intestinal ou em doenças reumatológicas, como a artrite reumatoide e o lúpus, ajuda a reduzir a sintomatologia. No entanto, o seu uso isolado, sem o tratamento específico não é indicado e tampouco substitui uma dieta saudável.

O ômega 3 pode ser utilizado como um imunonutriente em pacientes com câncer que irão se submeter a grandes cirurgias. De fato, verificou-se que em associação com a arginina e os nucleotídeos, este ácido graxo tem uma ação na melhora da cicatrização e controle de infecções.

 

RECOMENDAÇÕES

Populações que têm o hábito de consumo semanal de peixes de mar, não precisam de suplementação com o ômega 3.

Em relação ao uso de comprimidos de ômega 3, é importante observar a concentração de EPA e DHA nestes comprimidos. A dose diária recomendada de EPA + DHA é de 500 mg, o que pode ser obtida através de 1 ou 2 comprimidos por dia de óleo de peixe.

O fato é que, para se atingir os efeitos descritos do ômega 3, recomendam-se doses altíssimas, de até 10.000mg. O problema é que a partir da dose de 3.000 mg por dia, os efeitos colaterais são frequentes. Diarréia e náuseas são efeitos descritos e levam ao abandono do uso.

Estas doses elevadas podem aumentar o risco de sangramento em pacientes que usam anticoagulantes. O uso nestes paciente deve ter uma vigilância redobrada.

Nenhum medicamento deve ser utilizado sem que haja uma avaliação profissional antes. O fato de ser dito que é algo “natural” não invalida, de forma alguma, a consulta médica para se determinar a viabilidade da prescrição.

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Constipação Intestinal

Constipação Intestinal

O que é constipação intestinal?

A constipação intestinal é a ausência de evacuações por mais de 3 dias. As principais causas são a baixa ingestão de fibras vegetais e de água, sedentarismo e o excesso de carboidratos simples (açúcares) na dieta.

 

Constipação Intestinal e Obesidade

A obesidade pode causar constipação pelo alto teor de carboidratos simples presentes na alimentação destes pacientes. Dietas ricas em carboidratos simples geram um desequilíbrio na microbiota intestinal. Outras causas de constipação são o diabetes, hipotiroidismo, distúrbios neurológicos específicos ou lesões de medula espinhal.

 

Causas

Indivíduos que tem um controle evacuatório muito rígido são fortes candidatos a desenvolverem uma constipação intestinal crônica. Idosos são mais constipados devido a maior imobilidade, e a presence de doenças associadas, como o diabetes.

Vários medicamentos podem ocasionar constipação intestinal pelo bloqueio dos mecanismos que promovem as contrações intestinais regulares, o peristaltismo. São exemplos comuns:

  • beta-bloqueadores (propranolol);
  • anticonvulsivantes;
  • antidepressivos;
  • analgésicos (opióides e escopolamina);
  • diuréticos;
  • antialérgicos (antihistamínicos);
  • corticóide;
  • antidiarreicos (loperamida).

 

Tratamento

Um dos tratamentos para a constipação é uso de laxativos. Os laxativos podem ser classificados de acordo com a sua forma de ação.

Cada composto acima tem uma indicação específica e seu uso deve ser individualizado e temporário. Alguns agentes, como os hiperosmóticos, promovem uma perda excessiva de água pelo intestino e consequentemente podem causar uma desidratação e disfunção renal. Por tal motivo, devem ter um uso monitorado e limitado. O uso abusivo é contraindicado.

Os agentes de volume, ou fibras alimentares, podem melhorar de uma forma mais efetiva e duradoura o funcionamento intestinal. Estes agentes podem ser utilizados de uma forma prolongada e até mesmo rotineira. A grande vantagem destes agentes é que, além de promoverem bons hábitos intestinais, eles previnem o surgimento do câncer colorretal e podem melhorar o controle glicêmico e lipídico.

 

Orientações Alimentares e Atividade Física

Em resumo, para um bom funcionamento intestinal, é fundamental a correção dos hábitos alimentares, melhora na hidratação, atividade física regular e uso regular de fibras alimentares.

Medicamentos laxativos e outras substâncias devem ser utilizados caso haja falha das medidas dietético-comportamentais. Este uso deve ser limitado e monitorado pelo médico responsável pela prescrição desta substância. A atenção a complicações deve se adequar a característica dos agentes prescritos, devendo ser maior nos agentes hiporosmóticos. A avaliacão médica é indispensável, não só para o tratamento da constipação, mas também para prevenção de complicações. 

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Diverticulite ou Diverticulose?

Diverticulite ou Diverticulose?

A diverticulite é a inflamação de divertículos intestinais. Estes divertículos são pequenas bolsas ou sacos na parede intestinal, que surgem em pontos de maior fragilidade, geralmente onde os vasos de sangue que irrigam o intestino se inserem.

A diverticulose colônica é um mal que surge devido ao processo de envelhecimento natural do intestino. É importante diferenciar diverticulite aguda e diverticulose.

 

Como diferenciar diverticulite de diverticulose?

A diverticulite é uma inflamação de um ou mais divertículos. Ela se caracteriza por dor abdominal contínua, geralmente do lado esquerdo, prostração e febre.

A diverticulose  é um conjunto de divertículos no intestino. Ela pode não ter sintomas ou então cursar com dores abdominais intermitentes sem associação com febre.

 

Como proceder diante da suspeita de diverticulite?

O paciente com suspeita de diverticulite aguda deve procurar de imediato um pronto atendimento. Pacientes mais jovens, sem comorbidades tipo diabetes, hipertensão ou obesidade, e com sintomas brandos, podem ser tratados em casa, mas devem ser reavaliados periodicamente. Em casos mais graves, a internação hospitalar é indicada.

 

Alimentação e Mitos

A principal forma de prevenção da diverticulite aguda é evitar o surgimento destes divertículos e por isso é tão importante abordar as formas de prevenir a diverticulose colônica.

Uma alimentação equilibrada que preconiza a utilização de fibras alimentares de forma regular e em quantidades suficientes por dia, pode evitar o surgimento dos divertículos. A hidratação é fundamental pois dietas ricas em fibras, mas pobres em líquidos, podem cursar com distensão abdominal por gases e constipação, fatores estes que poderiam inclusive precipitar o surgimento de divertículos.

Boas fontes de proteína (peixes e ovos) e de carboidratos (alimentos integrais), também são formas de prevenção da diverticulose. O sobrepeso e a obesidade são patologias que lentificam o funcionamento intestinal. Além disso, enfraquecem precocemente sua parede e podem predispor ao surgimento de divertículos.

A ingestão de sementes sempre foi proibida em pacientes com diverticulite e diverticulose. Acreditava-se que, por não serem digeridas pelo trato digestivo, poderiam entrar num destes divertículos e ocasionar ou piorar a inflamação. Novos estudos mostram tratar-se de um mito. Pacientes que têm diverticulite ou diverticulose podem e devem ingerir sementes. As sementes são fontes de fibras e micronutrientes que contribuem para o bom funcionamento intestinal. O incentivo a uma efetiva mastigação deve ser feito nestes pacientes para um maior aproveitamento destas fibras.

 

Atividade Física

A prática de exercícios físicos tem função preventiva, além de manter um peso saudável, contribui para o regular funcionamento intestinal.

 

Mensagem Final

Uma alimentação equilibrada e individualizada de acordo com as necessidade nutricionais de cada indivíduo associada à prática regular de exercícios físicos, são fatores que previnem o surgimento de divertículos e, consequentemente, da diverticulite.

Hidratação, fibras alimentares (incluindo as sementes), boas fontes de proteínas e de carboidratos complexos são indicados. Dietas ricas em gorduras saturadas, alimentos processados (carboidratos simples), sódio em excesso e sedentarismo são fatores que devem ser banidos.

 

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Gastrite: alguns esclarecimentos

Gastrite: alguns esclarecimentos

A gastrite é a inflamação da parede do estômago. Referir-se aos sintomas de má digestão, dor no estômago, azia ou queimação como gastrite não é de todo correto. O termo mais adequado a se utilizar é dispepsia. No entanto, como já é de hábito utilizar tal terminologia, podemos seguir dessa forma.

 

Classificação da Gastrite

As gastrites se subdividem em dois grandes grupos:

gastrite erosiva é mais grave e consiste na inflamação e corrosão do revestimento gástrico.

gastrite não erosiva é caracterizada por alterações no revestimento gástrico que variam de desgaste (atrofia) até a transformação do tecido gástrico em outro tipo de tecido intestinal (metaplasia).

Causas

Há inúmeras causas para a gastrite, a mais comum é a má alimentação crônica. Dietas ricas em sódio e carboidratos simples são grandes causadores.

A primeira víscera que está quase que diretamente ligada ao ambiente externo é o nosso estômago. Ou seja, situações de estresse, ingestão de alimentos de má qualidade nutricional geram sintomas desconfortáveis gástricos.

Ela não ocorre por aumento da acidez gástrica. Na verdade o ácido gástrico tem funções importantes em nosso organismo. Ele digere o alimento presente no estômago, inativa germes nocivos ao intestino e atua sobre o equilíbrio da microbiota intestinal. As gastrites ocorrem principalmente devido a uma lesão na barreira de muco que protege a mucosa gástrica.

Outras causas correlacionadas a gastrite são:

  • Medicamentos: AAS ou antiinflamatórios
  • Infecções:H.pylori
  • Doenças Inflamatórias: D. de Crohn e radiações

 

Complicações

A gastrite é um doença benigna que tende a se resolver após o tratamento das patologias de base, correção da alimentação e o uso temporário de medicamentos antiácidos ou redutores de acidez.

Quando não tratada de forma adequada, pode evoluir para úlceras. Com o advento dos inibidores de bomba de prótons (IBP) é rara a perfuração destas úlceras.

Certos tipos de gastrite, sobretudo as denominadas atróficas, cursam com anemia. O estômago, além do ácido, secreta uma substância chamada “Fator Intrínseco” que auxilia na absorção de vitamina B12 no intestino delgado.

Uma pequena porcentagem das pessoas com gastrite atrófica desenvolve metaplasia. Em uma porcentagem ainda menor de pessoas, a metaplasia pode conduzir ao desenvolvimento de câncer de estômago. Nestes casos, acompanhamento gastroenterológico e endoscópico periódico é fundamental.

 

Tratamento

O paciente com gastrite é tratado com uma dieta saudável. Evitar alimentos ricos em sódio é o principal. Reduzir consumo de carboidratos simples, gorduras saturadas e aumentar o consumo de fibras também são medidas a serem adotadas.

O uso de medicação antiácida ou redutores da secreção de ácido gástrico pode ser instituído como medida terapêutica. Lembrando que este paciente deve ser muito bem orientado sobre o tempo limitado de uso destes medicamentos. Caso haja a necessidade de prolongamento deste uso, reavaliações clínicas periódicas devem ser feitas.

A regra de ouro na tratamento é deixar claro que gastrite se trata com uma alimentação saudável, associada ou não ao uso de medicamentos. O uso prolongado destes medicamentos não é recomendado. Consulte sempre um gastroenterologista para uma clara orientação de tratamento e acompanhamento.

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Intolerância a Lactose e Alergia ao Leite

Intolerância a Lactose e Alergia ao Leite

A intolerância a lactose e a alergia ao leite, embora sejam causados pela ingestão do leite, são duas patologias completamente diferentes. É por isso que muita gente confunde e acaba denominando erroneamente o problema.

 

Intolerância a Lactose

A intolerância a lactose é causada pela deficiência ou total ausência da enzima lactase no intestino. A lactose (leia mais no artigo sobre FODMAP)  é o carboidrato do leite. A ação da lactase é quebrar a lactose em glicose e galactose, para sejam absorvidos pela mucosa intestinal.

A intolerância a lactose pode ser de três tipos:

  • Congênita: condição rara em que o paciente nasce sem produzir lactase;
  • Primária: perda progressiva da lactase ao longo da vida;
  • Secundária: deficiência da lactase associada a alguma lesão da mucosa intestinal, que se resolve após o tratamento desta lesão. Ex.: doença celíaca ou doença de Crohn.

Os sintomas mais comuns são cólica, diarreia e gases. Acontecem em minutos ou horas após a ingestão do leite de vaca.

O diagnóstico é clínico, ou seja, o relato de sintomas desencadeados após a ingestão de leite de vaca e a sua resolução após a sua suspensão é suficiente para se estabelecer o diagnóstico.

Pode-se lançar mão do uso da dosagem de glicose após ingestão de lactose, ou mesmo, a medida de hidrogênio expirado após se ingerir a lactose. Importante ressaltar que todas estas medidas devem ser orientadas e acompanhadas pelo médico.

O tratamento consiste na suspensão de alimentos que contenham lactose. O uso da enzima lactase é indicado somente antes de o paciente intolerante ingerir intencionalmente leite de vaca ou derivados.

 

Alergia ao Leite

A alergia ao leite, ou melhor, alergia a proteína do leite de vaca (APLV) é uma hipersensibilidade a proteína do leite, a caseína. O sistema imunológico inicia uma reação exagerada ao ser exposto a essa proteína. É uma situação comum quando crianças são expostas ao leite de vaca muito precocemente.

Os sintomas variam de acordo com o sistema acometido:

  • Digestivo: vômitos, cólicas, diarreias, dores abdominais, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes e refluxo;
  • Cutâneo: urticária e dermatite atópica de moderada à grave;
  • Respiratório: asma e rinite.

Podem ocorrer um ou mais desses sintomas na mesma hora ou dias após a ingestão do o leite de vaca.

O diagnóstico é apenas confirmado quando o paciente pára de ingerir o leite e os sintomas desaparecem. Alguns testes, como a dosagem sérica do IgE específico podem até ser feitos, mas não são muito precisos.

O tratamento da APLV é a total suspensão. Uma opção, já crescente no Brasil, é o uso de leite de vaca tipo A2. A maioria dos leites de mercado contém tanto a proteína beta-caseína A1 quanto a A2. A A1 é responsável pela maior parte das APLV. A diferença está no DNA dos bovinos: há raças que produzem apenas A1, animais que têm ambas e aqueles que produzem exclusivamente A2.

 

Orientações Alimentares

O leite é uma fonte acessível e barata de proteínas e também de cálcio. Estes são importantes nutrientes para músculos e ossos. A utilização de outras fontes de proteínas são indicadas, como por exemplo o ovo. Vegetais escuros, assim como alguns grãos, como a chia, são importantes fontes de cálcio.

Outra recomendação importante, é o fato de se evitar a ingestão de alimentos que contenham leite de vaca para bebês.

Para quem tem intolerância, há no mercado opções de queijos, iogurtes e diversos outros na versão sem lactose.  Ressaltando que no alérgico, o leite não deve ser ingerido sob nenhuma forma.

Procure sempre um médico para realização de toda esta avaliação em caso de suspeita. Lembrando que este, ou qualquer outro artigo, não substitui uma consulta médica. A conversa com o paciente, um bom exame físico e exames complementares, quando indicados, são ferramentas indispensáveis a uma boa terapêutica.

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Diarreia, como abordar?

Diarreia, como abordar?

A diarreia caracteriza-se pelo aumento do número de evacuações ao dia e pela redução em sua consistência, podendo ser líquida ou pastosa.  A diarreia é uma das causas mais comuns de desidratação, consequência esta mais preocupante em crianças.

 

CAUSAS

As causas da diarreia são diversas, podendo variar desde infecções bacterianas e virais, parasitoses intestinais, intoxicações e intolerâncias alimentares.

Alguns medicamentos podem ser causadores de diarreia tais como antiácidos, antibióticos, altas doses de vitamina C e quimioterápicos.

Intolerância a lactose também é causa de diarreia, manifestando-se somente quando leite e derivados são ingeridos.

A doença celíaca, ou intolerância ao glúten, causa diarreia intensa e muitas vezes associada a déficits de crescimento em crianças e acentuado emagrecimento.

É um sinal presente em 100% das doenças inflamatórias intestinais e pode também estar associada a doenças sistêmicas, tais como o diabetes.

 

TIPOS DE DIARREIA

A diarreia pode ser classificada de acordo com sua cronologia.

A diarreia aguda tem inicio repentino e duração rápida. Os sintomas são variáveis, desde leves com diarreias de pequeno volume, até as mais graves que cursam com febre, desidratação, náuseas e vômitos.

As diarreias crônicas tem duração mais prologada, podendo ser volumosas ou não. De um modo geral, tais formas requerem uma investigação mais minuciosa.

 

MANEJO CLÍNICO DA DIARREIA

É primordial, ao se constatar o quadro diarreico, hidratar e aliviar os sintomas associados, tais como febre e dor.

Na investigação diagnóstica deve-se determinar o tempo de sintomas, características das fezes, presença de elementos anormais (tipo sangue, muco ou restos alimentares), histórico dietético, viagens recentes, condições de saneamento e higiene pessoal e uso de medicamentos.

Em momento algum deve-se usar medicamentos como antibióticos, antiinflamatórios e constipantes. Na verdade, estes grupos de medicamentos podem agravar e prolongar os sintomas.

Probióticos e fibras alimentares solúveis podem ser indicados, sob supervisão médica, como auxiliares do tratamento.

 

SITUAÇÕES ESPECÍFICAS

Em algumas situações, sobretudo naquelas em que a diarreia é intensa e prolongada, algumas situações devem ser pesquisadas.

  • Doenças Inflamatórias Intestinais: cursam geralmente com presença de sangue ou muco nas fezes diarreicas e emagrecimento.
  • Supercrescimento Bacteriano de Intestino Delgado: situação em que existe um desequilíbrio duradouro na microbiota intestinal, havendo um crescimento exagerado na população de bactérias do intestino. Comum em pacientes com diabetes, pacientes obesos pós cirurgia bariátrica e idosos.
  • Disautonomia: condição que pode estar presente em pacientes diabéticos e que se caracteriza por uma irregularidade na movimentação intestinal e muitas vezes perda fecal involuntária.
  • Infecção pelo Clostridium dificille: Bactéria presente na microbiota intestinal normal, mas que, quando em desequilíbrio, causa diarreias graves. Comum em pacientes internados, institucionalizados e que usaram algum tipo de antibiótico recentemente.
  • Intolerância a Lactose: condição que ocorre quando a lactase, enzima que quebra o carboidrato d0 leite (lactose) em glicose e galactose, está reduzida ou usente.
  • Doença Celíaca: condição em que a absorção dos nutrientes pelo intestino está prejudica pela destruição que o glúten pode gerar na mucosa intestinal.
  • Tumores do Intestino: podem cursar com sintomas variados, desde diarréia ou constipação intestinal, além de emagrecimento progressivo.

 

RECOMENDAÇÕES

  • Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia;
  • Jamais deixe de comer. Tal medida pode agravar o quadro de desidratação. Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas. Esses alimentos dão mais consistência às fezes;
  • Evite saladas e bagaços de frutas, devido ao alto teor de fibras insolúveis que podem piorar a diarreia;
  • Evite alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas;
  • Não consuma adoçantes a base de sorbitol;
  • Lavar as mãos e cuidar bem da higiene alimentar são medidas preventivas.

Procurar um profissional médico capacitado é sempre indicado para a melhor e mais rápida solução da diarreia e a pronta recuperação clínica.

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Doenças Inflamatórias Intestinais, como identificar?

Doenças Inflamatórias Intestinais, como identificar?

Diarréia que dura longos períodos, presença de sangue nas fezes, emagrecimento acentuado, associado a dores articulares e lesões de pele são sinais e sintomas que podem caracterizar as doenças inflamatórias intestinais. Diagnóstico precoce e o tratamento especializado e imediato são essenciais para o controle destas patologias.

DEFINIÇÃO

As doenças inflamatórias intestinais, são um conjunto de patologias que acometem o sistema digestivo, mais comummente os intestinos grosso e delgado. Em alguns casos, os sintomas destas doenças se estendem além dos intestinos, podendo acometer pele e articulações.

CAUSAS

Não há uma causa clara ainda bem determinada para este grupo de doenças. A alimentação afeta seus sintomas, no entanto, não se tem dados suficientes para se afirmar que ela pode causar as doenças inflamatórias do intestino.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

A doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) são doenças incluídas neste grupo.
A DC pode acometer qualquer parte do sistema digestivo. Quando ela afeta o intestino delgado, que é o local onde os nutrientes são absorvidos, o emagrecimento é o sinal mais prevalente da atividade da doença.

Os sintomas principais são:
– diarréia;
– dor abdominal;
– fraqueza;
– febre;
– anemia;
– falta de apetite.

Na RCUI, a dano maior ocorre no intestino grosso, local onde ocorre absorção de água. Por isso, nestes casos a diarréia pode ser mais volumosa e frequente, associado a presença de sangue vivo nas fezes.
Os sinais e sintomas, chamados de extraintestinais, mais comuns nestas doenças são artrites, lesões de pele tipo nódulos e vermelhidão e inflamação nos olhos (uveíte).
A principal medida diagnóstica é a colonoscopia. Exames de fezes com dosagens de marcadores inflamatórios (calprotectina) são recursos importantes no acompanhamento destas doenças.

TRATAMENTO

O tratamento envolve uso de corticóides, imunossupressores, imunobiológicos, que, sem dúvida alguma devem ser orientados por gastroenterologistas e/ou procotlogistas.
A terapia celular com transplante de células tronco e cirurgia em casos selecionados, são recursos associados no tratamento das doenças inflamatórias do intestino.
Medidas de conforto e alívio de sintomas e o cuidado com a alimentação são indispensáveis no tratamento destes pacientes, haja vista o alto risco de desnutrição gerado por estas patologias. O uso de nutrientes específicos são permitidos nestes casos, a Imunonutrição ainda precisa de maiores estudos para sua indicação.

A atenção aos sintomas, a busca por informações e o acompanhamento por um profissional capacitado são as chaves para o sucesso terapêutico.

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