doenças inflamatórias intestinais

Simbióticos, o que são?

Simbióticos, o que são?

Definições e Indicações de Uso dos Simbióticos

Simbióticos são suplementos alimentares cuja ingestão tem o objetivo de melhorar a flora intestinal. São bastante utilizados em pacientes com diarreia ou constipação intestinal.

Algumas formulações são indicadas para tratamento de sobrepeso e obesidade. Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) tem também indicações de uso.

Os simbióticos podem ser usados em doenças inflamatórias intestinais, como na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa. No entanto, há necessidade de maior aclaramento científico sobre a eficácia de seu uso.

 

Do que são feitos os simbióticos?

Simbióticos são um produtos nos quais se combinam prebióticos e probióticos. Geralmente são encontrados em formulações de cápsulas ou em pó. Existe simbiótico natural também e um excelente exemplo é o leite materno, indispensável a alimentação humana nos primeiros meses de vida.

Os probióticos são microrganismos vivos que conferem benefícios à saúde de quem os ingere. Exemplos disso são a redução do risco de infecções intestinais, sobretudo em pacientes usuários crônicos de antibióticos. São utilizados em pacientes com diarreia com duração mais prolongada também. Alguns alimentos contém probióticos, como leites fermentados, iogurtes e queijos.

Já os prebióticos são as fibras alimentares, ou seja, elementos não digeríveis pelo trato gastrointestinal. Eles estimulam seletivamente a proliferação ou atividade de bactérias desejáveis ao cólon. Exercem importantes efeitos no controle do colesterol, na prevenção do câncer colorretal, controle de síndromes diarreicas ou mesmo constipação.

Há também os postbióticos, que são metabólicos bacterianos. Eles tem uma importante função no sistema imunitário, sobretudo em indivíduos gravemente imunossuprimidos. O principal exemplo deste é o butirato.

 

Orientações de Uso

Ressalta-se que a ingestão desses suplementos alimentares, deve ser feita de uma forma mais prolongada em alguns casos, sobretudo nas diarreias crônicas. Na verdade, tal ingestão é profilática, ou seja, previne o prolongamento dos sintomas, já que a duração da colonização após a ingestão, não dura mais que uma semana.

Na obesidade, sobrepeso e esteatose, a determinação do uso de simbióticos necessita de mais estudos definidores acerca de doses e tempo de uso. Apesar disso já são suplementos utilizados com certa tranquilidade nestas patologias.

Nunca é demais dizer que o acompanhamento deve ser individualizado e orientado por profissional capacitado. E também que para tratamento de qualquer patologia do trato digestivo ou mesmo síndrome metabólica e patologias relacionadas ao peso, a revisão e correção dos hábitos alimentares é mandatória e determinante.

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Aftas Orais

Aftas Orais

O que são aftas orais?

As aftas orais são, em geral, pequenos ferimentos na boca. São lesões rasas e de fundo limpo. Causam um dor local leve, tendo uma evolução rápida e um curso geralmente benigno. Mas apesar de serem benignas, em alguns casos podem ser dolorosas, o que gera desconforto em falar e deglutir o alimento.

Em boa parte das vezes não tem causa infecciosa. É um problema comum, acomete cerca de 20% da população mundial de forma recorrente. Mas pode-se dizer que todo ser humano, pelo menos uma vez na vida já apresentou alguma afta na boca.

A maioria das aftas dura em média sete dias. Aftas podem demorar mais a cicatrizar devido ao trauma contínuo com dentes, a depender de sua localização.

As aftas muitas vezes podem confluir e ocasionar lesões maiores e mais profundas. Podendo gerar ínguas (linfonodos) no pescoço ou abaixo da mandíbula. As vezes causam até febre, mas nem por isso são malignas.

Causas das aftas orais

As aftas não tem causas bem estabelecidas. Há suspeitas de que podem ser ocasionadas por deficiências imunológicas, mas ainda não há uma comprovação científica.

Alguns fatores são claramente conhecidos:

  • Mordidas locais;
  • Traumas durante a escovação dental;
  • Tabagismo;
  • Alimentos excessivamente condimentados;
  • Alimentos com acidez excessiva, geralmente os industrializados;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Alguns medicamentos como anti-inflamatórios ou aspirina;
  • Deficiências vitamínicas e minerais, como vitamina B12, vitamina C, zinco, ferro ou ácido fólico.

Aftas, de fato, não causam mau hálito e nem são transmissíveis pelo beijo.

Há algumas doenças que podem ocasionar o aparecimento de aftas. Geralmente estas aftas tem um aspecto mais específico e uma duração e recorrência muito maior. São exemplos o herpes simples, doença de Crohn, sífilis e a doença celíaca.

Aspectos que preocupam nas aftas, além de sua demora para cicatrizar, é o seu surgimento em outros locais do corpo, como por exemplo olhos ou região genital.

O câncer de boca é algo importante a ser mencionado. Aftas não predispõem ao câncer de boca. No entanto, lesões que não melhoram e que mantém um crescimento progressivo, devem ser imediatamente avaliadas.

Tratamento

O primeiro passo a ser orientado no tratamento das aftas é a instituição de hábitos alimentares saudáveis. Dietas ricas em sódio e em carboidratos simples devem repudiadas. O cigarro é um fator causal importante e deve ser suspenso.  Dietas ricas em fibras podem estar relacionadas a melhora da recorrência das aftas.
Alguns medicamentos podem ser utilizados, sobretudos aqueles tópicos que possuem corticoide ou analgésicos em sua composição. Nestas situações, um médico deve ser consultado.

Soluções caseiras, tipo aplicação de amido de milho, pasta de dente ou fermento sobre a afta, ou mesmo manipulação desta, não são indicadas. O risco de infecção secundária aumenta sobremaneira.

Ainda não é certo afirmar que a infecção pelo H.pilory (bactéria presente no estômago causadora de gastrites e úlceras) seja responsável pela recorrência das aftas. Fato que ilustra tal situação é a não verificação de melhora das aftas após o tratamento do desta bactéria.

Em suma, nas aftas orais, devemos nos ater a orientação de hábitos alimentares saudáveis e a atenção aos  sinais de alerta. Consultar um gastroenterologista em casos de recorrência ou demora na melhora das aftas é sempre uma atitude prudente.

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Diarreia, como abordar?

Diarreia, como abordar?

A diarreia caracteriza-se pelo aumento do número de evacuações ao dia e pela redução em sua consistência, podendo ser líquida ou pastosa.  A diarreia é uma das causas mais comuns de desidratação, consequência esta mais preocupante em crianças.

 

CAUSAS

As causas da diarreia são diversas, podendo variar desde infecções bacterianas e virais, parasitoses intestinais, intoxicações e intolerâncias alimentares.

Alguns medicamentos podem ser causadores de diarreia tais como antiácidos, antibióticos, altas doses de vitamina C e quimioterápicos.

Intolerância a lactose também é causa de diarreia, manifestando-se somente quando leite e derivados são ingeridos.

A doença celíaca, ou intolerância ao glúten, causa diarreia intensa e muitas vezes associada a déficits de crescimento em crianças e acentuado emagrecimento.

É um sinal presente em 100% das doenças inflamatórias intestinais e pode também estar associada a doenças sistêmicas, tais como o diabetes.

 

TIPOS DE DIARREIA

A diarreia pode ser classificada de acordo com sua cronologia.

A diarreia aguda tem inicio repentino e duração rápida. Os sintomas são variáveis, desde leves com diarreias de pequeno volume, até as mais graves que cursam com febre, desidratação, náuseas e vômitos.

As diarreias crônicas tem duração mais prologada, podendo ser volumosas ou não. De um modo geral, tais formas requerem uma investigação mais minuciosa.

 

MANEJO CLÍNICO DA DIARREIA

É primordial, ao se constatar o quadro diarreico, hidratar e aliviar os sintomas associados, tais como febre e dor.

Na investigação diagnóstica deve-se determinar o tempo de sintomas, características das fezes, presença de elementos anormais (tipo sangue, muco ou restos alimentares), histórico dietético, viagens recentes, condições de saneamento e higiene pessoal e uso de medicamentos.

Em momento algum deve-se usar medicamentos como antibióticos, antiinflamatórios e constipantes. Na verdade, estes grupos de medicamentos podem agravar e prolongar os sintomas.

Probióticos e fibras alimentares solúveis podem ser indicados, sob supervisão médica, como auxiliares do tratamento.

 

SITUAÇÕES ESPECÍFICAS

Em algumas situações, sobretudo naquelas em que a diarreia é intensa e prolongada, algumas situações devem ser pesquisadas.

  • Doenças Inflamatórias Intestinais: cursam geralmente com presença de sangue ou muco nas fezes diarreicas e emagrecimento.
  • Supercrescimento Bacteriano de Intestino Delgado: situação em que existe um desequilíbrio duradouro na microbiota intestinal, havendo um crescimento exagerado na população de bactérias do intestino. Comum em pacientes com diabetes, pacientes obesos pós cirurgia bariátrica e idosos.
  • Disautonomia: condição que pode estar presente em pacientes diabéticos e que se caracteriza por uma irregularidade na movimentação intestinal e muitas vezes perda fecal involuntária.
  • Infecção pelo Clostridium dificille: Bactéria presente na microbiota intestinal normal, mas que, quando em desequilíbrio, causa diarreias graves. Comum em pacientes internados, institucionalizados e que usaram algum tipo de antibiótico recentemente.
  • Intolerância a Lactose: condição que ocorre quando a lactase, enzima que quebra o carboidrato d0 leite (lactose) em glicose e galactose, está reduzida ou usente.
  • Doença Celíaca: condição em que a absorção dos nutrientes pelo intestino está prejudica pela destruição que o glúten pode gerar na mucosa intestinal.
  • Tumores do Intestino: podem cursar com sintomas variados, desde diarréia ou constipação intestinal, além de emagrecimento progressivo.

 

RECOMENDAÇÕES

  • Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia;
  • Jamais deixe de comer. Tal medida pode agravar o quadro de desidratação. Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas. Esses alimentos dão mais consistência às fezes;
  • Evite saladas e bagaços de frutas, devido ao alto teor de fibras insolúveis que podem piorar a diarreia;
  • Evite alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas;
  • Não consuma adoçantes a base de sorbitol;
  • Lavar as mãos e cuidar bem da higiene alimentar são medidas preventivas.

Procurar um profissional médico capacitado é sempre indicado para a melhor e mais rápida solução da diarreia e a pronta recuperação clínica.

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Fibras Alimentares

Fibras Alimentares

As Fibras Alimentares são carboidratos não absorvidos pelo trato digestivo. Apesar de serem classificadas como carboidratos, as fibras alimentares não funcionam como fonte energética. No entanto, elas exercem funções vitais no organismo.

De forma geral, as fibras alimentares são classificadas de acordo com a sua solubilidade em água.

FIBRAS SOLÚVEIS

As fibras alimentares solúveis tem uma alta capacidade de retenção de água, tendo um importante papel regulador intestinal. Elas lentificam o processo de absorção de carboidratos e reduzem o seu índice glicêmico e consequentemente os picos insulinêmicos. Por isso são auxiliares no controle do diabetes e em processos de emagrecimento.

Os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), principalmente o proprionato e o butirato, são produtos da fermentação destas fibras solúveis. A disponibilidade deste substrato no intestino grosso melhora a microbiota intestinal e a consistência do bolo fecal.

Como atuam como mantenedores de uma microbiota intestinal saudável são chamadas de fibras alimentares prebióticas. São exemplos de fibras alimentares solúveis as pectinas, as gomas, a inulina e algumas hemiceluloses. Elas podem ser encontradas em frutas e legumes.

FIBRAS INSOLÚVEIS

As fibras alimentares insolúveis, como o nome já diz, não são solúveis em água. Por acelerarem o trânsito gastrointestinal, são indicadas para o tratamento da constipação intestinal crônica.

As fibras insolúveis não formam géis e tem sua fermentação limitada. Estas fibras são encontradas em cereais inteiros, cascas de frutas (por isso a importância de se ingerir a casca destes alimentos) e vegetais folhosos.

A maioria dos alimentos que contêm fibras é constituída de um terço de fibras solúveis e dois terços de insolúveis.

TIPOS DE FIBRAS ALIMENTARES E SUAS PRINCIPAIS FONTES

Polissacarídeos não amido:
> Celulose: Vegetais (parede celular das plantas) e farelos
> Hemicelulose: Aveia, cevada, vagem, grãos integrais e oleaginosas
> Gomas e mucilagens: Alfarroba, algas , psyllium
> Pectinas: frutas, hortaliças, açúcar de beterraba.

Oligossacarídeos:
> Frutanos: Inulina e frutoligossacarídeos (FOS): Frutas, chicória, alho, banana

Carboidratos análogos:
> Amido resistente e maltodextrina resistente: Leguminosas, sementes, batata crua, banana verde, grãos integrais.

Lignina:
> Camada externa de grãos de cereais e aipo.

Substâncias associadas aos polissacarídeos não amido:
> Cereais integrais, frutas e hortaliças.

BENEFÍCIOS DO CONSUMO DE FIBRAS ALIMENTARES

A ingestão de fibras alimentares associa-se a uma redução significativa dos níveis de glicose, pressão arterial e de gorduras do sangue. Pode também reduzir a incidência de doenças crônicas, tais como doenças coronarianas, hipertensão e de câncer colorretal.

Uma maior ingestão de fibras alimentares também está associada a uma redução de marcadores inflamatóriosdo sangue, tais como a PCR (proteína C reativa).

Recomenda-se uma ingestão diária de 30 gramas de fibras, bem como uma variedade de fontes de fibras, tais como frutas, verduras, grãos integrais e farelos. Deve-se ter cautela na ingestão de fibras em casos de obstrução intestinal, como por exemplo na doença de Crohn .

Procure sempre um profissional capacitado para melhores orientações sobre a ingestão de fibras.

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Doenças Inflamatórias Intestinais, como identificar?

Doenças Inflamatórias Intestinais, como identificar?

Diarréia que dura longos períodos, presença de sangue nas fezes, emagrecimento acentuado, associado a dores articulares e lesões de pele são sinais e sintomas que podem caracterizar as doenças inflamatórias intestinais. Diagnóstico precoce e o tratamento especializado e imediato são essenciais para o controle destas patologias.

DEFINIÇÃO

As doenças inflamatórias intestinais, são um conjunto de patologias que acometem o sistema digestivo, mais comummente os intestinos grosso e delgado. Em alguns casos, os sintomas destas doenças se estendem além dos intestinos, podendo acometer pele e articulações.

CAUSAS

Não há uma causa clara ainda bem determinada para este grupo de doenças. A alimentação afeta seus sintomas, no entanto, não se tem dados suficientes para se afirmar que ela pode causar as doenças inflamatórias do intestino.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

A doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) são doenças incluídas neste grupo.
A DC pode acometer qualquer parte do sistema digestivo. Quando ela afeta o intestino delgado, que é o local onde os nutrientes são absorvidos, o emagrecimento é o sinal mais prevalente da atividade da doença.

Os sintomas principais são:
– diarréia;
– dor abdominal;
– fraqueza;
– febre;
– anemia;
– falta de apetite.

Na RCUI, a dano maior ocorre no intestino grosso, local onde ocorre absorção de água. Por isso, nestes casos a diarréia pode ser mais volumosa e frequente, associado a presença de sangue vivo nas fezes.
Os sinais e sintomas, chamados de extraintestinais, mais comuns nestas doenças são artrites, lesões de pele tipo nódulos e vermelhidão e inflamação nos olhos (uveíte).
A principal medida diagnóstica é a colonoscopia. Exames de fezes com dosagens de marcadores inflamatórios (calprotectina) são recursos importantes no acompanhamento destas doenças.

TRATAMENTO

O tratamento envolve uso de corticóides, imunossupressores, imunobiológicos, que, sem dúvida alguma devem ser orientados por gastroenterologistas e/ou procotlogistas.
A terapia celular com transplante de células tronco e cirurgia em casos selecionados, são recursos associados no tratamento das doenças inflamatórias do intestino.
Medidas de conforto e alívio de sintomas e o cuidado com a alimentação são indispensáveis no tratamento destes pacientes, haja vista o alto risco de desnutrição gerado por estas patologias. O uso de nutrientes específicos são permitidos nestes casos, a Imunonutrição ainda precisa de maiores estudos para sua indicação.

A atenção aos sintomas, a busca por informações e o acompanhamento por um profissional capacitado são as chaves para o sucesso terapêutico.

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