Retocolite ulcerativa

Intestino Curto: por que falar disso?

Intestino Curto: por que falar disso?

O que é a Síndrome do Intestino Curto?

A síndrome do intestino curto (SIC), ou falência ou mesmo insuficiência intestinal, engloba todos as condições clínicas em que o funcionamento do trato digestivo é inadequado para se manter o bom estado nutricional sem algum suporte por via endovenosa (pelas veias).

Felizmente são situações raras que decorrem de doenças comuns, traumas abdominais e situações de má irrigação sanguínea dos intestinas (isquemias).

Classificação

A sídrome do intestino curto, ou falência intestinal é classificada de acordo com a sua duração.

  • Falência Intestinal Tipo 1: é uma forma aguda e transitória, ocorrida em pós-operatórios de cirurgias abdominais;
  • Falência Intestinal Tipo 2: forma que ocorre em situações de fistulas intestinais com grande drenagem de secreção (alto débito) e nas complexas. Estas fistulas podem ser decorrentes de cirurgias ou da doença de Crohn;
  • Falência Intestinal Tipo 3: este termo é usado para situaçnoes crônicas e definitivas. Geralmente ocorrem após ressecções intestinais extensas. E estas situaçnoes comprometem sobremaneira a absorção de nutrientes.

Pacientes que se submetem a grandes retiradas de alças intestinais tem risco alto de desenvolver a síndrome do intestine curto. Os mais graves são aqueles que remanescem com menos de um metro do intestino delgado com ileostomia (comunicação do intestino com a pele) ou os que ficam com menos de 50cm do intestine grosso em continuidade.

Fatores de Risco

Sim, é uma condição rara, e por que falar disso?

Há algumas situações que predispõem indiretamente ao surgimento desta condição. O tabagismo é uma delas. O cigarro é um grande causador de obstruções vasculares. Dentro os vasos de sangue que podem ser obstruídos estão os dos intestinos. Em suma, órgãos com irrigação de sangue comprometida morrem. Simples assim.

O diabetes também é uma outra situação que pode ocasionar obstruções vasculares e morte de tecidos.

Outros fatores que pioram o prognóstico de pacientes com intestine curto é a ausência do íleo, que é a porção mais final do intestino delgado. A presença deste região permite a secreção de alguns hormônios que estimulam a adaptacão intestinal e a tolerância alimentar. Este fatores tem o nome de Glucagon-like peptides 1 e 2 (GLP-1 e GLP2).

Tratamento

Como a desnutrição é a condição preponderante nestes casos, a terapia nutricional deve ser a primeira medida a ser instituída. A nutrição parenteral é mandatória em todos estes pacientes, pelo menos inicialmente.

Dietas específicas, sobretudo aquelas de rápida absorção, chamadas de oligoméricas, podem ser administradas por meio de sondas posicionadas no intestino. As fibras solúveis podem ser utilizadas por aumentarem o peso do bolo fecal.

Cirurgias de “alongamento” intestinal podem ser feitas somente nos casos em que os pacientes estiverem em situações nutricionais mais estáveis.

Alguns medicamentos podem ser utilizados para se reduzir a secreção intestinal, mas não estimulam a adaptação deste órgão. São eles: antidarreicos, inibidores de bomba protônica ou o octreotídeo.

Até recenteme, uma única substância que foi desenvolvida como capaz de melhorar a adaptacão intestinal é o teduglutide. Este medicamento simula as ações do GLP 1 e 2, como explicado anteriormente neste texto.

gastroenterologia, nutrologia e a cirurgia geral são as especialidades requeridas no acompanhamento de pacientes com esta patologia.

 

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Ômega 3, importância e recomendações

Ômega 3, importância e recomendações

O ômega 3 é um tipo de gordura da família dos ácidos graxos poliisaturados. Dita uma gordura saudável, ele traz grandes benefícios ao coração e ao cérebro.

Hoje em dia, o ômega 3 tem sido usado largamente, muitas vezes sem uma indicação precisa, sempre com a velha prerrogativa “uso pois falam que é bom”.

 

O QUE É?

As gorduras são classificadas como:

  • Ácidos graxos saturados ou “gorduras ruins”.
  • Ácidos graxos monoinsaturados e polinsaturados ou “gorduras boas”.

O ômega 3 é uma gordura boa. Ela tem como função primordial a proteção cardiovascular. É encontrado sobretudo em peixes como o salmão, a sardinha, atum, trutas e anchovas. Outros alimentos que são ricos em gorduras boas são as nozes, o azeite, abacate, castanhas, gergelim, linhaça e sementes de girassol.

 

FUNÇÕES DO ÔMEGA 3

Nas doenças circulatórias, o ômega 3 pode gerar uma ligeira elevação no HDL que é o bom colesterol. O consumo de duas porções semanais de algum peixe rico em ômega 3 é o suficiente para cumprir esta função,  podendo também ter efeitos sobre a redução da pressão arterial.

Para o cérebro, o consumo regular de ômega 3 pode prevenir a incidência de AVC. Além disso, ainda de forma incerta, o consumo regular pode prevenir ou mesmo retardar a progressão de demências como o Alzheimer.

A ação antiinflamatória do ômega 3 ainda é alvo de muitos estudos. O seu uso na doença inflamatória intestinal ou em doenças reumatológicas, como a artrite reumatoide e o lúpus, ajuda a reduzir a sintomatologia. No entanto, o seu uso isolado, sem o tratamento específico não é indicado e tampouco substitui uma dieta saudável.

O ômega 3 pode ser utilizado como um imunonutriente em pacientes com câncer que irão se submeter a grandes cirurgias. De fato, verificou-se que em associação com a arginina e os nucleotídeos, este ácido graxo tem uma ação na melhora da cicatrização e controle de infecções.

 

RECOMENDAÇÕES

Populações que têm o hábito de consumo semanal de peixes de mar, não precisam de suplementação com o ômega 3.

Em relação ao uso de comprimidos de ômega 3, é importante observar a concentração de EPA e DHA nestes comprimidos. A dose diária recomendada de EPA + DHA é de 500 mg, o que pode ser obtida através de 1 ou 2 comprimidos por dia de óleo de peixe.

O fato é que, para se atingir os efeitos descritos do ômega 3, recomendam-se doses altíssimas, de até 10.000mg. O problema é que a partir da dose de 3.000 mg por dia, os efeitos colaterais são frequentes. Diarréia e náuseas são efeitos descritos e levam ao abandono do uso.

Estas doses elevadas podem aumentar o risco de sangramento em pacientes que usam anticoagulantes. O uso nestes paciente deve ter uma vigilância redobrada.

Nenhum medicamento deve ser utilizado sem que haja uma avaliação profissional antes. O fato de ser dito que é algo “natural” não invalida, de forma alguma, a consulta médica para se determinar a viabilidade da prescrição.

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Doenças Inflamatórias Intestinais, como identificar?

Doenças Inflamatórias Intestinais, como identificar?

Diarréia que dura longos períodos, presença de sangue nas fezes, emagrecimento acentuado, associado a dores articulares e lesões de pele são sinais e sintomas que podem caracterizar as doenças inflamatórias intestinais. Diagnóstico precoce e o tratamento especializado e imediato são essenciais para o controle destas patologias.

DEFINIÇÃO

As doenças inflamatórias intestinais, são um conjunto de patologias que acometem o sistema digestivo, mais comummente os intestinos grosso e delgado. Em alguns casos, os sintomas destas doenças se estendem além dos intestinos, podendo acometer pele e articulações.

CAUSAS

Não há uma causa clara ainda bem determinada para este grupo de doenças. A alimentação afeta seus sintomas, no entanto, não se tem dados suficientes para se afirmar que ela pode causar as doenças inflamatórias do intestino.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

A doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) são doenças incluídas neste grupo.
A DC pode acometer qualquer parte do sistema digestivo. Quando ela afeta o intestino delgado, que é o local onde os nutrientes são absorvidos, o emagrecimento é o sinal mais prevalente da atividade da doença.

Os sintomas principais são:
– diarréia;
– dor abdominal;
– fraqueza;
– febre;
– anemia;
– falta de apetite.

Na RCUI, a dano maior ocorre no intestino grosso, local onde ocorre absorção de água. Por isso, nestes casos a diarréia pode ser mais volumosa e frequente, associado a presença de sangue vivo nas fezes.
Os sinais e sintomas, chamados de extraintestinais, mais comuns nestas doenças são artrites, lesões de pele tipo nódulos e vermelhidão e inflamação nos olhos (uveíte).
A principal medida diagnóstica é a colonoscopia. Exames de fezes com dosagens de marcadores inflamatórios (calprotectina) são recursos importantes no acompanhamento destas doenças.

TRATAMENTO

O tratamento envolve uso de corticóides, imunossupressores, imunobiológicos, que, sem dúvida alguma devem ser orientados por gastroenterologistas e/ou procotlogistas.
A terapia celular com transplante de células tronco e cirurgia em casos selecionados, são recursos associados no tratamento das doenças inflamatórias do intestino.
Medidas de conforto e alívio de sintomas e o cuidado com a alimentação são indispensáveis no tratamento destes pacientes, haja vista o alto risco de desnutrição gerado por estas patologias. O uso de nutrientes específicos são permitidos nestes casos, a Imunonutrição ainda precisa de maiores estudos para sua indicação.

A atenção aos sintomas, a busca por informações e o acompanhamento por um profissional capacitado são as chaves para o sucesso terapêutico.

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