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Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Muitos pacientes tem uma tendência a querer exagerar no exercício físico com o objetivo de acelerar a perda de peso. Como um raciocínio matemático, acreditamos que quanto mais nos exercitamos, mais peso perdemos.

Existe uma série de fatores a serem considerados quando se trata deste assunto, quase que uma lista de checagem para se avaliar se os objetivos traçados estão sendo alcançados e de fato estão corretos.

 

Alimentação Saudável

É preciso entender que uma alimentação saudável não passa por restrição exagerada de alimentos. O fato de limitar em demasia a a ingestão alimentar ocasiona sim uma perda de peso, no entanto, perde-se gordura e massa muscular. E perder massa muscular nunca é uma boa opção quando o assunto é adequação de peso.

 

Peso e Composição Corporal

Frases meio que desapontadas tipo “a balança é minha inimiga, não perco peso, mas tenho notado que minhas medidas estão reduzindo” são comuns. Na verdade, o peso é somatória de todos os tecidos corporais, ou seja, água, massas gordurosa e muscular e minerais. 

O que ocorre é que o tecido muscular pode aumentar quando a alimentação está adequada e a atividade física executada de forma correta, e isso é um ponto positivo. Por isso a avaliação da composição corporal através de métodos como antropometria ou bioimpedância são indicados.

 

Atividade Física

É sempre interessante combinar exercícios aeróbicos com algum exercício de resistência. Este último tem grande influência no aumento da massa muscular, que funciona como um “freio” no aumento da massa gordurosa.

O músculo aumenta a TMB (Taxa Metabólica Basal) que é basicamente a energia utilizada para manter a vida (respiração, batimentos cardíacos). A alimentação é forma de prover esta energia, assim como o tecido gorduroso, que é um depósito de energia.

 

Repouso

A ausência do repouso, após períodos de atividade física, dificulta a recuperação muscular. É como se o nosso corpo entrasse num estado de estresse contínuo. E nesta situação, substâncias inflamatórias são produzidas. E mais uma vez músculos são perdidos e, de certa forma, “substituídos” por tecido gorduroso.

 

Alertas

Excesso de exercício físico além de induzir a lesões articulares e ósseas, pode levar ao overtraining. Esta é uma condição resultante de se fazer mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar.

Distúrbios de autoimagem, vigorexia (insatisfação constante com o corpo, que afeta principalmente os homens, levando-os à prática exaustiva de exercícios físicos), depressão ou mesmo uso de anabolizantes podem resultar desta prática excessiva de exercícios físicos.

 

Resumindo

Perda de peso implica em perda de massa gordurosa e muscular. A todo custo o músculo deve ser preservado e estimulado. Repouso ou mesmo atividades de relaxamento devem ser estimulados nestes intervalos. Alimentação saudável é um fato, sempre deve ser feita. A suplementação deve ser orientada por profissional capacitado. 

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Encurtamento do Jejum Pré-Operatório

Por muito tempo praticou-se o jejum prolongado como preparo para cirurgias. Muitos serviços ainda praticam o este jejum prolongado, mas felizmente aos poucos esta prática tem mudado.

Jejum pra quê?

Historicamente o jejum pré operatório era indicado com a finalidade de se evitar a aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões após a indução anestésica. A alegação principal era a de que os medicamentos utilizados na anestesia lentificavam o esvaziamento do estômago.

Mudança de paradigmas

Novos estudos controlados e de grande confiabilidade demonstraram que não há prejuízos clínicos para os pacientes que se submetem ao jejum pré operatório mais curto. Na verdade, verificou-se melhores respostas cirúrgicas em pós operatórios naqueles pacientes que fizeram jejum encurtado.

Tal encurtamento é para um período de duas horas. Ou seja, é possível e indicado reduzir de 12 para 2 horas o jejum pré operatório e se obter mais sucesso nos desfechos de pós operatório.

Quais são os benefícios?

Os principais benefícios constatados com o encurtamento do jejum pré operatório são:

Há alguma exceção a este jejum encurtado?

De fato, alguns pacientes ainda devem manter jejuns mais prolongados antes de se submeterem a cirurgias. Pacientes que tem um funcionamento gástrico mais reduzido, o que chamamos de gastroparesia, são os que tem tal indicação.

Pacientes diabéticos e aqueles que têm a doença do refluxo gastroesofágico devem ser avaliados com mais critérios antes de terem seu jejum encurtado.

E como deve ser feito este jejum encurtado?

O médico assistente, de preferência o de uma EMTN ( Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional) deve avaliar cada paciente e individualizar seu preparo nutricional.

Em média, permite-se a ingestão de refeições leves até cerca de 6 horas antes da cirurgia. Até 2 horas antes do procedimento, recomenda-se a ingestão de líquidos claros, ou seja, maltodextrina diluída em água. Caso o procedimento atrase, a ingestão desta solução pode ser repetida. Hoje em dia já existem suplementos destinados a esta finalidade.

Resumindo…

Todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia deve ser avaliado quanto a possibilidade do encurtamento do jejum pré operatório. Trabalhos sérios e grandes estudos já evidenciaram a segurança desta prática. O benefício é inquestionável e factível. Deve ser algo recomendado pelo médico que assiste ao paciente, obviamente atentando-se para as indicações, e deve ser exigido pelo paciente.

Converse com seu médico sobre a indicação e a segurança do jejum encurtado. Lembrando que este artigo não substitui nenhuma consulta ou conversa presencial com o profissional capacitado.

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As proteínas podem prejudicar a função renal?

As proteínas podem prejudicar a função renal?

O uso de proteínas, tanto na forma de suplementos, quanto na dieta, sempre foi alvo de dúvidas. A questão principal é a proteína como um nutriente causador ou potencializador de dano à função renal.

A proteína é um macronutriente essencial a sobrevivência humana. Através dela conseguimos manter a massa muscular e também auxiliar na síntese de inúmeros compostos em nosso corpo, como por exemplo os anticorpos, as enzimas, a hemoglobina, dentre outros vários.

 

Mas o que as proteínas tem a ver com a função renal?

De uma maneira bem simples, as proteínas são constituídas por várias pequenas unidades chamadas de aminoácidos. Quando a proteína é digerida pelo sistema digestivo, o que é absorvido são estes aminoácidos.

Estes aminoácidos são utilizados para síntese de novas proteínas em nosso organismo e também para o fornecimento de energia. O que estes aminoácidos fornecem de essencial é o nitrogênio. O que resta deste processo todo são as escórias nitrogenadas, que são a ureia, a creatinina, a amônia e o ácido úrico. Estas escórias são excretadas pelos rins.

 

Quando se é arriscado consumir proteínas deliberadamente?

Bem, o equilíbrio é fundamental. Um exemplo fisiológico que demonstra que o pouco consumo proteína é prejudicial ocorre no envelhecimento. Com o passar dos anos, temos uma tendência a redução de massa muscular. Primeiro o músculo se torna pouco funcionante e depois ele vai reduzindo de tamanho, é a chamada sarcopenia.

Ocorre também que, com o avançar da idade, optamos naturalmente por consumir dietas mais ricas em carboidratos em detrimento das proteínas. Quando ocorrem os distúrbios de deglutição, o nutriente mais consumido é o carboidrato.

Pacientes com alguma disfunção renal, sobretudo os diabéticos devem ter o consumo de proteína controlado. Indivíduos cirróticos também tem o consumo de proteína restrito devido ao risco de piora do sensório, o que chamamos de encefalopatia hepática. A grande questão é que uma restrição excessiva e deliberada, leva a uma piora do estado nutricional e consequentemente a uma descompnesação da doença de base.

Um exemplo típico de que excesso do consumo de proteínas é danoso, é a formação de pedras nos rins (cálculos renais). E este excesso pode ser tanto por proteína da dieta, quanto por proteína suplementada.

 

Como consumir as proteínas?

Quando se fala em nutrição, a regra é o equilíbrio e a individualização. Uma dieta equilibrada deve conter em torno de 20 a 30% de proteínas, o que resultaria em torno de 1,8g de proteína/kg de peso. Tudo isso associado a uma boa hidratação e a prática regular de exercícios físicos.

O histórico pessoal e familiar deve ser investigado, e o uso de outras medicações associadas deve ser analisado. Não somente a função renal deve ser monitorada, lipidograma e dosagem de íons devem ser solicitados também. O objetivo desta cautela não é inibir a suplementação ou as dietas hiperprotéicas. É estimular um cuidado com a saúde e a prevenção de mazelas provenientes do mau uso dos macro e micronutrientes.

Um paciente com disfunção renal pode sim ser suplementado com proteínas, desde que ele não consiga ingerir o que lhe é recomendado. Pacientes que tem alterações nos rins, mas não fazem hemodiálise, tem um consumo recomendado de 0,8g/kg de peso. Os que fazem diálise, podem ter um consumo de cerca de 1,5g/kg de peso, isso porque o a hemodiálise retira o excesso de escórias nitrogenadas da circulação.

Jamais uma alimentação com excesso de algum macronutriente, seja ele qual for, e a suplementação devem ser recomendados sem antes um profissional da nutrição e um médico terem avaliado.

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Intestino Curto: por que falar disso?

Intestino Curto: por que falar disso?

O que é a Síndrome do Intestino Curto?

A síndrome do intestino curto (SIC), ou falência ou mesmo insuficiência intestinal, engloba todos as condições clínicas em que o funcionamento do trato digestivo é inadequado para se manter o bom estado nutricional sem algum suporte por via endovenosa (pelas veias).

Felizmente são situações raras que decorrem de doenças comuns, traumas abdominais e situações de má irrigação sanguínea dos intestinas (isquemias).

Classificação

A sídrome do intestino curto, ou falência intestinal é classificada de acordo com a sua duração.

  • Falência Intestinal Tipo 1: é uma forma aguda e transitória, ocorrida em pós-operatórios de cirurgias abdominais;
  • Falência Intestinal Tipo 2: forma que ocorre em situações de fistulas intestinais com grande drenagem de secreção (alto débito) e nas complexas. Estas fistulas podem ser decorrentes de cirurgias ou da doença de Crohn;
  • Falência Intestinal Tipo 3: este termo é usado para situaçnoes crônicas e definitivas. Geralmente ocorrem após ressecções intestinais extensas. E estas situaçnoes comprometem sobremaneira a absorção de nutrientes.

Pacientes que se submetem a grandes retiradas de alças intestinais tem risco alto de desenvolver a síndrome do intestine curto. Os mais graves são aqueles que remanescem com menos de um metro do intestino delgado com ileostomia (comunicação do intestino com a pele) ou os que ficam com menos de 50cm do intestine grosso em continuidade.

Fatores de Risco

Sim, é uma condição rara, e por que falar disso?

Há algumas situações que predispõem indiretamente ao surgimento desta condição. O tabagismo é uma delas. O cigarro é um grande causador de obstruções vasculares. Dentro os vasos de sangue que podem ser obstruídos estão os dos intestinos. Em suma, órgãos com irrigação de sangue comprometida morrem. Simples assim.

O diabetes também é uma outra situação que pode ocasionar obstruções vasculares e morte de tecidos.

Outros fatores que pioram o prognóstico de pacientes com intestine curto é a ausência do íleo, que é a porção mais final do intestino delgado. A presença deste região permite a secreção de alguns hormônios que estimulam a adaptacão intestinal e a tolerância alimentar. Este fatores tem o nome de Glucagon-like peptides 1 e 2 (GLP-1 e GLP2).

Tratamento

Como a desnutrição é a condição preponderante nestes casos, a terapia nutricional deve ser a primeira medida a ser instituída. A nutrição parenteral é mandatória em todos estes pacientes, pelo menos inicialmente.

Dietas específicas, sobretudo aquelas de rápida absorção, chamadas de oligoméricas, podem ser administradas por meio de sondas posicionadas no intestino. As fibras solúveis podem ser utilizadas por aumentarem o peso do bolo fecal.

Cirurgias de “alongamento” intestinal podem ser feitas somente nos casos em que os pacientes estiverem em situações nutricionais mais estáveis.

Alguns medicamentos podem ser utilizados para se reduzir a secreção intestinal, mas não estimulam a adaptação deste órgão. São eles: antidarreicos, inibidores de bomba protônica ou o octreotídeo.

Até recenteme, uma única substância que foi desenvolvida como capaz de melhorar a adaptacão intestinal é o teduglutide. Este medicamento simula as ações do GLP 1 e 2, como explicado anteriormente neste texto.

gastroenterologia, nutrologia e a cirurgia geral são as especialidades requeridas no acompanhamento de pacientes com esta patologia.

 

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Dieta e Fim de Ano

Dieta e Fim de Ano

E a dieta, como fica?

Despedimo-nos de um ano e recebemos um novo e a dieta, como fica? É praticamente uma rotina anual o exagero alimentar. É excessivo o consumo de alimentos gordurosos, ricos em carboidratos simples e sódio. É uma época em que a dieta saudável fica de lado e os exercícios também. Sentimo-nos inchados (literalmente mais pesados), com sintomas de má digestão e um mal funcionamento intestinal (tanto constipação quanto diarreia).

Não é o objetivo aqui pregar que devemos evitar estes excessos na época das festas de fim de ano. É época de reunir pessoas e confraternizar, e comida une pessoas. Vamos celebrar.

 

O que ocorre com nossos órgãos?

O fígado fica inflamado devido ao consumo excessivo de alimentos processados e gordurosos, além dos exageros com o álcool.

Pelo mesmo motivo, o intestino fica mais lento.  Acumulamos mais gases devido a ingestão excessiva de carboidratos simples.

Nesta época temos também uma maior tendência a perda de massa muscular, tanto pelo sedentarismo, quanto pelo consumo excessivo de álcool.

 

Foco em soluções. Como podemos melhorar?

Cessar o consumo excessivo destes alimentos é o primeiro passo. Deixemos o excesso restrito às festas.

Hidratação é mandatória. A água literalmente purifica. Somente evite consumi-la junto às refeições, deixe para 40 minutos antes ou após. Ingerir água junto com o almoço ou o jantar pode lentificar o processo digestivo.

Recupere a rotina regular de exercícios físicos o quanto antes.

Alguns alimentos tem propriedades que aceleram a recuperação do trato digestivo e a do nosso corpo como um todo, são eles:

  • Água: hidratação, com já dito, é fundamental para um bom funcionamento global do nosso corpo;
  • Abacate: alimento com boas gorduras e fibras. Além disso possui potentes antioxidantes que auxiliam no alívio da inflamação instalada sobre o fígado;
  • Azeite de Oliva: fonte de ômega nove, uma das boas gorduras, que tem ação importante ação antiinflamatória;
  • Folhas verdes: fontes de fibras e de potentes antioxidantes, que melhoram o funcionamento intestinal;
  • Frutas vermelhas: possuem potentes antiinflamatórios que atuam sobre o fígado;
  • Beterraba e cenoura: alimentos ricos em betacaroteno, substância que é convertida em vitamina A (retinol), ou então agir como um antioxidante;
  • Brócolis: possui substâncias que facilitam a eliminação de toxinas pelo fígado, além de ser uma boa fonte de fibras;
  • Limão: rica fonte de antioxidantes, além de facilitar o processo digestivo como um todo;
  • Gengibre: preparado sob a forma de chás ou ingerido puro, esta raiz melhora a digestão dos alimentos.

É importante associar ao consumo destes alimentos, uma dieta saudável e equilibrada. Boas fontes de proteínas, gorduras e carboidratos complexos continua sendo as melhores escolhas.

Uma avaliação gastroenterológica e nutricional no caso de sintomas persistentes devem ser sempre considerados.  Vamos celebrar e manter o cuidado com a saúde sempre.

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Microbiota Intestinal: Nosso Segundo Cérebro

Microbiota Intestinal: Nosso Segundo Cérebro

Microbiota intestinal, o que é?

Microbiota intestinal é o conjunto de bactérias que povoam nosso intestino. Trilhões delas habitam por lá.

E por que motivo estão lá? Estas bactérias estão no intestino por precisarem de energia para se manterem. Como nosso intestino é o que recebe, processa e absorve os alimentos, fica fácil entender o porquê de estarem lá.

Na verdade, estas bactérias tem funções primordiais para nossa sobrevivência. Fato é que, se fossem exterminadas, nossa sobrevivência seria impossível.

 

Segundo cérebro, como assim?

Nossas emoções tem diversas origens, e uma delas é a forma como nos alimentamos. Ou seja, quanto melhor for o estímulo sobre o intestino, mais benéfica será a nossa resposta cerebral.

Nosso intestino possui uma rede de neurônios que se comunica com o cérebro. Uma má alimentação estimula nosso corpo a produzir substâncias nocivas que atuam sobre receptores deste cérebro, ocasionando uma série de distúrbios.

O clichê “somos o que comemos” é uma grande verdade. A microbiota auxilia neste processo digestivo. E quanto mais saudável for a nossa dieta, mais saudável também será a nossa flora intestinal, algo que já foi comprovado por inúmeros estudos científicos.

 

Desequilíbrios da Microbiota Intestinal e a Doença

Indivíduos que tem uma dieta rica em alimentos processados e pobre em fibras, tem uma flora intestinal com uma predominância de bactérias patogênicas, ou seja, uma microbiota ruim. Por tal motivo, são indivíduos mais estressados.

Medicamentos também podem alterar a microbiota intestinal. Os exemplos mais comuns são os antibióticos. Hoje em dia há movimentos fortemente embasados que visam uma restrição maior do uso destes medicamentos, dado o aumento da resistência bacteriana, além destes desequilíbrios de flora.

Além disso, insônia, depressão e irritabilidade podem ser causados por desequilíbrios na microbiota. Alguns estudos mostram que pacientes com autismo, Parkinson e Alzheimer possuem uma seleção diferente destas bactérias no intestino.

O surgimento do câncer colorretal pode ter relação com desequilíbrios da flora intestinal.

Basta ingerir “boas bactérias” para ter uma “boa microbiota”?

Não é algo que se pode afirmar com tanta veemência, mas também não é algo que se pode ignorar. Existe uma identidade microbiológica sobre cada indivíduo. Muitas vezes uma ingestão de um “pool” de boas bactérias pode não ter efeito algum.

Suplementos ou medicamentos que contém populações bacterianas são os chamados probióticos. Estes probióticos já são utilizados no tratamento das patologias referidas acima, obviamente ainda com a necessidade de muitos estudos para indicações mais precisas e doses mais efetivas.

Algo muito promissor e com resultados altamente favoráveis, é o transplante da microbiota intestinal. Basicamente e de forma bem simplificada, este transplante consiste em pegar uma flora intestinal de um indivíduo saudável e transplantá-la num indivíduo doente.

Para se resumir, a grande questão é que, para se manter uma flora intestinal saudável, devemos alimentá-la com boas fontes de energia. A regra básica da redução da ingestão dos carboidratos altamente processados e consumo regular de fibras alimentares continua fortemente válida.

Há quem diga que num futuro próximo teremos chips que mapearão toda microbiobiota, fato que auxiliará numa máxima individualização terapêutica. Outros mais ousados, dizem que os melhores antidepressivos e ansiolíticos serão formulados com boas bactérias.

Procure um profissional capacitado, um gastroenterologista ou um profissional especialista em terapia nutricional para uma orientação mais individualizada.

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Gastrite Atrófica

Gastrite Atrófica

O que é a Gastrite Atrófica?

A gastrite atrófica é uma alteração num grupo de células do estômago, chamadas de células parietais. As funções primordiais destas células são a produção do ácido gástrico e a secreção do Fator Intrínseco, substância responsável pela absorção da vitamina B12.

 

Causas

A gastrite atrófica pode  ser causada por uma doença autoimune que ataca as células parietais, causando uma baixa produção do ácido gástrico e do fator intrínseco. Nestes casos, ela é uma doença hereditária autossômica dominante e um marcador desta condição é o anticorpo contra as células parietais, que se encontra em níveis elevados.

A gastrite atrófica também pode ocorrer em pessoas com infecção crônica causada pela bactéria H. pylori., embora ainda esta associação não esteja muito clara.

 

Condições Associadas

A gastrite atrófica se associa com a tireoidite de Hashimoto e 50% têm anticorpos contra a tireoide.

A falta de fator intrínseco causa deficiência de vitamina B12, resultando em anemia megaloblástica ou perniciosa.

A baixa produção de ácido causa também um aumento da gastrina (substância que estimula o crescimento das células parietais). Níveis aumentados de gastrina podem estimular o crescimento do tumor carcinoide.

Estes pacientes podem cursar com metaplasia, que é uma alteração reversível nas células parietais que passam, por sua vez, a ter características de outras células. Estes pacientes podem ter 3 vezes mais chances de desenvolverem o adenocarcinoma gástrico.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por biópsias endoscópicas. Os níveis de vitaminas B12 devem ser sempre dosados.

Exames endoscópicos repetidos com uma periodicidade pré determinada não são necessários. Os sintomas podem gerar demanda de novos exames ou então anormalidades suspeitas chamadas de displasias, lesões estas mais propícias a evolução para o câncer.

 

Tratamento

A reposição de vitamina B12 é sempre indicada. O uso de inibidores de bomba protônica (IBP) não deve ser indicado de rotina devido a baixa produção de ácido gástrico que é induzida por estes medicamentos e por conseguinte uma deficiência de vitamina B12.

O tratamento do H.pylori, quando presente, deve ser sempre considerado. A infecção crônica poder causar a gastrite atrófica e o risco de câncer gástrico está aumentado nestes pacientes, sobretudo naqueles com metaplasia.

Orientações alimentares são importantes, sobretudo no sentido de se evitar alimentos ricos em sal. Reduzir o consumo de alimentos industrializados e excessivamente processados pode auxiliar o processo digestivo e assim amenizar sintomas.

O acompanhamento gastroenterológico é indicado sempre. Reavaliações e exames laboratoriais e endoscópicos são indicados conforme a necessidade de cada paciente.

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O Envelhecimento e a Digestão dos Alimentos

O Envelhecimento e a Digestão dos Alimentos

Como o envelhecimento influencia na digestão dos alimentos?

O envelhecimento é uma condição inevitável e inerente a todo ser vivo, e que se inicia logo ao nascimento. O sistema digestivo é o conjunto de órgãos responsáveis pela digestão, absorção e aproveitamento dos alimentos.  É conhecido que este sistema talvez seja o que menos sofra com o avançar da idade, dada a sua grande reserva funcional. No entanto, algumas doenças ou condições que surgem com o envelhecimento do sistema digestivo são tão limitantes e desconfortáveis, que a melhor forma de se evitá-las é a prevenção.

 

Como cada órgão é afetado com o envelhecimento?

Boca

A salivação pode se reduzir com a idade, o que dificulta a mastigação e deglutição dos alimentos. Os dentes podem ser perdidos o que agravaria ainda mais estes processos.

Distúrbios na deglutição, denominados disfagia, dificultam a ingestão de alimentos sólidos e também de líquidos. Esta incoordenação pode se agravar e levar a situações de aspiração de alimentos para os pulmões.

Esôfago e Estômago

Estes órgãos têm suas contrações pouco reduzidas com a idade. Indivíduos mais idosos tendem a ter mais sintomas de empachamento e refluxo. O uso de alguns medicamentos tende a agravar estes sintomas, além de predispor ao surgimento de gastrites e úlceras. Grandes exemplos são os antiinflamatórios.

A produção de ácido gástrico tende a se reduzir e com isso o aproveitamento dos alimentos também fica prejudicado. O uso dos inibidores de bomba protônica (sobretudo por longos períodos) agrava esta condição. O ácido gástrico não é nenhum vilão, na verdade é um grande protetor contra infecções e situações de má digestão.

Intestino Delgado

A absorção de nutrientes quase não se altera com a idade. Há uma certa lentificação do peristaltismo, que grande parte das vezes não é sentida.

Há uma redução da produção da lactase, que é uma enzima que digere a lactose, fato que explica a progressiva intolerância a leite e derivados. Alterações na flora bacteriana podem ocorrer por diversos motivos, como uso de exagerado de antibióticos e antiácidos.

Intestino Grosso

Este órgão sofre muito com a ausência de ingestão de fibras vegetais ao longo da vida. Constipação intestinal, diverticulose e câncer colorretal são problemas que surgem com o envelhecimento.A redução na frequência de atividades físicas é outro fator que contribui para a constipação intestinal.

Fígado, Pâncreas e Vias Biliares

O tamanho do pâncreas se reduz com a idade, mas isso quase não interfere em seu funcionamento. O fígado também reduz de tamanho e por consequência, a metabolização de algumas substâncias fica prejudicada. Este fato explica o aumento da incidência de efeitos colaterais de alguns medicamentos.

 

Como amenizar os efeitos do envelhecimento no sistema digestivo?

Não é clichê dizer mais uma vez que a alimentação equilibrada é a chave para um envelhecimento saudável. De fato, somos o que ingerimos. A redução no consumo de carboidratos processados não somente auxilia no controle do peso. Este tipo de alimento danifica totalmente a microbiota intestinal. O uso de carboidratos complexos, em equilíbrio com fibras, proteínas de boa qualidade e uma adequada hidratação minimiza este dano.

O câncer colorretal, uma doença que tem relação com o envelhecimento intestinal, é prevenido com medidas de adequação alimentar, sobretudo de fibras.

Exercícios físicos regulares são também pilares para um envelhecimento saudável.

Importante ressaltar, os cuidados com a saúde não devem se iniciar tardiamente. Estas medidas devem ocorrer ao longo da vida, desde sempre, de preferência ao nascer. Prevenção sempre será o melhor remédio. Procure sempre um profissional capacitado para uma orientação mais individualizada.

 

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Diverticulite ou Diverticulose?

Diverticulite ou Diverticulose?

A diverticulite é a inflamação de divertículos intestinais. Estes divertículos são pequenas bolsas ou sacos na parede intestinal, que surgem em pontos de maior fragilidade, geralmente onde os vasos de sangue que irrigam o intestino se inserem.

A diverticulose colônica é um mal que surge devido ao processo de envelhecimento natural do intestino. É importante diferenciar diverticulite aguda e diverticulose.

 

Como diferenciar diverticulite de diverticulose?

A diverticulite é uma inflamação de um ou mais divertículos. Ela se caracteriza por dor abdominal contínua, geralmente do lado esquerdo, prostração e febre.

A diverticulose  é um conjunto de divertículos no intestino. Ela pode não ter sintomas ou então cursar com dores abdominais intermitentes sem associação com febre.

 

Como proceder diante da suspeita de diverticulite?

O paciente com suspeita de diverticulite aguda deve procurar de imediato um pronto atendimento. Pacientes mais jovens, sem comorbidades tipo diabetes, hipertensão ou obesidade, e com sintomas brandos, podem ser tratados em casa, mas devem ser reavaliados periodicamente. Em casos mais graves, a internação hospitalar é indicada.

 

Alimentação e Mitos

A principal forma de prevenção da diverticulite aguda é evitar o surgimento destes divertículos e por isso é tão importante abordar as formas de prevenir a diverticulose colônica.

Uma alimentação equilibrada que preconiza a utilização de fibras alimentares de forma regular e em quantidades suficientes por dia, pode evitar o surgimento dos divertículos. A hidratação é fundamental pois dietas ricas em fibras, mas pobres em líquidos, podem cursar com distensão abdominal por gases e constipação, fatores estes que poderiam inclusive precipitar o surgimento de divertículos.

Boas fontes de proteína (peixes e ovos) e de carboidratos (alimentos integrais), também são formas de prevenção da diverticulose. O sobrepeso e a obesidade são patologias que lentificam o funcionamento intestinal. Além disso, enfraquecem precocemente sua parede e podem predispor ao surgimento de divertículos.

A ingestão de sementes sempre foi proibida em pacientes com diverticulite e diverticulose. Acreditava-se que, por não serem digeridas pelo trato digestivo, poderiam entrar num destes divertículos e ocasionar ou piorar a inflamação. Novos estudos mostram tratar-se de um mito. Pacientes que têm diverticulite ou diverticulose podem e devem ingerir sementes. As sementes são fontes de fibras e micronutrientes que contribuem para o bom funcionamento intestinal. O incentivo a uma efetiva mastigação deve ser feito nestes pacientes para um maior aproveitamento destas fibras.

 

Atividade Física

A prática de exercícios físicos tem função preventiva, além de manter um peso saudável, contribui para o regular funcionamento intestinal.

 

Mensagem Final

Uma alimentação equilibrada e individualizada de acordo com as necessidade nutricionais de cada indivíduo associada à prática regular de exercícios físicos, são fatores que previnem o surgimento de divertículos e, consequentemente, da diverticulite.

Hidratação, fibras alimentares (incluindo as sementes), boas fontes de proteínas e de carboidratos complexos são indicados. Dietas ricas em gorduras saturadas, alimentos processados (carboidratos simples), sódio em excesso e sedentarismo são fatores que devem ser banidos.

 

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