gastroenterologia

Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Exercício Físico em Excesso pode Prejudicar a Perda de Peso?

Muitos pacientes tem uma tendência a querer exagerar no exercício físico com o objetivo de acelerar a perda de peso. Como um raciocínio matemático, acreditamos que quanto mais nos exercitamos, mais peso perdemos.

Existe uma série de fatores a serem considerados quando se trata deste assunto, quase que uma lista de checagem para se avaliar se os objetivos traçados estão sendo alcançados e de fato estão corretos.

 

Alimentação Saudável

É preciso entender que uma alimentação saudável não passa por restrição exagerada de alimentos. O fato de limitar em demasia a a ingestão alimentar ocasiona sim uma perda de peso, no entanto, perde-se gordura e massa muscular. E perder massa muscular nunca é uma boa opção quando o assunto é adequação de peso.

 

Peso e Composição Corporal

Frases meio que desapontadas tipo “a balança é minha inimiga, não perco peso, mas tenho notado que minhas medidas estão reduzindo” são comuns. Na verdade, o peso é somatória de todos os tecidos corporais, ou seja, água, massas gordurosa e muscular e minerais. 

O que ocorre é que o tecido muscular pode aumentar quando a alimentação está adequada e a atividade física executada de forma correta, e isso é um ponto positivo. Por isso a avaliação da composição corporal através de métodos como antropometria ou bioimpedância são indicados.

 

Atividade Física

É sempre interessante combinar exercícios aeróbicos com algum exercício de resistência. Este último tem grande influência no aumento da massa muscular, que funciona como um “freio” no aumento da massa gordurosa.

O músculo aumenta a TMB (Taxa Metabólica Basal) que é basicamente a energia utilizada para manter a vida (respiração, batimentos cardíacos). A alimentação é forma de prover esta energia, assim como o tecido gorduroso, que é um depósito de energia.

 

Repouso

A ausência do repouso, após períodos de atividade física, dificulta a recuperação muscular. É como se o nosso corpo entrasse num estado de estresse contínuo. E nesta situação, substâncias inflamatórias são produzidas. E mais uma vez músculos são perdidos e, de certa forma, “substituídos” por tecido gorduroso.

 

Alertas

Excesso de exercício físico além de induzir a lesões articulares e ósseas, pode levar ao overtraining. Esta é uma condição resultante de se fazer mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar.

Distúrbios de autoimagem, vigorexia (insatisfação constante com o corpo, que afeta principalmente os homens, levando-os à prática exaustiva de exercícios físicos), depressão ou mesmo uso de anabolizantes podem resultar desta prática excessiva de exercícios físicos.

 

Resumindo

Perda de peso implica em perda de massa gordurosa e muscular. A todo custo o músculo deve ser preservado e estimulado. Repouso ou mesmo atividades de relaxamento devem ser estimulados nestes intervalos. Alimentação saudável é um fato, sempre deve ser feita. A suplementação deve ser orientada por profissional capacitado. 

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Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: Mito ou Fato?

Há tempos divulga-se, como um gerador de boa saúde, o ato de se comer de 3 em 3 horas. Grupos de profissionais de saúde ou de não profissionais, com certa frequência, defendem o fato de que ingestões alimentares regulares aceleram o metabolismo. Isso poderia auxiliar na perda de gordura e aumentar a massa muscular.

 

O que é mito?

É sempre bom, quando se discute este assunto, rever o hábito alimentar do homem primitivo. Este, por sua vez, permanecia dias sem se alimentar, indo sempre em busca de seus alimentos. Hoje, a um toque no aplicativo do celular, o alimento é entregue em nosso domicílio. A grande consequência disso é o vertiginoso aumento da população de indivíduos com sobrepeso ou obesidade.

Alimentar-se de 3 em 3 horas, de alimentos ricos em carboidratos processados (refinados ou industrializados) associado ao sedentarismo, ocasiona inegavelmente o aumento de peso. Além disso, este ato não aumenta metabolismo de uma forma geral. O que aumenta a Taxa Metabólica Basal (energia que gastamos simplesmente para nos manter vivos) é algo que tem relação com a nossa massa muscular. Massa muscular, por sua vez tem relação com ingestão adequada de proteínas e atividade física.

Em condições de saúde e atividade, períodos prolongados de jejum não alteram o nosso metabolismo e não acentuam a perda muscular, desde que associado a equilibrada ingestão proteico calórica.

Isso já não se aplica a condições de doença em que há um consumo acelerado de nutrientes, o chamado hipercatabolismo. Já discutimos em textos anteriores que jejuns prolongados pioram a resposta ao tratamento de qualquer doença por deteriorarem o estado nutricional do indivíduo.

 

De fato, o que é fato?

O fato é que generalizações nunca funcionam. A individualização terapêutica deve ser instituída a todo e qualquer indivíduo. A alimentação pode até ser de 3 em 3 horas, desde que o este indivíduo consuma esta energia adquirida e que este alimento consumido seja de qualidade.

Não é factível “obrigar” uma pessoa a comer sem ter vontade e sem ter um fator de gasto energético associados (relaciono isso a atividade física). Adequar a oferta alimentar a necessidade e a disponibilidade do paciente, promovem um engajamento do mesmo com a sua saúde.

Três ou quatro refeições diárias, associadas a períodos mais prolongados de jejum não é algo que seja execrável.

Situações específicas podem impor alguma regularidade de horário nas refeições. Um exemplo disto é o paciente diabético usuário de insulina. Ou pacientes que estão em processo de perda ponderal expressiva geralmente após cirurgias de redução do estômago.

 

Conclusão

Alimentar-se deve ser fruto de uma necessidade aplicada a funcionalidade de cada ser humano. Não é uma obrigação baseada em suposições ou mitos.  O que serve para um, pode não servir a outro. E por este motivo a generalização não é aplicável. A orientação de um profissional capacitado em terapia nutricional ou gastroenterologista é sempre indicada em situações de dúvida ou doença. Válido sempre dizer, este artigo não substitui uma consulta presencial.

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Atividade Física em Processos de Adoecimento

Atividade Física em Processos de Adoecimento

Doença e Massa Muscular

Não é incomum, em qualquer processo de adoecimento, ouvirmos de conhecidos ou mesmo do médico assistente a seguinte frase: “faça repouso absoluto e não se exercite”. A contraindicação ao exercício físico, mesmo em procedimentos pequenos ou doenças com gravidade baixa ainda é uma recomendação bastante disseminada.

O grande problema da imobilidade prolongada desencadeada por alguma doença é a perda progressiva da massa muscular corporal. O adoecimento gera uma série de substâncias inflamatórias em nosso corpo que causam o catabolismo (quebra) muscular. Além disso, estas mesmas substâncias ocasionam a perda do apetite o que agrava ainda mais este problema.

 

A importância da atividade física na doença

Há ainda que restrinja a atividade física na doença pelo temor da perda de peso. No entanto, e isso já foi comprovado por vários estudos científicos, a prática de atividade física, e isso inclui exercícios resistidos e a própria fisioterapia, melhora a resposta aos tratamentos instituídos e acelera o processo de recuperação.

Pacientes internados em UTI tem sua melhora acelerada desde que mobilizados precocemente. Obviamente, este exercício tem que ser associado a uma oferta adequada de proteínas.

Este fato pode ser extrapolado para pacientes fora da UTI.  A atividade física é benéfica em pacientes idosos, pacientes que estão em tratamentos oncológicos e naqueles que estão em pós-operatórios. Tudo isso sempre associado a uma alimentação equilibrada e com oferta adequada de proteínas.

 

Indicações

Todo paciente deve ser mobilizado.

A adequação do exercício deve ser individualizada.

O repouso absoluto é uma prática que deve ser limitada a curtos períodos. Deve ser prescrito somente se a condição clínica do paciente não permita sob nenhuma hipótese. O acompanhamento interdisciplinar incluindo especialista em terapia nutricional, fisioterapeuta e educador físico é recomendado nestes casos.

Em resumo, atividade física e ingestão adequada de proteínas acelera a recuperação de qualquer paciente. Sendo estas práticas bem recomendadas e seguras.

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Encurtamento do Jejum Pré-Operatório

Por muito tempo praticou-se o jejum prolongado como preparo para cirurgias. Muitos serviços ainda praticam o este jejum prolongado, mas felizmente aos poucos esta prática tem mudado.

Jejum pra quê?

Historicamente o jejum pré operatório era indicado com a finalidade de se evitar a aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões após a indução anestésica. A alegação principal era a de que os medicamentos utilizados na anestesia lentificavam o esvaziamento do estômago.

Mudança de paradigmas

Novos estudos controlados e de grande confiabilidade demonstraram que não há prejuízos clínicos para os pacientes que se submetem ao jejum pré operatório mais curto. Na verdade, verificou-se melhores respostas cirúrgicas em pós operatórios naqueles pacientes que fizeram jejum encurtado.

Tal encurtamento é para um período de duas horas. Ou seja, é possível e indicado reduzir de 12 para 2 horas o jejum pré operatório e se obter mais sucesso nos desfechos de pós operatório.

Quais são os benefícios?

Os principais benefícios constatados com o encurtamento do jejum pré operatório são:

Há alguma exceção a este jejum encurtado?

De fato, alguns pacientes ainda devem manter jejuns mais prolongados antes de se submeterem a cirurgias. Pacientes que tem um funcionamento gástrico mais reduzido, o que chamamos de gastroparesia, são os que tem tal indicação.

Pacientes diabéticos e aqueles que têm a doença do refluxo gastroesofágico devem ser avaliados com mais critérios antes de terem seu jejum encurtado.

E como deve ser feito este jejum encurtado?

O médico assistente, de preferência o de uma EMTN ( Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional) deve avaliar cada paciente e individualizar seu preparo nutricional.

Em média, permite-se a ingestão de refeições leves até cerca de 6 horas antes da cirurgia. Até 2 horas antes do procedimento, recomenda-se a ingestão de líquidos claros, ou seja, maltodextrina diluída em água. Caso o procedimento atrase, a ingestão desta solução pode ser repetida. Hoje em dia já existem suplementos destinados a esta finalidade.

Resumindo…

Todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia deve ser avaliado quanto a possibilidade do encurtamento do jejum pré operatório. Trabalhos sérios e grandes estudos já evidenciaram a segurança desta prática. O benefício é inquestionável e factível. Deve ser algo recomendado pelo médico que assiste ao paciente, obviamente atentando-se para as indicações, e deve ser exigido pelo paciente.

Converse com seu médico sobre a indicação e a segurança do jejum encurtado. Lembrando que este artigo não substitui nenhuma consulta ou conversa presencial com o profissional capacitado.

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Suplementos Alimentares, pra quê?

Suplementos Alimentares, pra quê?

O que são os suplementos alimentares?

Os suplementos alimentares são substâncias elaboradas industrialmente. Eles têm o objetivo, como o próprio nome diz, de complementar algum nutriente que porventura falte na alimentação de um determinado indivíduo.

Via de regra, os suplementos jamais podem substituir uma alimentação saudável e equilibrada. Mas sim complementá-la e enriquecê-la com algum nutriente fundamental e faltoso nesta dieta.

 

Como os suplementos alimentares podem ser classificados?

Os suplementos alimentares são classificados conforme a sua composição e a sua finalidade.

De acordo com a composição, os suplementos pode ser proteicos, de fibras, de carboidratos, de lipídios, polivitamínicos e probióticos. 

Neste grupo, há os suplementos alimentares ditos completos. Geralmente tem alto valor calórico e são compostos por todos os micro e macronutrientes, por isso são classificados como completos.

Dentre os suplementos alimentares, o mais popularmente conhecido é o whey protein. Este é a proteína do soro do leite, comercializado isolado, ou associado a outros nutrientes.

Seguem abaixo alguns outros exemplos de suplementos distribuídos conforme sua composição..

Suplementos de proteínas:

  • Proteína do soro do leite (whey protein)
  • Caseína
  • Albumina
  • Aminoácidos
  • Proteínas vegetais
  • Proteínas da carne

Suplementos de carboidratos:

  • Maltodextrina

Suplementos de lipídeos:

  • Óleo de coco e de peixe

De acordo com a finalidade , há os suplementos auxiliadores ergogênicos. O objetivo destes suplementos é melhorar a performance de atletas ou praticantes de atividade física durante o exercício.

 

Como usar?

Cada suplemento deve ser utilizado com algum propósito, como por exemplo, auxílio no aumento de massa muscular, fornecimento de energia durante os treinos, complementação dietética em pacientes que tem uma ingestão alimentar reduzida, dentre outros.

Fato é que nenhum deles alimentar emagrece. Aliás, nenhum alimento emagrece. É importantíssimo ter ciência disso. É muito comum, pessoas se utilizarem de algum suplemento com tal finalidade, mas sem se adequar ao propósito dele.

A utilização de algum suplemento baseando-se na máxima “é alimento, logo não faz mal” é um desmazelo com a própria saúde. Se isso fosse verdade, não haveria intoxicação alimentar.

Em resumo, existe um gama vastíssima de suplementos alimentares. Algumas vezes, um mesmo suplemento pode ser utilizado com finalidades diferentes e por tal motivo a individualização nutricional deve ser adotada. Consultar-se com profissionais capacitados, informar-se em boas fontes de pesquisa, e ter bom senso, são sempre as melhores respostas. A saúde é a prioridade!

Reforço que este artigo não substitui uma consulta médica presencial.

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HMB: o que é e quais são as suas aplicações

HMB: o que é e quais são as suas aplicações

O HMB, ou hidroximetil butirato, é um suplemento alimentar que tem adquirido notoriedade não apenas pelo uso por atletas ou indivíduos desejosos por ganho de massa muscular.

A aplicabilidade do HMB na prática clínica tem se consolidado sobretudo com pacientes que têm na preservação da massa muscular a motivação principal de sua recuperação.

Os exemplos mais comuns são:

 

O que é o HMB?

O HMB é um metabólito da degradação da leucina. Este é um aminoácido encontrado em pequenas quantidades na dieta, principalmente no peixe e no leite. O nosso corpo também produz o HMB, numa quantidade de 0,25 a 1g/dia.

E esta produção torna-se insuficiente em situações de estresse metabólico. Exemplos mais comuns são o câncer, em infecções graves, perda de peso importante após cirurgias de redução de estômago.

Em atividades de hipertrofia, o HMB é utilizado para provisão do ganho muscular.

 

Como age o HMB?

Os resultados dos estudos sobre a eficácia do HMB ainda são controversos. O que tem sido verificado de forma mais consistente é que o dano muscular se reduz em indíviduos que consomem regularmente o HMB. Este dano é dosado através da avaliação dos níveis da enzima CK (creatinoquinase). E por tal motivo, em atletas, o HMB seria indicado em treinamentos mais prolongados.

Outros estudos clínicos demonstram que o HMB atua como um inibidor da perda muscular em situações de estresse, sendo por isso indicado em pacientes em situações de catabolismo.

A dose que se recomenda é a de 1,5 a 3g/dia, podendo-se chegar a até 6g ao dia. O HMB já pode ser encontrado adicionado a suplementos hipercalóricos completos (com carboidratos, proteínas, fibras e lipídios, além de polivitamínicos). Pode ser tamb´m encontrado isolado em forma de comprimidos, cápsulas ou pó.

É um suplemento que deve ser utilizado com cautela em pacientes com insuficiência renal ou naqueles que têm hipercalcemia (elevação do cálcio).

Mesmo sendo um suplemento bem tolerado e com baixo índice de efeitos colaterais, ele deve ser orientado por um profissional capacitado em terapia nutricional, seja ele médico ou nutricionista. A avaliação clínica e laboratorial antes do uso de qualquer suplemento é mandatória.

E é sempre importante frisar, este artigo NÃO substitui uma consulta médica presencial.

Jamais utilize de forma indiscriminada qualquer medicamento ou mesmo suplemento, saúde não tem preço!

 

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Alimentação e Inflamação, qual a relação?

Alimentação e Inflamação, qual a relação?

Sim, de fato uma alimentação saudável tem uma ação sobre a inflamação em nosso corpo. E como sabemos que estamos inflamados? Na verdade, há dois tipos de inflamação: a aguda e a crônica. A aguda é aquela decorrente de algum trauma ou infecção e é manifestada como uma vermelhidão na pele ou mesmo dor.

A inflamação crônica é silenciosa, assintomática e por tal motivo é a mais perigosa. De uma forma mais geral, ela pode ser resultante de sobrepeso e obesidade. O estresse também é uma condição que perpetua essa inflamação.

Existem algumas doenças, sobretudo as do colágeno, ou doenças reumáticas, que também ocasionam uma inflamação crônica. São condições que normalmente demonstram necessidade de uso de medicamentos, mas a alimentação pode influenciar enormemente na intensidade de sintomas.

Como suspeitar dessa inflamação?

A inflamação crônica normalmente é assintomática. O jeito mais simples de se suspeitar é constatando-se um percentil de gordura corporal (PGC) aumentada. Este PGC aumentado pode ocasionar sintomas como insônia, depressão e irritabilidade.

A fadiga exagerada para se realizar simples atividades é uma condição que pode estar relacionada a este estado inflamatório crônico.

Não há necessidade crucial em se definir se há uma inflamação ou mesmo em se determinar o seu nível de gravidade, utilizando algum exame de sangue ou de imagem específicos.

A dosagem de colesterol, glicose, ácido úrico e proteínas inflamatórias no sangue tem a função de se avaliar as complicações deste estado inflamatório crônico, que são o diabetes, a hipertensão ou as doenças vasculares.

Exames como a antropometria ou a bioimpedância seriadas são importantes no acompanhamento da perda de peso corporal.

E que hábitos alimentares são os vilões neste estado inflamatório?

Os alimentos processados são grandes causadores desta inflamação. Carboidratos refinados são os mais envolvidos neste processo. O consumo excessivo de carnes e gorduras podem também ser responsáveis.

O tecido adiposo, ou a gordura corporal,  quando em excesso, leva a um aumento na produção de substâncias inflamatórias, chamadas de citocinas. De uma forma simplificada, este é o principal mecanismo da inflamação.

 

Existe alguma dieta antiinflamatória?

O princípio básico de qualquer dieta antiinflamatória, é a redução no consumo deste agentes pró inflamatórios. Não faz nenhum sentido consumir alimentos com características antiiflamatórias, sem modificar o consumo dos agentes causadores da inflamação.

O consumo adequado de água e a prática regular de exercícios físicos são medidas incluídas na dieta antiinflamatória.

Quais alimentos devem ser evitados?

  • Sucos industrializados ou bebidas com adição de açúcar;
  • Carboidratos refinados: pão braco, bolos, massas de farinha refinada;
  • Gorduras hidrogenadas ou trans e certos óleos: margarinas e óleos de milho e soja;
  • Lanches: “snacks”, batatas fritas ou petiscos;
  • Carnes processadas ou embutidos;
  • Excesso de bebidas alcoólicas.

 

Após a adequação alimentar, quais alimentos podem ser adicionados devido ao seu perfil antiinflamatório?

  • Vegetais: aspargos, brócolis, couve, agrião;
  • Oleaginosas: castanhas de caju e do Pará;
  • Azeite de oliva;
  • Frutas vermelhas: morango, mirtilo, framboesa, acerola;
  • Peixes: sardinha e anchovas;
  • Grãos: lentilhas
  • Especiarias: açafrão ou cúrcuma, pimentas, gengibre e canela.

 

O que pode ser melhorado com a dieta antiinflamatória?

O controle de peso é o principal objetivo. Em consequência, os níveis de pressão e de glicose são melhor controlados.

O perfil lipídico e a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) são melhorados.

Doenças como o lúpus e artrites, tem sua atividade controlada em pacientes com uma dieta saudável e com características antiinflamatórias.

Em suma, a dieta antiinflamatória não é mais um modismo. É uma denominação para a alimentação saudável. A inflamação é uma condição que gera sofrimento ao nosso corpo e, por tal motivo, devemos preveni-la e combate-la de imediato.

Um profissional capacitado em terapia nutricional deve ser sempre consultado. Qualquer medida terapêutica deverá ser individualmente orientada para que o alívio dessa inflamação e o tratamento de suas complicações (obesidade, diabetes, hipertensão) sejam efetivamente alcançados

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Dieta e Fim de Ano

Dieta e Fim de Ano

E a dieta, como fica?

Despedimo-nos de um ano e recebemos um novo e a dieta, como fica? É praticamente uma rotina anual o exagero alimentar. É excessivo o consumo de alimentos gordurosos, ricos em carboidratos simples e sódio. É uma época em que a dieta saudável fica de lado e os exercícios também. Sentimo-nos inchados (literalmente mais pesados), com sintomas de má digestão e um mal funcionamento intestinal (tanto constipação quanto diarreia).

Não é o objetivo aqui pregar que devemos evitar estes excessos na época das festas de fim de ano. É época de reunir pessoas e confraternizar, e comida une pessoas. Vamos celebrar.

 

O que ocorre com nossos órgãos?

O fígado fica inflamado devido ao consumo excessivo de alimentos processados e gordurosos, além dos exageros com o álcool.

Pelo mesmo motivo, o intestino fica mais lento.  Acumulamos mais gases devido a ingestão excessiva de carboidratos simples.

Nesta época temos também uma maior tendência a perda de massa muscular, tanto pelo sedentarismo, quanto pelo consumo excessivo de álcool.

 

Foco em soluções. Como podemos melhorar?

Cessar o consumo excessivo destes alimentos é o primeiro passo. Deixemos o excesso restrito às festas.

Hidratação é mandatória. A água literalmente purifica. Somente evite consumi-la junto às refeições, deixe para 40 minutos antes ou após. Ingerir água junto com o almoço ou o jantar pode lentificar o processo digestivo.

Recupere a rotina regular de exercícios físicos o quanto antes.

Alguns alimentos tem propriedades que aceleram a recuperação do trato digestivo e a do nosso corpo como um todo, são eles:

  • Água: hidratação, com já dito, é fundamental para um bom funcionamento global do nosso corpo;
  • Abacate: alimento com boas gorduras e fibras. Além disso possui potentes antioxidantes que auxiliam no alívio da inflamação instalada sobre o fígado;
  • Azeite de Oliva: fonte de ômega nove, uma das boas gorduras, que tem ação importante ação antiinflamatória;
  • Folhas verdes: fontes de fibras e de potentes antioxidantes, que melhoram o funcionamento intestinal;
  • Frutas vermelhas: possuem potentes antiinflamatórios que atuam sobre o fígado;
  • Beterraba e cenoura: alimentos ricos em betacaroteno, substância que é convertida em vitamina A (retinol), ou então agir como um antioxidante;
  • Brócolis: possui substâncias que facilitam a eliminação de toxinas pelo fígado, além de ser uma boa fonte de fibras;
  • Limão: rica fonte de antioxidantes, além de facilitar o processo digestivo como um todo;
  • Gengibre: preparado sob a forma de chás ou ingerido puro, esta raiz melhora a digestão dos alimentos.

É importante associar ao consumo destes alimentos, uma dieta saudável e equilibrada. Boas fontes de proteínas, gorduras e carboidratos complexos continua sendo as melhores escolhas.

Uma avaliação gastroenterológica e nutricional no caso de sintomas persistentes devem ser sempre considerados.  Vamos celebrar e manter o cuidado com a saúde sempre.

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Simbióticos, o que são?

Simbióticos, o que são?

Definições e Indicações de Uso dos Simbióticos

Simbióticos são suplementos alimentares cuja ingestão tem o objetivo de melhorar a flora intestinal. São bastante utilizados em pacientes com diarreia ou constipação intestinal.

Algumas formulações são indicadas para tratamento de sobrepeso e obesidade. Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) tem também indicações de uso.

Os simbióticos podem ser usados em doenças inflamatórias intestinais, como na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa. No entanto, há necessidade de maior aclaramento científico sobre a eficácia de seu uso.

 

Do que são feitos os simbióticos?

Simbióticos são um produtos nos quais se combinam prebióticos e probióticos. Geralmente são encontrados em formulações de cápsulas ou em pó. Existe simbiótico natural também e um excelente exemplo é o leite materno, indispensável a alimentação humana nos primeiros meses de vida.

Os probióticos são microrganismos vivos que conferem benefícios à saúde de quem os ingere. Exemplos disso são a redução do risco de infecções intestinais, sobretudo em pacientes usuários crônicos de antibióticos. São utilizados em pacientes com diarreia com duração mais prolongada também. Alguns alimentos contém probióticos, como leites fermentados, iogurtes e queijos.

Já os prebióticos são as fibras alimentares, ou seja, elementos não digeríveis pelo trato gastrointestinal. Eles estimulam seletivamente a proliferação ou atividade de bactérias desejáveis ao cólon. Exercem importantes efeitos no controle do colesterol, na prevenção do câncer colorretal, controle de síndromes diarreicas ou mesmo constipação.

Há também os postbióticos, que são metabólicos bacterianos. Eles tem uma importante função no sistema imunitário, sobretudo em indivíduos gravemente imunossuprimidos. O principal exemplo deste é o butirato.

 

Orientações de Uso

Ressalta-se que a ingestão desses suplementos alimentares, deve ser feita de uma forma mais prolongada em alguns casos, sobretudo nas diarreias crônicas. Na verdade, tal ingestão é profilática, ou seja, previne o prolongamento dos sintomas, já que a duração da colonização após a ingestão, não dura mais que uma semana.

Na obesidade, sobrepeso e esteatose, a determinação do uso de simbióticos necessita de mais estudos definidores acerca de doses e tempo de uso. Apesar disso já são suplementos utilizados com certa tranquilidade nestas patologias.

Nunca é demais dizer que o acompanhamento deve ser individualizado e orientado por profissional capacitado. E também que para tratamento de qualquer patologia do trato digestivo ou mesmo síndrome metabólica e patologias relacionadas ao peso, a revisão e correção dos hábitos alimentares é mandatória e determinante.

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Gastrite Atrófica

Gastrite Atrófica

O que é a Gastrite Atrófica?

A gastrite atrófica é uma alteração num grupo de células do estômago, chamadas de células parietais. As funções primordiais destas células são a produção do ácido gástrico e a secreção do Fator Intrínseco, substância responsável pela absorção da vitamina B12.

 

Causas

A gastrite atrófica pode  ser causada por uma doença autoimune que ataca as células parietais, causando uma baixa produção do ácido gástrico e do fator intrínseco. Nestes casos, ela é uma doença hereditária autossômica dominante e um marcador desta condição é o anticorpo contra as células parietais, que se encontra em níveis elevados.

A gastrite atrófica também pode ocorrer em pessoas com infecção crônica causada pela bactéria H. pylori., embora ainda esta associação não esteja muito clara.

 

Condições Associadas

A gastrite atrófica se associa com a tireoidite de Hashimoto e 50% têm anticorpos contra a tireoide.

A falta de fator intrínseco causa deficiência de vitamina B12, resultando em anemia megaloblástica ou perniciosa.

A baixa produção de ácido causa também um aumento da gastrina (substância que estimula o crescimento das células parietais). Níveis aumentados de gastrina podem estimular o crescimento do tumor carcinoide.

Estes pacientes podem cursar com metaplasia, que é uma alteração reversível nas células parietais que passam, por sua vez, a ter características de outras células. Estes pacientes podem ter 3 vezes mais chances de desenvolverem o adenocarcinoma gástrico.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por biópsias endoscópicas. Os níveis de vitaminas B12 devem ser sempre dosados.

Exames endoscópicos repetidos com uma periodicidade pré determinada não são necessários. Os sintomas podem gerar demanda de novos exames ou então anormalidades suspeitas chamadas de displasias, lesões estas mais propícias a evolução para o câncer.

 

Tratamento

A reposição de vitamina B12 é sempre indicada. O uso de inibidores de bomba protônica (IBP) não deve ser indicado de rotina devido a baixa produção de ácido gástrico que é induzida por estes medicamentos e por conseguinte uma deficiência de vitamina B12.

O tratamento do H.pylori, quando presente, deve ser sempre considerado. A infecção crônica poder causar a gastrite atrófica e o risco de câncer gástrico está aumentado nestes pacientes, sobretudo naqueles com metaplasia.

Orientações alimentares são importantes, sobretudo no sentido de se evitar alimentos ricos em sal. Reduzir o consumo de alimentos industrializados e excessivamente processados pode auxiliar o processo digestivo e assim amenizar sintomas.

O acompanhamento gastroenterológico é indicado sempre. Reavaliações e exames laboratoriais e endoscópicos são indicados conforme a necessidade de cada paciente.

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