estetatose

Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: mito ou fato?

Comer de 3 em 3 horas: Mito ou Fato?

Há tempos divulga-se, como um gerador de boa saúde, o ato de se comer de 3 em 3 horas. Grupos de profissionais de saúde ou de não profissionais, com certa frequência, defendem o fato de que ingestões alimentares regulares aceleram o metabolismo. Isso poderia auxiliar na perda de gordura e aumentar a massa muscular.

 

O que é mito?

É sempre bom, quando se discute este assunto, rever o hábito alimentar do homem primitivo. Este, por sua vez, permanecia dias sem se alimentar, indo sempre em busca de seus alimentos. Hoje, a um toque no aplicativo do celular, o alimento é entregue em nosso domicílio. A grande consequência disso é o vertiginoso aumento da população de indivíduos com sobrepeso ou obesidade.

Alimentar-se de 3 em 3 horas, de alimentos ricos em carboidratos processados (refinados ou industrializados) associado ao sedentarismo, ocasiona inegavelmente o aumento de peso. Além disso, este ato não aumenta metabolismo de uma forma geral. O que aumenta a Taxa Metabólica Basal (energia que gastamos simplesmente para nos manter vivos) é algo que tem relação com a nossa massa muscular. Massa muscular, por sua vez tem relação com ingestão adequada de proteínas e atividade física.

Em condições de saúde e atividade, períodos prolongados de jejum não alteram o nosso metabolismo e não acentuam a perda muscular, desde que associado a equilibrada ingestão proteico calórica.

Isso já não se aplica a condições de doença em que há um consumo acelerado de nutrientes, o chamado hipercatabolismo. Já discutimos em textos anteriores que jejuns prolongados pioram a resposta ao tratamento de qualquer doença por deteriorarem o estado nutricional do indivíduo.

 

De fato, o que é fato?

O fato é que generalizações nunca funcionam. A individualização terapêutica deve ser instituída a todo e qualquer indivíduo. A alimentação pode até ser de 3 em 3 horas, desde que o este indivíduo consuma esta energia adquirida e que este alimento consumido seja de qualidade.

Não é factível “obrigar” uma pessoa a comer sem ter vontade e sem ter um fator de gasto energético associados (relaciono isso a atividade física). Adequar a oferta alimentar a necessidade e a disponibilidade do paciente, promovem um engajamento do mesmo com a sua saúde.

Três ou quatro refeições diárias, associadas a períodos mais prolongados de jejum não é algo que seja execrável.

Situações específicas podem impor alguma regularidade de horário nas refeições. Um exemplo disto é o paciente diabético usuário de insulina. Ou pacientes que estão em processo de perda ponderal expressiva geralmente após cirurgias de redução do estômago.

 

Conclusão

Alimentar-se deve ser fruto de uma necessidade aplicada a funcionalidade de cada ser humano. Não é uma obrigação baseada em suposições ou mitos.  O que serve para um, pode não servir a outro. E por este motivo a generalização não é aplicável. A orientação de um profissional capacitado em terapia nutricional ou gastroenterologista é sempre indicada em situações de dúvida ou doença. Válido sempre dizer, este artigo não substitui uma consulta presencial.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Alimentação e Inflamação, qual a relação?

Alimentação e Inflamação, qual a relação?

Sim, de fato uma alimentação saudável tem uma ação sobre a inflamação em nosso corpo. E como sabemos que estamos inflamados? Na verdade, há dois tipos de inflamação: a aguda e a crônica. A aguda é aquela decorrente de algum trauma ou infecção e é manifestada como uma vermelhidão na pele ou mesmo dor.

A inflamação crônica é silenciosa, assintomática e por tal motivo é a mais perigosa. De uma forma mais geral, ela pode ser resultante de sobrepeso e obesidade. O estresse também é uma condição que perpetua essa inflamação.

Existem algumas doenças, sobretudo as do colágeno, ou doenças reumáticas, que também ocasionam uma inflamação crônica. São condições que normalmente demonstram necessidade de uso de medicamentos, mas a alimentação pode influenciar enormemente na intensidade de sintomas.

Como suspeitar dessa inflamação?

A inflamação crônica normalmente é assintomática. O jeito mais simples de se suspeitar é constatando-se um percentil de gordura corporal (PGC) aumentada. Este PGC aumentado pode ocasionar sintomas como insônia, depressão e irritabilidade.

A fadiga exagerada para se realizar simples atividades é uma condição que pode estar relacionada a este estado inflamatório crônico.

Não há necessidade crucial em se definir se há uma inflamação ou mesmo em se determinar o seu nível de gravidade, utilizando algum exame de sangue ou de imagem específicos.

A dosagem de colesterol, glicose, ácido úrico e proteínas inflamatórias no sangue tem a função de se avaliar as complicações deste estado inflamatório crônico, que são o diabetes, a hipertensão ou as doenças vasculares.

Exames como a antropometria ou a bioimpedância seriadas são importantes no acompanhamento da perda de peso corporal.

E que hábitos alimentares são os vilões neste estado inflamatório?

Os alimentos processados são grandes causadores desta inflamação. Carboidratos refinados são os mais envolvidos neste processo. O consumo excessivo de carnes e gorduras podem também ser responsáveis.

O tecido adiposo, ou a gordura corporal,  quando em excesso, leva a um aumento na produção de substâncias inflamatórias, chamadas de citocinas. De uma forma simplificada, este é o principal mecanismo da inflamação.

 

Existe alguma dieta antiinflamatória?

O princípio básico de qualquer dieta antiinflamatória, é a redução no consumo deste agentes pró inflamatórios. Não faz nenhum sentido consumir alimentos com características antiiflamatórias, sem modificar o consumo dos agentes causadores da inflamação.

O consumo adequado de água e a prática regular de exercícios físicos são medidas incluídas na dieta antiinflamatória.

Quais alimentos devem ser evitados?

  • Sucos industrializados ou bebidas com adição de açúcar;
  • Carboidratos refinados: pão braco, bolos, massas de farinha refinada;
  • Gorduras hidrogenadas ou trans e certos óleos: margarinas e óleos de milho e soja;
  • Lanches: “snacks”, batatas fritas ou petiscos;
  • Carnes processadas ou embutidos;
  • Excesso de bebidas alcoólicas.

 

Após a adequação alimentar, quais alimentos podem ser adicionados devido ao seu perfil antiinflamatório?

  • Vegetais: aspargos, brócolis, couve, agrião;
  • Oleaginosas: castanhas de caju e do Pará;
  • Azeite de oliva;
  • Frutas vermelhas: morango, mirtilo, framboesa, acerola;
  • Peixes: sardinha e anchovas;
  • Grãos: lentilhas
  • Especiarias: açafrão ou cúrcuma, pimentas, gengibre e canela.

 

O que pode ser melhorado com a dieta antiinflamatória?

O controle de peso é o principal objetivo. Em consequência, os níveis de pressão e de glicose são melhor controlados.

O perfil lipídico e a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado) são melhorados.

Doenças como o lúpus e artrites, tem sua atividade controlada em pacientes com uma dieta saudável e com características antiinflamatórias.

Em suma, a dieta antiinflamatória não é mais um modismo. É uma denominação para a alimentação saudável. A inflamação é uma condição que gera sofrimento ao nosso corpo e, por tal motivo, devemos preveni-la e combate-la de imediato.

Um profissional capacitado em terapia nutricional deve ser sempre consultado. Qualquer medida terapêutica deverá ser individualmente orientada para que o alívio dessa inflamação e o tratamento de suas complicações (obesidade, diabetes, hipertensão) sejam efetivamente alcançados

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Dieta e Fim de Ano

Dieta e Fim de Ano

E a dieta, como fica?

Despedimo-nos de um ano e recebemos um novo e a dieta, como fica? É praticamente uma rotina anual o exagero alimentar. É excessivo o consumo de alimentos gordurosos, ricos em carboidratos simples e sódio. É uma época em que a dieta saudável fica de lado e os exercícios também. Sentimo-nos inchados (literalmente mais pesados), com sintomas de má digestão e um mal funcionamento intestinal (tanto constipação quanto diarreia).

Não é o objetivo aqui pregar que devemos evitar estes excessos na época das festas de fim de ano. É época de reunir pessoas e confraternizar, e comida une pessoas. Vamos celebrar.

 

O que ocorre com nossos órgãos?

O fígado fica inflamado devido ao consumo excessivo de alimentos processados e gordurosos, além dos exageros com o álcool.

Pelo mesmo motivo, o intestino fica mais lento.  Acumulamos mais gases devido a ingestão excessiva de carboidratos simples.

Nesta época temos também uma maior tendência a perda de massa muscular, tanto pelo sedentarismo, quanto pelo consumo excessivo de álcool.

 

Foco em soluções. Como podemos melhorar?

Cessar o consumo excessivo destes alimentos é o primeiro passo. Deixemos o excesso restrito às festas.

Hidratação é mandatória. A água literalmente purifica. Somente evite consumi-la junto às refeições, deixe para 40 minutos antes ou após. Ingerir água junto com o almoço ou o jantar pode lentificar o processo digestivo.

Recupere a rotina regular de exercícios físicos o quanto antes.

Alguns alimentos tem propriedades que aceleram a recuperação do trato digestivo e a do nosso corpo como um todo, são eles:

  • Água: hidratação, com já dito, é fundamental para um bom funcionamento global do nosso corpo;
  • Abacate: alimento com boas gorduras e fibras. Além disso possui potentes antioxidantes que auxiliam no alívio da inflamação instalada sobre o fígado;
  • Azeite de Oliva: fonte de ômega nove, uma das boas gorduras, que tem ação importante ação antiinflamatória;
  • Folhas verdes: fontes de fibras e de potentes antioxidantes, que melhoram o funcionamento intestinal;
  • Frutas vermelhas: possuem potentes antiinflamatórios que atuam sobre o fígado;
  • Beterraba e cenoura: alimentos ricos em betacaroteno, substância que é convertida em vitamina A (retinol), ou então agir como um antioxidante;
  • Brócolis: possui substâncias que facilitam a eliminação de toxinas pelo fígado, além de ser uma boa fonte de fibras;
  • Limão: rica fonte de antioxidantes, além de facilitar o processo digestivo como um todo;
  • Gengibre: preparado sob a forma de chás ou ingerido puro, esta raiz melhora a digestão dos alimentos.

É importante associar ao consumo destes alimentos, uma dieta saudável e equilibrada. Boas fontes de proteínas, gorduras e carboidratos complexos continua sendo as melhores escolhas.

Uma avaliação gastroenterológica e nutricional no caso de sintomas persistentes devem ser sempre considerados.  Vamos celebrar e manter o cuidado com a saúde sempre.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
O Envelhecimento e a Digestão dos Alimentos

O Envelhecimento e a Digestão dos Alimentos

Como o envelhecimento influencia na digestão dos alimentos?

O envelhecimento é uma condição inevitável e inerente a todo ser vivo, e que se inicia logo ao nascimento. O sistema digestivo é o conjunto de órgãos responsáveis pela digestão, absorção e aproveitamento dos alimentos.  É conhecido que este sistema talvez seja o que menos sofra com o avançar da idade, dada a sua grande reserva funcional. No entanto, algumas doenças ou condições que surgem com o envelhecimento do sistema digestivo são tão limitantes e desconfortáveis, que a melhor forma de se evitá-las é a prevenção.

 

Como cada órgão é afetado com o envelhecimento?

Boca

A salivação pode se reduzir com a idade, o que dificulta a mastigação e deglutição dos alimentos. Os dentes podem ser perdidos o que agravaria ainda mais estes processos.

Distúrbios na deglutição, denominados disfagia, dificultam a ingestão de alimentos sólidos e também de líquidos. Esta incoordenação pode se agravar e levar a situações de aspiração de alimentos para os pulmões.

Esôfago e Estômago

Estes órgãos têm suas contrações pouco reduzidas com a idade. Indivíduos mais idosos tendem a ter mais sintomas de empachamento e refluxo. O uso de alguns medicamentos tende a agravar estes sintomas, além de predispor ao surgimento de gastrites e úlceras. Grandes exemplos são os antiinflamatórios.

A produção de ácido gástrico tende a se reduzir e com isso o aproveitamento dos alimentos também fica prejudicado. O uso dos inibidores de bomba protônica (sobretudo por longos períodos) agrava esta condição. O ácido gástrico não é nenhum vilão, na verdade é um grande protetor contra infecções e situações de má digestão.

Intestino Delgado

A absorção de nutrientes quase não se altera com a idade. Há uma certa lentificação do peristaltismo, que grande parte das vezes não é sentida.

Há uma redução da produção da lactase, que é uma enzima que digere a lactose, fato que explica a progressiva intolerância a leite e derivados. Alterações na flora bacteriana podem ocorrer por diversos motivos, como uso de exagerado de antibióticos e antiácidos.

Intestino Grosso

Este órgão sofre muito com a ausência de ingestão de fibras vegetais ao longo da vida. Constipação intestinal, diverticulose e câncer colorretal são problemas que surgem com o envelhecimento.A redução na frequência de atividades físicas é outro fator que contribui para a constipação intestinal.

Fígado, Pâncreas e Vias Biliares

O tamanho do pâncreas se reduz com a idade, mas isso quase não interfere em seu funcionamento. O fígado também reduz de tamanho e por consequência, a metabolização de algumas substâncias fica prejudicada. Este fato explica o aumento da incidência de efeitos colaterais de alguns medicamentos.

 

Como amenizar os efeitos do envelhecimento no sistema digestivo?

Não é clichê dizer mais uma vez que a alimentação equilibrada é a chave para um envelhecimento saudável. De fato, somos o que ingerimos. A redução no consumo de carboidratos processados não somente auxilia no controle do peso. Este tipo de alimento danifica totalmente a microbiota intestinal. O uso de carboidratos complexos, em equilíbrio com fibras, proteínas de boa qualidade e uma adequada hidratação minimiza este dano.

O câncer colorretal, uma doença que tem relação com o envelhecimento intestinal, é prevenido com medidas de adequação alimentar, sobretudo de fibras.

Exercícios físicos regulares são também pilares para um envelhecimento saudável.

Importante ressaltar, os cuidados com a saúde não devem se iniciar tardiamente. Estas medidas devem ocorrer ao longo da vida, desde sempre, de preferência ao nascer. Prevenção sempre será o melhor remédio. Procure sempre um profissional capacitado para uma orientação mais individualizada.

 

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
A obesidade é uma doença grave?

A obesidade é uma doença grave?

A obesidade, por definição, é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de tecido gorduroso acumulado no organismo.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a obesidade baseando-se no índice de massa corporal (IMC) definido pelo cálculo do peso corporal, em quilogramas, dividido pelo quadrado da altura, em metros quadrados (IMC = kg/h2(m)). A obesidade é caracterizada quando o IMC encontra-se acima de 30 kg/m2.

O IMC é falho para se definir classificações de adequação de peso, já que alguns indivíduos tem peso excessivo devido a preponderância da massa muscular. Outros, mesmo com o peso normal, tem uma quantidade percentual de gordura corporal elevada.

 

Qual a gravidade da obesidade?

Há alguns anos, não sabíamos, ou mesmo não atentávamos, que o excesso de gordura corporal não causava apenas um aumento no peso, mas uma série de alterações no metabolismo corporal. Houve uma época que o excesso de peso corporal era associado a saúde.

A obesidade, de fato, é uma condição de risco nutricional. Geralmente estes indivíduos ingerem alimentos ricos em carboidratos simples,  no entanto, deficientes em proteínas,  vitaminas, fibras e micronutrientes.

Hoje é bem claro que não existe obeso saudável. Toda condição de obesidade implica em riscos. Por tal motivo e pela crescente incidência, considera-se como um problema de saúde pública. Cerca de 20% da população brasileira é obesa.

São vários os distúrbios causados pela obesidade:

  • Doenças cardiovasculares: hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença cérebro-vascular, trombose venosa profunda;
  • Doenças endócrinas: diabetes mellitus tipo II, dislipidemia, hipotireoidismo, infertilidade;
  • Distúrbios respiratórios: apneia obstrutiva do sono, doença pulmonar restritiva);
  • Distúrbios gastrointestinais: hérnia de hiato, doença do refluxo, cirrose, esteatose e colecistite;
  • Distúrbios dermatológicos: estrias e papilomas;
  • Distúrbios músculos-esqueléticos: como osteoartrose e defeitos posturais;
  • Neoplasias: câncer de mama, próstata, estômago ou cólon;
  • Distúrbios psicossociais: sentimento de inferioridade e isolamento social;
  • Aumento do risco cirúrgico e anestésico;
  • Diminuição da agilidade física.

 

Síndrome Metabólica

A sídrome metabólica representa um grupo de fatores de risco cardiometabólico que incluem a obesidade abdominal, aumento da pressão arterial, da glicemis de jejum e triglicerídeos, com redução do HDL (o bom colesterol). Esta síndrome  está associada a uma maior incidência de doenças cardíacas tais com infarto, além de uma maior mortalidade.

A obesidade abdominal tem uma correlação forte com o risco de diabetes. Estudos mostram que diabetes, doenças arteriais, sedentarismo, dietas ricas em carboidratos, aumentam o risco da síndrome metabólica.

Redução de peso, intervenções sobre o estilo de vida, sobretudo cessação do tabagismo e atividade física regular, correlacionam-se significativamente com a melhoria da síndrome metabólica.

 

Obesidade e Custos

O impacto para o sistema de saúde é expressivo. O Brasil gasta cerca de R$ 16,9 bilhões por ano com tratamentos de problemas relacionados à obesidade, como asma, hérnia de disco e distúrbios cardiovasculares.

Os números reunidos pelo Ministério da Saúde mostram que os efeitos da obesidade já são sentidos. O diabetes, por exemplo, cresce de forma expressiva. Entre 2006 e 2017, os registros subiram 49% entre a população de 25 a 34 anos. Com isso, os gastos tendem a se acentuar ainda mais.

 

Conclusões

É fato que a obesidade é uma doença crônica grave e que precisa ser tratada de imediato. A abordagem deve ser multidisciplinar e a equipe deve estar plenamente engajada no processo de tratamento do paciente. Terapia nutricional e medicamentosa deve ser instituída.

A cirurgia de redução do estômago, chamada também de cirurgia metabólica, deve ser oferecida ao paciente no momento correto. Toda a implicação de riscos e benefícios deve ser aclarada. O acompanhamento nutricional pré operatório deve ser instituído o mais precocemente possível, para que o sucesso do procedimento seja alcançado e o reganho de peso pós-operatório evitado.

A assistência psicológica é fundamental. É importante que sentimentos de derrotismo, vitimização e inércia sejam profundamente explorados e tratados. Expressões pejorativas, apologias ou condenações devem ser taxativamente evitadas.

O paciente deve ser empoderado e incluído totalmente no processo. Deve ser salientado ao mesmo que o processo de cura está em suas mãos.

E sempre a velha máxima deve ser repetida, o melhor tratamento é a prevenção. Atenção as dietas de transição que são oferecidas após o desmame (que deve ser feito no tempo correto), atividade física regular e desde sempre e uma alimentação saudável, isenta de alimentos processado são medidas preventivas pertinentes e eficazes.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Hepatite Medicamentosa: Um Alerta

Hepatite Medicamentosa: Um Alerta

Muito pouco se comenta, mas a hepatite medicamentosa é uma doença cada vez mais diagnosticada. E quando se fala em automedicação, a população brasileira talvez seja a campeã mundial, pois a frequência de uso de medicamentos de forma não indicada tem aumentado de forma alarmante.

Parentes, o colega de treino ou o balconista da farmácia se tornaram corriqueiros prescritores, o que aumenta a incidência desta doença. Mais de 900 medicamentos orais e injetáveis, toxinas e ervas foram relatados como causadores de hepatites medicamentosa, que é uma lesão caracterizada pela inflamação e morte de células hepáticas, fato este que leva a disfunção deste órgão.

 

Uma estatística assustadora

Cerca de 10% dos pacientes com hepatite medicamentosa evoluem para óbito ou necessidade de transplante de fígado. Ou seja, em cem pessoas que consomem um determinado medicamento sem indicação ou prescrição, cerca de dez podem ter a necessidade de um transplante hepático ou morrer.

Os exames de função hepática na hepatite medicamentosa podem permanecer alterados por cerca de seis meses, em até 20% dos casos. A cirrose pode ocorrer em cerca de 3% destes pacientes. É pouco, mas a cirrose é uma doença que mata, somente é curada com transplante de fígado e, antes de matar, leva a um sofrimento descomunal.

 

Sintomas da Hepatite Medicamentosa

Os sintomas são altamente variáveis, pois vão desde a elevação assintomática de enzimas hepáticas até insuficiência hepática fulminante, patologia grave, letal, cujo tratamento é o transplante.

Os sintomas mais comuns na hepatite medicamentosa são:

  • Icterícia (amarelão);
  • Febre;
  • Dor abdominal;
  • Sonolência e hemorragias em casos mais graves.

Algumas patologias podem predispor a hepatite medicamentosa, pois também afetam o fígado:

  • Alcoolismo e associação com o uso de outros medicamentos;
  • Diabetes;
  • Desnutrição;
  • Obesidade e Esteatose Hepática.

Componentes relacionados a Hepatite Medicamentosa

Todo medicamento metabolizado pelo fígado, pode causar hepatite medicamentosa. Esta doença, em muitas vezes, não depende da dose do medicamento, pois pequenas doses causam a lesão. Já outros medicamentos, como o paracetamol, podem causar hepatite medicamentosa, sobretudo quando utilizado em doses mais altas.

O uso frequente e indiscriminado de anabolizantes aumentou a incidência de hepatite medicamentosa entre jovens. É válido ressaltar que a incidência de hepatites virais, sobretudo a B e a C, cresceu neste grupo devido ao compartilhamento de seringas.

Medicamentos fitoterápicos tem sua contribuição nos números da hepatite medicamentosa. Chás, como o de Confrei, podem levar a uma doença hepática pois causam obstrução de seus vasos (doença veno-oclusiva) de 19 a 45 dias após o seu consumo.

Outros chás podem ser agentes da hepatite medicamentosa:

  • Cavalinha;
  • Kava-kava;
  • Ma-huang;
  • Chá verde;
  • Valeriana;
  • Cáscara sagrada;
  • Unha de gato;
  • Chaparral.

Tratamento e Prevenção

Evitar automedicação é o primeiro passo para prevenção de hepatite medicamentosa. O conhecimento dos agentes comumente implicados e o alto índice de suspeita são essenciais pois auxiliam no diagnóstico e no estabelecimento de uma terapêutica precoce. Um banco de dados útil para pesquisa de fármacos correlacionados a hepatite medicamentosa é o Liver Tox.

Ao primeiro sinal de doença hepática deve-se procurar de imediato um pronto atendimento, pois é uma doença grave. A internação hospitalar, quando indicada, deve ser feita com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (gastroenterologista/hepatologista infectologista, clínico e equipe de terapia nutricional) em um hospital que possua um centro de terapia intensiva.

Procure sempre um médico, pois este é o profissional capacitado a lhe auxiliar. Informe-o sobre qualquer medicamento ingerido, pois isso auxilia o monitoramento dos sinais clínicos e os exames laboratoriais. Quando qualquer sintoma de qualquer doença não melhora, a indicação é rever o diagnóstico para se estabelecer uma nova conduta. Nunca use medicamentos sem indicação médica. O bom senso, adequada utilização de informações e autocuidado são atitudes fundamentais pois levam a uma vida plena e a prevenção de doenças.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Comer bem: uma definição

Comer bem: uma definição

Comer bem, de fato, o que é?

“Comer de 3 em 3 horas, um alimento saudável.” Frase de rotina, quase um clichê.

A recomendação de um plano alimentar pré determinado e a ignorância a toda a individualidade social e cultural é um fato recorrente. A difusão de uma enxurrada de informações (inverdades, muitas vezes) através de uma mídia que praticamente dita comportamentos, acaba por disseminar modismos que não são aplicáveis a nenhuma realidade. São verdades impostas quase disfuncionais.

A influência da indústria

A forte influência da indústria alimentícia visa o consumo desregrado de alimentos excessivamente processados e imersos em conservantes e compostos que são nocivos a saúde. A única meta desta indústria é o sucesso em vendas e não a saúde. É o famoso “gostoso que faz bem”, que não faz tão bem assim.

Outro fato relevante é que a nossa forma de adquirir o alimento mudou drasticamente. Nossos ancestrais iam em busca dele, ou seja, caçavam ou colhiam para própria subsistência. Tinham um expectativa de vida menor, dadas as condições adversas do meio. Hoje a comida bate a nossa porta a um clique no aplicativo do celular. Nosso gasto energético é mínimo e nosso ganho calórico tende a ser extremamente fácil. Hoje vivemos mais tempo, mas não necessariamente com qualidade.

É um paradoxo que beira o absurdo. Há uma oferta excessiva de alimentos, mas á uma escassez de produtos saudáveis e de terra para cultivo em alguns lugares do mundo. Alimentos que tem um cultivo racional e orgânico, têm um custo elevado e servem a pouco segmentos da sociedade.

Como comer

O ato de comer vai além de ingerir o alimento para suprir as necessidades da matemática nutricional. Comer bem passa pelo respeito cultural e ambiental aliados ao prazer da degustação. A memória afetiva é despertada pelo alimento.

Comer bem é conhecer a fundo o que se ingere. É entender de vez que o carboidrato é fonte de energia, basta escolher boas fontes, optar pelos integrais e evitar excessos. É parar de achar que se deve evitar todo o tipo de gordura. É entender que fibra não serve apenas como laxante.

Uma verdade

Todo alimento gera ganho de peso, sem exceção. Nenhum alimento emagrece, de fato. É o equilíbrio e as boas escolhas, associadas a prática de atividades físicas regulares é que geram saúde.

Profissionais de saúde devem orientar e sanar dúvidas, jamais impor condições que sejam restritivas de alguma forma. O bom profissional em terapia nutricional deve ser empático, deve se colocar no lugar do outro e entender a necessidade e a individualidade.

Não há definição precisa sobre o que é comer bem. Esse conceito é variável e sofre influências do meio e do momento. De toda forma, ele deve permear o respeito a saúde física e psíquica do indivíduo, além da conservação ambiental no modo de produzir este alimento.

Comer bem, que mal tem?  Em verdade, nenhum.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos
Obesidade e Cirrose

Obesidade e Cirrose

A incidência da obesidade no mundo tem aumentado de forma desenfreada.
O consumo de alimentos industrializados e ricos em carboidratos simples, associado a maus hábitos de vida, como o sedentarismo, o etilismo e o tabagismo, tem contribuído sobremaneira para o aumento desta condição, a qual tem se tornado um sério problema de saúde pública.
Junto a isso, termos como “esteatose hepática” tem sido cada vez mais abordados.
A esteatose é o acúmulo de gordura no fígado. Ela está presente em cerca de 60% de indivíduos que sofrem de obesidade. Este fato ocasiona uma continua inflamação neste órgão que, por sua vez, pode evoluir para cirrose, uma doença silenciosa, que somente manifesta seus sintomas em fases mais tardias de evolução.
A cirrose é a falência do funcionamento do fígado. Este órgão regula o metabolismo da glicose e das gorduras, participa na síntese de proteínas e no processamento de drogas e hormônios.
Além de todas as funções, o fígado age também no armazenamento de vitaminas e minerais. Ele estoca algumas vitaminas como: A, B12, D, E e K, além de minerais como o ferro e o cobre.
É comum, em exames de rotina, constatarmos alterações em enzimas hepáticas no sangue (Gama GT, TGO e TGP). Estas, por sua vez, sinalizam algum grau de inflamação no fígado, sobretudo na obesidade. Por mínimas que sejam estas alterações, é importante que sejam avaliadas por um profissional capacitado , que diagnosticará a causa e estabelecerá o tratamento mais adequado.
Além disso, é de fundamental importância os cuidados com a alimentação:
– Preferir alimentos naturais, ricos em fibras e carboidratos complexos (cereais integrais);
– Evitar o consumo de refrigerantes, bebidas alcoólicas e sucos industrializados;
– Não adicionar açúcares aos alimentos prontos;
– Consumir boas fontes de proteína (ovos, peixes, carnes magras);
– Exercitar-se com regularidade.
Todas as medidas citadas contribuem não somente com a saúde do seu fígado, mas também com a saúde corporal global, proporcionando uma vida longa e com qualidade.
Dado o alerta, não somente o alcoolismo leva a cirrose. A má alimentação, o sobrepeso e a obesidade são causas frequentes desta doença tão temida, cujo único tratamento curativo existente é o transplante de fígado.

Posted by Dr. Juliano Antunes in Todos