Encurtamento do Jejum Pré-Operatório

Por muito tempo praticou-se o jejum prolongado como preparo para cirurgias. Muitos serviços ainda praticam o este jejum prolongado, mas felizmente aos poucos esta prática tem mudado.

Jejum pra quê?

Historicamente o jejum pré operatório era indicado replica Rolex com a finalidade de se evitar a aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões após a indução anestésica. A alegação principal era a de que os medicamentos utilizados na anestesia lentificavam o esvaziamento do estômago.

Mudança de paradigmas

Novos estudos controlados e de grande confiabilidade demonstraram que não há prejuízos clínicos para os pacientes que se submetem ao jejum pré operatório mais curto. Na verdade, verificou-se melhores respostas cirúrgicas em pós operatórios naqueles pacientes que fizeram jejum encurtado.

Tal encurtamento é para um período de duas replica Breitling watches horas. Ou seja, é possível e indicado reduzir de 12 para 2 horas o jejum pré operatório e se obter mais sucesso nos desfechos de pós operatório.

Quais são os benefícios?

Os principais benefícios constatados com o encurtamento do jejum pré operatório são:

Há alguma exceção a este jejum encurtado?

De fato, alguns pacientes ainda devem manter jejuns mais prolongados antes de se submeterem a cirurgias. Pacientes que tem um funcionamento gástrico mais Breitling replica watches reduzido, o que chamamos de gastroparesia, são os que tem tal indicação.

Pacientes diabéticos e aqueles que têm a doença do refluxo gastroesofágico devem ser avaliados com mais critérios antes de terem seu jejum encurtado.

E como deve ser feito este jejum encurtado?

O médico assistente, de preferência o de uma EMTN ( Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional) deve avaliar cada paciente e individualizar seu preparo nutricional.

Em média, permite-se a ingestão de refeições leves até cerca de 6 horas antes da cirurgia. Até 2 horas antes do procedimento, recomenda-se a ingestão de líquidos claros, ou seja, maltodextrina diluída em água. Caso o procedimento atrase, a ingestão desta solução pode ser repetida. Hoje em dia já existem suplementos destinados a esta finalidade.

Resumindo…

Todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia deve ser avaliado quanto a possibilidade do encurtamento do jejum pré operatório. Trabalhos sérios e grandes estudos já evidenciaram a segurança desta prática. O benefício é inquestionável e factível. Deve ser algo recomendado pelo médico que assiste ao paciente, obviamente atentando-se para as indicações, e deve ser exigido pelo paciente.

Converse com seu médico sobre a indicação e a segurança do jejum encurtado. Lembrando que este artigo não substitui nenhuma consulta ou conversa presencial com o profissional capacitado.

A obesidade é uma doença grave?

A obesidade, por definição, é uma doença crônica caracterizada pelo replica watches excesso de tecido gorduroso acumulado no organismo.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a obesidade baseando-se no índice de massa corporal (IMC) definido pelo cálculo replica Rolex do peso corporal, em quilogramas, dividido pelo quadrado da altura, em metros quadrados (IMC = kg/h2(m)). A obesidade é caracterizada quando o IMC encontra-se acima de 30 kg/m2.

O IMC é falho para se definir classificações de adequação de peso, já que alguns indivíduos tem peso excessivo devido a preponderância da massa muscular. Outros, mesmo com o peso normal, tem uma quantidade percentual de gordura corporal elevada.

Qual a gravidade da obesidade?

Há alguns anos, não sabíamos, ou mesmo não atentávamos, que o excesso de gordura corporal não causava apenas um aumento no peso, mas uma série de alterações no metabolismo corporal. Houve uma época que o excesso de peso corporal era associado a saúde.

A obesidade, de fato, é uma condição de risco nutricional. Geralmente estes indivíduos ingerem alimentos ricos em carboidratos simples,  no entanto, deficientes em proteínas,  vitaminas, fibras e micronutrientes.

Hoje é bem claro que não existe obeso saudável. Toda condição de obesidade implica em riscos. Por tal motivo e pela crescente incidência, considera-se como um problema de saúde pública. Cerca de 20% da população brasileira é obesa.

São vários os distúrbios causados pela obesidade:

  • Doenças cardiovasculares: hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença cérebro-vascular, trombose venosa profunda;
  • Doenças endócrinas: diabetes mellitus tipo II, dislipidemia, hipotireoidismo, infertilidade;
  • Distúrbios respiratórios: apneia obstrutiva do sono, doença pulmonar restritiva);
  • Distúrbios gastrointestinais: hérnia de hiato, doença do refluxo, cirrose, esteatose e colecistite;
  • Distúrbios dermatológicos: estrias e papilomas;
  • Distúrbios músculos-esqueléticos: como osteoartrose e defeitos posturais;
  • Neoplasias: câncer de mama, próstata, estômago ou cólon;
  • Distúrbios psicossociais: sentimento de inferioridade e isolamento social;
  • Aumento do risco cirúrgico e anestésico;
  • Diminuição da agilidade física.

Síndrome Metabólica

A sídrome metabólica representa um grupo de fatores de risco cardiometabólico que incluem a obesidade abdominal, aumento da pressão arterial, da glicemis de jejum e triglicerídeos, com redução do HDL (o bom colesterol). Esta síndrome  está associada a uma maior incidência de doenças cardíacas tais com infarto, além de uma maior mortalidade.

A obesidade abdominal tem uma correlação forte com o risco de diabetes. Estudos mostram que diabetes, doenças arteriais, sedentarismo, dietas ricas em carboidratos, aumentam o risco da síndrome metabólica.

Redução de peso, intervenções sobre o estilo de vida, sobretudo cessação do tabagismo e atividade física regular, correlacionam-se significativamente com a melhoria da síndrome metabólica.

Obesidade e Custos

O impacto para o sistema de saúde é expressivo. O Brasil gasta cerca de R$ 16,9 bilhões por ano com tratamentos de problemas relacionados à obesidade, como asma, hérnia de disco e distúrbios cardiovasculares.

Os números reunidos pelo Ministério da Saúde mostram que os efeitos da obesidade já são sentidos. O diabetes, por exemplo, cresce de forma expressiva. Entre 2006 e 2017, os registros subiram 49% entre a população de 25 a 34 anos. Com isso, os gastos tendem a se acentuar ainda mais.

Conclusões

É fato que a obesidade é uma doença crônica grave e que precisa ser tratada de imediato. A abordagem deve ser multidisciplinar e a equipe deve estar plenamente engajada no processo de tratamento do paciente. Terapia nutricional e medicamentosa deve ser instituída.

A cirurgia de redução do estômago, chamada também de cirurgia metabólica, deve ser oferecida ao paciente no momento correto. Toda a implicação de riscos e benefícios deve ser aclarada. O acompanhamento nutricional pré operatório deve ser instituído o mais precocemente possível, para que o sucesso do procedimento seja alcançado e o reganho de peso pós-operatório evitado.

A assistência psicológica é fundamental. É importante que sentimentos de derrotismo, vitimização e inércia sejam profundamente explorados e tratados. Expressões pejorativas, apologias ou condenações devem ser taxativamente evitadas.

O paciente deve ser empoderado e incluído totalmente no processo. Deve ser salientado ao mesmo que o processo de cura está em suas mãos.

E sempre a velha máxima deve ser repetida, o melhor tratamento é a prevenção. Atenção as dietas de transição que são oferecidas após o desmame (que deve ser feito no tempo correto), atividade física regular e desde sempre e uma alimentação saudável, isenta de alimentos processado são medidas preventivas pertinentes e eficazes.

IBP: medicamentos seguros ou não?

O omeprazol, pantoprazol, rabeprazol e outros, são medicamentos replica watches conhecidos como inibidores de bomba de prótons (IBP). Eles constituem a principal opção na terapia medicamentosa para as doenças úlcero-pépticas. Por isso estes medicamentos são vastamente utilizados devido a alta prevalência destas doenças entre a população.A grande preocupação é que estes medicamentos tem sido utilizados de forma indiscriminada. O risco de efeitos adversos é baixo, no entanto, algumas preocupações sobre a segurança na terapia prolongada com IBP tem recebido destaque.

Osteoporose

Os IBP têm sido implicados no desenvolvimento de osteoporose replica Omega ou fraturas. O que se especula é que há um prejuízo na absorção de cálcio e defeitos na atividade osteoclástica (célula que remodela o osso). Isso ocorre pois a maior parte do cálcio dietético se encontra na forma de sais insolúveis, e a sua solubilidade depende parcialmente da acidez gástrica.

Os estudos não são conclusivos sobre tais efeitos pois sua metodologia é questionada muitas vezes. Mesmo assim, é prudente evitar seu uso durante períodos prolongados em alguns pacientes com osteoporose.

Hipomagnesemia

Hipomagnesemia grave associada ao uso de IBP é uma condição rara. A prevalência real da hipomagnesemia leve e assintomática é desconhecida. O mecanismo exato através do replica watches UK qual os IBP induzem hipomagnesemia ainda não está elucidado. Na hipomagnesemia relacionada com o uso de IBP, a absorção intestinal de magnésio se encontra prejudicada. Por isso, atualmente se sugere a dosagem do nível de magnésio basal durante o uso do IBP.

Infecção intestinal

A acidez gástrica é um mecanismo de defesa importante contra infecções intestinais. Diversos estudos relataram a associação entre uso de IBP e diarreia aguda infecciosa por Salmonella, Campylobacter jejuni e, em especial, por Clostridium difficile, patógeno responsável por diarreias graves em pacientes hospitalizados em uso de antibióticos.

Os estudos não são conclusivos. Enquanto não surgem dados mais confiáveis, é prudente evitar o uso indiscriminado especialmente nos imunodeprimidos e doentes crônicos no ambiente hospitalar. A suspensão do IBP deve ser considerada nos casos de infecções intestinais graves ou recorrentes.

Pneumonia

O uso de IBP pode aumentar o risco de pneumonia adquirida na comunidade, pois supressão da acidez pode facilitar a proliferação excessiva de bactérias não H. pylori no suco gástrico e duodenal. Tais alterações podem estar associadas a microaspirações e colonização pulmonar. A supressão ácida também parece interferir em algumas funções imunológicas.

Deficiência de vitamina B12 e de ferro

A absorção da vitamina B12 depende da acidez gástrica. Neste caso a sua supressão reduz a absorção desta vitamina. A acidez gástrica também facilita a absorção de ferro. A deficiência causada ocorre devido à redução da acidez gástrica que a droga promove.

Segurança em gestantes

Refluxo e queimação são sintomas comuns na gestação. Estudos recentes revelarem alguma segurança sobre o uso de IBP durante a gestação. Mas o uso destas drogas deve preferencialmente ser reservado a pacientes gestantes refratárias às demais medidas comportamentais e dietéticas.

IBP e câncer gástrico

A relação entre o uso prolongado de IBPs e o desenvolvimento de câncer no aparelho digestório é controverso. Consensos Brasileiro e Europeu recomendam a erradicação do H.pylori em pacientes que irão fazer uso crônico do IBP.

Conclui-se que, até o momento, não há uma evidência convincente e definitiva que esclareça a relação direta do uso do IBP e de surgimento de câncer gástrico.

IBP e cirrose

Os IBP são muito utilizados em pacientes com cirrose. Recentemente, têm sido descritas complicações infecciosas, como peritonite bacteriana espontânea (PBE). Isso ocorre provavelmente em razão do aumento da colonização bacteriana tanto no estômago como no intestino delgado pela perda da função protetora do ácido clorídrico sobre o crescimento bacteriano.

Demência

Estudos em animais tem mostrado uma associação do IBP com demência. Foi verificado o aumento de substância amiloide nos cérebros destes animais, o que explicaria tal fato. Ainda são necessários mais estudos acerca disso, sobretudo em humanos.

O que podemos tirar de lição deste achado é sempre rever a indicação do IBP em indivíduos idosos que, muitas vezes, utilizam longamente e de forma não indicada tal medicação.

IBP, antiinflamatórios e úlcera

Há uma premissa de que pacientes que utilizam antiinflamatórios por longos períodos tem a indicação de utilizar os IBPs pois previnem o surgimento de gastrites, úlceras e hemorragia.

O que deve ser considerado, no entanto, é se há indicação real deste antiinflamatórios. Deve-se estabeler o período correto de uso deste medicamento.  Pacientes com mais de 65 anos, que fazem uso de corticoides, outros antiinflamatórios e anticoagulantes e com passado de úlcera e hemorragia têm indicação do uso quando três ou mais destes fatores estão presentes.

Conclusão

Apesar de os riscos de complicações com o uso prolongado dos IBP serem baixos, eles existem e podem ser graves. O uso destes medicamentos jamais deve ser indiscriminado e sua indicação cuidadosamente ponderada.

A premissa de que o uso de qualquer medicamente deve ser monitorado por médico é também válida para o IBP. Questionar o porquê do seu uso prolongado é fundamental e evita complicações.

Esofagite Eosinofílica: o que é e como diagnosticar

A esofagite eosinofílica é uma doença que, apesar de replica watches UK ainda pouco discutida, tem sido cada vez mais reconhecida. Pode surgir em qualquer idade, sobretudo em crianças e adultos jovens, sendo mais comum em homens.

É caracterizada por uma inflamação na mucosa do esôfago causada por uma célula chamada eosinófilo, por isso a denominação “esofagite eosinofílica”. Ainda tem uma Breitling replica watches causa incerta, mas a hipótese de alergia alimentar continua sendo a mais aceita.

Quando suspeitar da esofagite eosinofílica?

É uma patologia de difícil diagnóstico pois os seus sintomas se confundem com os da doença do refluxo gastroesofágico. A principal forma se suspeitar é quando o paciente passa a se queixar de forma recorrente de uma sensação de impactação alimentar no esôfago. Como se ele estivesse obstruído ou mais popularmente “entalado”.

É muito comum sua a associação com asma, dermatites, rinites e eczema, pois todas estas são doenças alérgicas.

Diagnóstico

Um fato comumente observado na esofagite eosinofílica, e que também leva a suspeição desta doença, é a falta de resposta quando se adota medidas antirrefluxo. Pacientes replica Breitling watches que seguem as orientações dietéticas e fazem uso da medicação supressora da acidez gástrica e não obtém resposta clínica, são fortes candidatos a portar a esofagite eosinofílica.

Na esofagite eosinofílica é obrigatória a realização de uma endoscopia digestiva alta com biopsia de esôfago. Nesta biopsia são encontrados os eosinófilos, além de alterações inflamatórias ocasionadas pelos mesmos.

Testes de alergias alimentares são recomendados quando para se definirem possíveis gatilhos alimentares. Alternativas incluem os testes epidérmicos, o exame radioalergoadsorvente (RAST) ou a eliminação dietética.

Eliminação Dietética na Esofagite Eosinofílica

Alguns alimentos suspeitos ou chamados de “gatilhos” devem ser eliminados em grupos ou isoladamente como parte do tratamento da esofagite eosinofílica. Os mais comumente envolvidos na esofagite eosinofílica são as castanhas, o amendoim, leite, ovos, soja, trigo ou crustáceos.

Via de regra, há quatro tipos de dietas restritivas em casos de alergias alimentares.

  • Dieta 1: sem carne vermelha, suína, aves, leite, centeio ou milho
  • Dieta 2: sem carne vermelha, cordeiro, leite ou arroz
  • Dieta 3: Sem carne de cordeira, aves, centeio, arroz, cereais, milho ou leite
  • Dieta 4: Uso de fórmulas elementares a base de aminoácidos, indicadas para casos mais graves.

Tratamento

Mudanças dietéticas são fundamentais e devem ser indicadas em todos os casos de pacientes com esofagite eosinofílica.  Sabe-se que o refluxo gastroesofágico pode desencadear os sintomas, por tal motivo deve-se orientar uma dieta antirrefluxo e medicação supressora de acidez gástrica.

O uso de corticoide tópico é indicado em casos de pacientes sintomáticos, principalmente com impactação alimentar. O tempo de administração da medicação é longo e deve ser determinado conforme a resposta clínica.

Pacientes que têm estenose (estreitamento) esofágica podem precisar de dilatação utilizando balão esofágico. Nestes pacientes a manifestação mais comum é a disfagia baixa, ou seja, sensação de que o alimento pára no esôfago.

A questão principal na esofagite eosinofílica é o seu diagnóstico precoce. O tratamento o quanto antes instituído previne complicações e diminui a morbidade desta patologia. Este artigo não tem a função de substituir a presença de um profissional. Nunca é demais lembrar que, em caso de suspeita de esofagite eosinofílica,  deve-se procurar de imediato o acompanhamento de um gastroenterologista.